• 6 de setembro de 2026

Impugnação de Arruda abre caminho para Celina vencer no 1º turno

Impugnação de Arruda abre caminho para Celina vencer no 1º turno

Impugnação de Arruda abre caminho para Celina vencer no 1º turno
Foto: Reprodução/Google Imagens

Apesar de o ex-governador José Roberto Arruda, candidato do PSD ao GDF, anunciar que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), que impugnou e indeferiu sua candidatura na última quinta-feira (3), o caminho para a governadora Celina Leão (PP) vencer a eleição já no primeiro turno está aberto.

Impugnado e considerado inelegível pelo TRE-DF, Arruda dificilmente escapará da degola no TSE. A tendência, em julgamentos dessa natureza, é que o colegiado confirme a decisão dos desembargadores do DF, ainda mais porque todos acompanharam o voto do relator, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega. Não houve um único voto divergente.

Diante dessa perspectiva, Celina Leão tem tudo para liquidar a fatura no primeiro turno. Favorita nas pesquisas, a governadora deve ser uma das maiores beneficiadas com a eventual saída definitiva de Arruda da campanha. Os eleitores do ex-governador, em sua maioria, já sinalizaram em sondagens que preferem votar na “Leoa” a escolher outros candidatos.

Considerando os últimos levantamentos, Celina foi quem mais cresceu nas intenções de voto. O próprio Arruda estava empacado, estacionado entre 20% e 24%. Já a governadora ampliou a vantagem sobre ele e os demais concorrentes.

Celina deve receber manifestações de apoio de setores arrudistas assim que a Justiça Eleitoral decidir definitivamente sobre o futuro da candidatura do ex-governador. Arruda insiste no discurso de que vai até o fim. Nos bastidores, porém, aliados mais próximos já avaliam como poderão se aproximar da “Leoa”.

O ex-governador tenta manter a postura e segue indo às ruas para não desanimar seus aliados. Mas o sentimento entre muitos deles é de que o fim da linha se aproxima e, tão logo, todos terão de desembarcar desse “trem” mineiro carregado de condenações que o impede de seguir viagem.

Faltando 28 dias para as eleições, Celina deve concentrar esforços em abocanhar essa fatia de eleitores que poderá ficar órfã até 14 de setembro, data-limite para a Justiça Eleitoral confirmar as candidaturas. Se continuar crescendo nas pesquisas, a “Leoa” pode quebrar mais um paradigma da política brasiliense e se tornar a primeira mulher eleita para governar a capital do País.

E com um grande detalhe: vencendo ainda no primeiro turno.

E quanto a José Roberto Arruda? Segundo a interpretação adotada pelo TRE-DF, ele só poderá voltar a disputar uma eleição em 2034. 

Planalto exige reação de Grass e enquadra PT do DF

Planalto exige reação de Grass e enquadra PT do DF
Foto: Divulgação/PT-DF

Quem ficou animado com a provável saída de Arruda da corrida ao Buriti foi o Palácio do Planalto. Para os petistas, sem o ex-governador na disputa pelo GDF, Leandro Grass, candidato do PT ao governo do Distrito Federal, passa a ter a obrigação de reagir e tentar encostar na governadora Celina Leão.

Há rumores de que um emissário do Palácio do Planalto esteve conversando com a cúpula do PT-DF no decorrer da última semana. Há quem diga que os petistas da capital federal foram enquadrados pelo companheiro enviado por Lula. O Planalto não consegue entender por que Grass não alcança, no DF, o mesmo desempenho eleitoral do presidente petista.

A iniciativa dos aliados mais próximos de Lula é válida do ponto de vista estratégico. No entanto, o candidato do PT ao GDF não consegue convencer nem mesmo parte da militância da legenda. Sua rejeição é alta e se transformou em um obstáculo para qualquer reação mais consistente na campanha.

Outro fator relevante é a comparação entre as trajetórias políticas e administrativas de Leandro Grass e da governadora Celina Leão. Na avaliação dos adversários, a “Leoa” bate o petista de mil a zero. A passagem de Grass pelo Iphan Nacional deveria funcionar como um teste de capacidade administrativa para desafios maiores. Mas o desempenho foi muito aquém das expectativas e levantou dúvidas sobre sua capacidade de gestão em uma estrutura ainda mais complexa como o GDF.

O desejo do PT nacional de voltar a comandar simultaneamente o Planalto e o Buriti, como ocorreu no passado, está longe de se tornar realidade. O candidato ao GDF não ajuda. E a rejeição ao petismo no Distrito Federal continua sendo um fator que pesa no tabuleiro eleitoral.

Por enquanto, os petistas só têm a comemorar o bom desempenho de Lula nas pesquisas. Já o candidato do PT ao GDF precisa pôr as barbas de molho.

Desta vez, não vai ter boquinha no governo federal caso Lula seja reeleito.

Imparcialidade do TRE-DF nas eleições vira exemplo para outras cortes

Imparcialidade do TRE-DF nas eleições vira exemplo para outras cortes
Foto: Reprodução/Youtube

A postura séria e imparcial dos desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), durante o julgamento do pedido de registro da candidatura de José Roberto Arruda, na última quinta-feira (3), serve de exemplo para outras cortes brasileiras.

Logo na abertura da sessão, o presidente do TRE-DF, desembargador Ângelo Passareli, deu o recado ao ressaltar que a Corte Eleitoral não iria se submeter a pressões ou suposições relacionadas às manifestações dos magistrados no julgamento de Arruda.

Após a fala do presidente, o desembargador Néviton Guedes, que atuou na Justiça Federal em processos relacionados à Operação Caixa de Pandora, que resultou na prisão de Arruda quando ele era governador,  declarou-se suspeito e pediu para não participar do julgamento. A atitude de Guedes representa exatamente a conduta esperada por um magistrado em situações dessa natureza.

Na sequência, o relator do processo, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, apresentou argumentos contundentes em relação à inelegibilidade do ex-governador. Os demais membros do TRE-DF acompanharam o seu voto.

O resultado reforçou uma lição importante para o Judiciário: magistrados precisam ter liberdade para formar e manifestar suas convicções nos processos, sem pressão ou influência externa capaz de contaminar decisões e alterar sentenças para favorecer quem não tem razão.

Frase do Fino

“Essa próxima música é para o Daniel Vorcaro, é para os ministros do STF que nos devem explicações, essa aqui é para os nossos políticos de direita, de centro, de esquerda que nos devem explicações.”

A declaração foi feita por Dinho Ouro Preto antes de cantar “Que País É Este?”, clássico da Legião Urbana, durante apresentação no festival Rock in Rio.

Mistério da Semana (Especial de Eleições)

1 — Qual é a candidata que, mesmo rebolando diante das câmeras na propaganda eleitoral, não consegue subir nas pesquisas e deve ficar sem mandato?

Para completar, ainda dá para notar a falta de jogo de cintura na execução da cena. Algo parecido com a falta de habilidade para articular alianças capazes de levá-la à vitória.

Quem é? Quem é? Quem é?

Mistéééério…

2 — Qual é o deputado distrital que concorre à reeleição e está passando vergonha depois de ter sido abandonado por lideranças de um de seus principais redutos eleitorais? Agora, ele está tendo que dividir espaço com outros candidatos.

A disputa acontece nos pontos de bandeiraço, nas abordagens aos eleitores, nas visitas a lojas, bares e restaurantes, com direito até a encontrar outros deputados da região no mesmo roteiro.

O parlamentar tem anunciado que vai se vingar dos ex-aliados. A figura só esqueceu um pequeno detalhe: quem está queimado na cidade é ele mesmo, principalmente por causa de seus cambalachos e rolos revelados pela imprensa.

Quem é? Quem é? Quem é?

Mistéééério…

3 — Qual é o candidato a deputado distrital que recebeu doação para a campanha eleitoral de um advogado que presta serviços à entidade representativa da qual ele é presidente?

O escritório recebe uma bolada todos os meses para realizar diversos serviços para a entidade sindical. Em uma das campanhas anteriores do candidato, o comitê eleitoral funcionava em uma casa alugada pelo nobre doutor.

Pelo visto, a entidade continua servindo aos interesses de quem está no comando.

E adivinha quem paga a conta?

Quem é? Quem é? Quem é?

Mistéééério…

*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.

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