O Pequeno Cofre de 1,44 Megabytes
Antes que a nuvem digital passasse a pairar sobre nossas cabeças como uma chuva invisível e permanente, antes que o pen drive se tornasse extensão natural do bolso, antes que o gesto de “enviar” virasse
Antes que a nuvem digital passasse a pairar sobre nossas cabeças como uma chuva invisível e permanente, antes que o pen drive se tornasse extensão natural do bolso, antes que o gesto de “enviar” virasse
Antes que o mundo coubesse dentro de uma tela, antes que os dedos aprendessem a correr sobre controles e superfícies lisas, antes que algoritmos escolhessem adversários, narrassem partidas e distribuíssem vitórias digitais, havia uma soberana
Há cheiros que não obedecem ao calendário. Não envelhecem no mesmo ritmo das coisas. Não se deixam arquivar em gavetas, álbuns, caixas de sapato ou fotografias amareladas. Eles atravessam décadas com uma liberdade misteriosa, como
Houve um tempo — e hoje parece quase impossível dizer isso sem que a frase venha coberta de névoa, poeira luminosa e espanto — em que a felicidade cabia dentro de uma fita preta. Uma
Por Pitter Lucena* Era uma vez — e é preciso começar assim, porque toda boa lembrança tem algo de fábula, mesmo quando nasceu de chão de cimento e balcão de madeira — um tempo em
Era o tempo em que o céu tinha chuvisco e a sala, tempestade. A televisão não chegava por fibra, por cabo, por aplicativo ou por esse milagre silencioso das telas atuais. Chegava pelo ar, como
Por Pitter Lucena* Era uma época em que o futuro ainda não era transparente, nem táctil, nem escorria pela ponta dos dedos em telas luminosas. O futuro tinha peso de duas pilhas, cheiro de plástico