O Universo Em Três Minutos
Houve uma era — e hoje parece que essa era foi inventada apenas para que a memória tivesse uma esquina onde encostar — em que a distância não cabia num toque de tela. Cabia num
Houve uma era — e hoje parece que essa era foi inventada apenas para que a memória tivesse uma esquina onde encostar — em que a distância não cabia num toque de tela. Cabia num
Houve um tempo — e às vezes parece que esse tempo foi inventado apenas para a memória ter onde morar — em que carregar a própria trilha sonora era uma forma de luxo. Não um
Antes que a nuvem digital passasse a pairar sobre nossas cabeças como uma chuva invisível e permanente, antes que o pen drive se tornasse extensão natural do bolso, antes que o gesto de “enviar” virasse
Antes que o mundo coubesse dentro de uma tela, antes que os dedos aprendessem a correr sobre controles e superfícies lisas, antes que algoritmos escolhessem adversários, narrassem partidas e distribuíssem vitórias digitais, havia uma soberana
Há cheiros que não obedecem ao calendário. Não envelhecem no mesmo ritmo das coisas. Não se deixam arquivar em gavetas, álbuns, caixas de sapato ou fotografias amareladas. Eles atravessam décadas com uma liberdade misteriosa, como
Houve um tempo — e hoje parece quase impossível dizer isso sem que a frase venha coberta de névoa, poeira luminosa e espanto — em que a felicidade cabia dentro de uma fita preta. Uma
Há palavras que não são apenas palavras. São portais. Basta pronunciá-las e alguma coisa antiga se move dentro da gente, como se o coração abrisse uma janela esquecida para uma rua de terra, uma ladeira
Por Pitter Lucena* Houve um tempo — e talvez toda memória funda precise começar assim, como quem abre uma porta rangendo para dentro da infância — em que o mundo ainda não estava pronto. Era
Por Pitter Lucena* Era uma vez — e é preciso começar assim, porque toda boa lembrança tem algo de fábula, mesmo quando nasceu de chão de cimento e balcão de madeira — um tempo em
Por Pitter Lucena* No começo era o ruído: a água amanhecendo no igarapé, o vento penteando as folhas, o galo abrindo, no terreiro, o relógio de Deus. Logo depois vinha outro som, mais íntimo e