A arte de arear panelas
Por Pitter Lucena* No começo era o ruído: a água amanhecendo no igarapé, o vento penteando as folhas, o galo abrindo, no terreiro, o relógio de Deus. Logo depois vinha outro som, mais íntimo e
Por Pitter Lucena* No começo era o ruído: a água amanhecendo no igarapé, o vento penteando as folhas, o galo abrindo, no terreiro, o relógio de Deus. Logo depois vinha outro som, mais íntimo e
Era o tempo em que o céu tinha chuvisco e a sala, tempestade. A televisão não chegava por fibra, por cabo, por aplicativo ou por esse milagre silencioso das telas atuais. Chegava pelo ar, como
*Por Pitter Lucena Era do tempo do ronca, sim senhor — tempo em que a manhã não começava no despertador, mas no peito do galo, na friagem do orvalho e no rumor do igarapé acordando