• 23 de julho de 2026

MPF pede à Justiça suspensão do aumento do etanol na gasolina

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para suspender a decisão do governo federal que elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A ação civil pública, protocolada com pedido de liminar, também solicita que a União seja condenada ao pagamento de R$ 500 milhões por danos morais coletivos.

Segundo o MPF, a mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ocorreu sem estudos técnicos conclusivos, análise adequada de impacto e comprovação científica sobre a segurança da nova composição para a frota nacional.

De acordo com o procurador da República Cleber Eustáquio Neves, autor da ação, o Estado deve demonstrar de forma transparente que alterações na composição dos combustíveis foram precedidas por avaliações técnicas abrangentes.

“O Estado brasileiro não pode impor à coletividade a utilização de combustível com composição diversa sem demonstrar, de forma clara, objetiva e tecnicamente consistente, que a medida foi precedida de estudos suficientemente abrangentes”, afirmou o procurador em nota.

MPF quer suspensão imediata da nova mistura de etanol na gasolina

A elevação do percentual de etanol na gasolina foi aprovada pelo Governo Federal no último dia 14. No dia seguinte, o MPF ingressou com a ação judicial. O caso foi divulgado oficialmente pelo órgão nesta quarta-feira (22).

O objetivo da ação é suspender imediatamente a vigência da medida até que estudos independentes comprovem que a nova mistura é segura para os milhões de veículos em circulação no Brasil, assegurando a proteção dos consumidores e a transparência das políticas energéticas.

Ministério Público questiona estudos apresentados pela União

Na ação, o MPF afirma que os estudos utilizados pelo governo para embasar a mudança não validam especificamente a adoção permanente da mistura de 32% como padrão nacional obrigatório.

O órgão defende que sejam realizados estudos conclusivos sobre:

  • durabilidade dos componentes dos veículos;
  • compatibilidade com diferentes tecnologias da frota brasileira;
  • impacto na autonomia dos automóveis;
  • alterações nos níveis de emissões;
  • possíveis efeitos em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

Segundo o Ministério Público Federal, existem indícios de que o aumento da concentração de etanol pode provocar corrosão em peças metálicas, desgaste prematuro de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em determinados tipos de veículos.

MPF pede perícia técnica independente

Além da suspensão da medida, o MPF solicita que a Justiça determine a realização de uma perícia técnica independente para avaliar os impactos reais da nova mistura de etanol sobre motores, componentes mecânicos e o meio ambiente.

A ação também requer que futuras alterações na composição dos combustíveis sejam precedidas por um protocolo técnico rigoroso, baseado em estudos científicos amplos e transparentes, garantindo maior segurança aos consumidores e previsibilidade para o setor automotivo.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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