Impugnação de Arruda abre caminho para Celina vencer no 1º turno

Apesar de o ex-governador José Roberto Arruda, candidato do PSD ao GDF, anunciar que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), que impugnou e indeferiu sua candidatura na última quinta-feira (3), o caminho para a governadora Celina Leão (PP) vencer a eleição já no primeiro turno está aberto.
Impugnado e considerado inelegível pelo TRE-DF, Arruda dificilmente escapará da degola no TSE. A tendência, em julgamentos dessa natureza, é que o colegiado confirme a decisão dos desembargadores do DF, ainda mais porque todos acompanharam o voto do relator, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega. Não houve um único voto divergente.
Diante dessa perspectiva, Celina Leão tem tudo para liquidar a fatura no primeiro turno. Favorita nas pesquisas, a governadora deve ser uma das maiores beneficiadas com a eventual saída definitiva de Arruda da campanha. Os eleitores do ex-governador, em sua maioria, já sinalizaram em sondagens que preferem votar na “Leoa” a escolher outros candidatos.
Considerando os últimos levantamentos, Celina foi quem mais cresceu nas intenções de voto. O próprio Arruda estava empacado, estacionado entre 20% e 24%. Já a governadora ampliou a vantagem sobre ele e os demais concorrentes.
Celina deve receber manifestações de apoio de setores arrudistas assim que a Justiça Eleitoral decidir definitivamente sobre o futuro da candidatura do ex-governador. Arruda insiste no discurso de que vai até o fim. Nos bastidores, porém, aliados mais próximos já avaliam como poderão se aproximar da “Leoa”.
O ex-governador tenta manter a postura e segue indo às ruas para não desanimar seus aliados. Mas o sentimento entre muitos deles é de que o fim da linha se aproxima e, tão logo, todos terão de desembarcar desse “trem” mineiro carregado de condenações que o impede de seguir viagem.
Faltando 28 dias para as eleições, Celina deve concentrar esforços em abocanhar essa fatia de eleitores que poderá ficar órfã até 14 de setembro, data-limite para a Justiça Eleitoral confirmar as candidaturas. Se continuar crescendo nas pesquisas, a “Leoa” pode quebrar mais um paradigma da política brasiliense e se tornar a primeira mulher eleita para governar a capital do País.
E com um grande detalhe: vencendo ainda no primeiro turno.
E quanto a José Roberto Arruda? Segundo a interpretação adotada pelo TRE-DF, ele só poderá voltar a disputar uma eleição em 2034.
Planalto exige reação de Grass e enquadra PT do DF

Quem ficou animado com a provável saída de Arruda da corrida ao Buriti foi o Palácio do Planalto. Para os petistas, sem o ex-governador na disputa pelo GDF, Leandro Grass, candidato do PT ao governo do Distrito Federal, passa a ter a obrigação de reagir e tentar encostar na governadora Celina Leão.
Há rumores de que um emissário do Palácio do Planalto esteve conversando com a cúpula do PT-DF no decorrer da última semana. Há quem diga que os petistas da capital federal foram enquadrados pelo companheiro enviado por Lula. O Planalto não consegue entender por que Grass não alcança, no DF, o mesmo desempenho eleitoral do presidente petista.
A iniciativa dos aliados mais próximos de Lula é válida do ponto de vista estratégico. No entanto, o candidato do PT ao GDF não consegue convencer nem mesmo parte da militância da legenda. Sua rejeição é alta e se transformou em um obstáculo para qualquer reação mais consistente na campanha.
Outro fator relevante é a comparação entre as trajetórias políticas e administrativas de Leandro Grass e da governadora Celina Leão. Na avaliação dos adversários, a “Leoa” bate o petista de mil a zero. A passagem de Grass pelo Iphan Nacional deveria funcionar como um teste de capacidade administrativa para desafios maiores. Mas o desempenho foi muito aquém das expectativas e levantou dúvidas sobre sua capacidade de gestão em uma estrutura ainda mais complexa como o GDF.
O desejo do PT nacional de voltar a comandar simultaneamente o Planalto e o Buriti, como ocorreu no passado, está longe de se tornar realidade. O candidato ao GDF não ajuda. E a rejeição ao petismo no Distrito Federal continua sendo um fator que pesa no tabuleiro eleitoral.
Por enquanto, os petistas só têm a comemorar o bom desempenho de Lula nas pesquisas. Já o candidato do PT ao GDF precisa pôr as barbas de molho.
Desta vez, não vai ter boquinha no governo federal caso Lula seja reeleito.
Imparcialidade do TRE-DF nas eleições vira exemplo para outras cortes

A postura séria e imparcial dos desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), durante o julgamento do pedido de registro da candidatura de José Roberto Arruda, na última quinta-feira (3), serve de exemplo para outras cortes brasileiras.
Logo na abertura da sessão, o presidente do TRE-DF, desembargador Ângelo Passareli, deu o recado ao ressaltar que a Corte Eleitoral não iria se submeter a pressões ou suposições relacionadas às manifestações dos magistrados no julgamento de Arruda.
Após a fala do presidente, o desembargador Néviton Guedes, que atuou na Justiça Federal em processos relacionados à Operação Caixa de Pandora, que resultou na prisão de Arruda quando ele era governador, declarou-se suspeito e pediu para não participar do julgamento. A atitude de Guedes representa exatamente a conduta esperada por um magistrado em situações dessa natureza.
Na sequência, o relator do processo, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, apresentou argumentos contundentes em relação à inelegibilidade do ex-governador. Os demais membros do TRE-DF acompanharam o seu voto.
O resultado reforçou uma lição importante para o Judiciário: magistrados precisam ter liberdade para formar e manifestar suas convicções nos processos, sem pressão ou influência externa capaz de contaminar decisões e alterar sentenças para favorecer quem não tem razão.
Frase do Fino
“Essa próxima música é para o Daniel Vorcaro, é para os ministros do STF que nos devem explicações, essa aqui é para os nossos políticos de direita, de centro, de esquerda que nos devem explicações.”
A declaração foi feita por Dinho Ouro Preto antes de cantar “Que País É Este?”, clássico da Legião Urbana, durante apresentação no festival Rock in Rio.
Mistério da Semana (Especial de Eleições)
1 — Qual é a candidata que, mesmo rebolando diante das câmeras na propaganda eleitoral, não consegue subir nas pesquisas e deve ficar sem mandato?
Para completar, ainda dá para notar a falta de jogo de cintura na execução da cena. Algo parecido com a falta de habilidade para articular alianças capazes de levá-la à vitória.
Quem é? Quem é? Quem é?
Mistéééério…
2 — Qual é o deputado distrital que concorre à reeleição e está passando vergonha depois de ter sido abandonado por lideranças de um de seus principais redutos eleitorais? Agora, ele está tendo que dividir espaço com outros candidatos.
A disputa acontece nos pontos de bandeiraço, nas abordagens aos eleitores, nas visitas a lojas, bares e restaurantes, com direito até a encontrar outros deputados da região no mesmo roteiro.
O parlamentar tem anunciado que vai se vingar dos ex-aliados. A figura só esqueceu um pequeno detalhe: quem está queimado na cidade é ele mesmo, principalmente por causa de seus cambalachos e rolos revelados pela imprensa.
Quem é? Quem é? Quem é?
Mistéééério…
3 — Qual é o candidato a deputado distrital que recebeu doação para a campanha eleitoral de um advogado que presta serviços à entidade representativa da qual ele é presidente?
O escritório recebe uma bolada todos os meses para realizar diversos serviços para a entidade sindical. Em uma das campanhas anteriores do candidato, o comitê eleitoral funcionava em uma casa alugada pelo nobre doutor.
Pelo visto, a entidade continua servindo aos interesses de quem está no comando.
E adivinha quem paga a conta?
Quem é? Quem é? Quem é?
Mistéééério…
*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.
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