A cartilha que ensinou o Brasil a soletrar
Por Pitter Lucena* Houve um tempo — e talvez toda memória funda precise começar assim, como quem abre uma porta rangendo para dentro da infância — em que o mundo ainda não estava pronto. Era
Por Pitter Lucena* Houve um tempo — e talvez toda memória funda precise começar assim, como quem abre uma porta rangendo para dentro da infância — em que o mundo ainda não estava pronto. Era
Por Pitter Lucena* Era uma vez — e é preciso começar assim, porque toda boa lembrança tem algo de fábula, mesmo quando nasceu de chão de cimento e balcão de madeira — um tempo em
Por Pitter Lucena* No começo era o ruído: a água amanhecendo no igarapé, o vento penteando as folhas, o galo abrindo, no terreiro, o relógio de Deus. Logo depois vinha outro som, mais íntimo e
Era o tempo em que o céu tinha chuvisco e a sala, tempestade. A televisão não chegava por fibra, por cabo, por aplicativo ou por esse milagre silencioso das telas atuais. Chegava pelo ar, como
Por Pitter Lucena* Era uma época em que o futuro ainda não era transparente, nem táctil, nem escorria pela ponta dos dedos em telas luminosas. O futuro tinha peso de duas pilhas, cheiro de plástico
*Por Pitter Lucena Era do tempo do ronca, sim senhor — tempo em que a manhã não começava no despertador, mas no peito do galo, na friagem do orvalho e no rumor do igarapé acordando
Por Pitter Lucena* Antes que o mundo se ajoelhasse diante das selfies, dos filtros milagrosos e da tirania da imagem perfeita, houve um tempo em que fotografar era uma espécie de oração. Não se apontava