Fita Cassete: O Coração Magnético da Memória
Houve uma era — e talvez ela tenha existido apenas para que a saudade aprendesse a cantar — em que a música tinha corpo. Não era nuvem, não era arquivo invisível, não era sugestão de
Houve uma era — e talvez ela tenha existido apenas para que a saudade aprendesse a cantar — em que a música tinha corpo. Não era nuvem, não era arquivo invisível, não era sugestão de
Houve uma era — e hoje parece que essa era foi inventada apenas para que a memória tivesse uma esquina onde encostar — em que a distância não cabia num toque de tela. Cabia num
Houve um tempo — e às vezes parece que esse tempo foi inventado apenas para a memória ter onde morar — em que carregar a própria trilha sonora era uma forma de luxo. Não um
Antes que a nuvem digital passasse a pairar sobre nossas cabeças como uma chuva invisível e permanente, antes que o pen drive se tornasse extensão natural do bolso, antes que o gesto de “enviar” virasse
Antes que o mundo coubesse dentro de uma tela, antes que os dedos aprendessem a correr sobre controles e superfícies lisas, antes que algoritmos escolhessem adversários, narrassem partidas e distribuíssem vitórias digitais, havia uma soberana
Houve um tempo — e hoje parece quase impossível dizer isso sem que a frase venha coberta de névoa, poeira luminosa e espanto — em que a felicidade cabia dentro de uma fita preta. Uma
Há palavras que não são apenas palavras. São portais. Basta pronunciá-las e alguma coisa antiga se move dentro da gente, como se o coração abrisse uma janela esquecida para uma rua de terra, uma ladeira
Por Pitter Lucena* Houve um tempo — e talvez toda memória funda precise começar assim, como quem abre uma porta rangendo para dentro da infância — em que o mundo ainda não estava pronto. Era
Por Pitter Lucena* Era uma vez — e é preciso começar assim, porque toda boa lembrança tem algo de fábula, mesmo quando nasceu de chão de cimento e balcão de madeira — um tempo em
Por Pitter Lucena* No começo era o ruído: a água amanhecendo no igarapé, o vento penteando as folhas, o galo abrindo, no terreiro, o relógio de Deus. Logo depois vinha outro som, mais íntimo e