Arruda corre o risco de repetir 1998 e ficar fora do 2º turno

Quem acompanha a trajetória política de José Roberto Arruda desde o início certamente se lembra das eleições de 1998. Naquele ano, o então senador decidiu disputar o Governo do Distrito Federal apostando no fato de ainda ter quatro anos de mandato no Senado caso fosse derrotado. Entrou na corrida para afrontar Joaquim Roriz, que lhe deu projeção politicamente, e tentar desbancar o então governador Cristovam Buarque, que buscava a reeleição.
A candidatura de Arruda acabou dividindo o campo da direita e do centro no Distrito Federal. Parte dos aliados de Roriz migrou para o projeto do então senador, que afirmava ter condições de derrotar os dois principais adversários. O resultado, porém, foi diferente do esperado. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 1998, Joaquim Roriz e Cristovam Buarque colocaram Arruda no seu devido lugar e avançaram para a disputa final.
Naquele pleito, José Roberto Arruda recebeu 178.212 votos, cerca de 17% dos votos válidos, e retornou ao Senado politicamente desgastado após ficar fora do segundo turno.
Passados quase 30 anos, o ex-governador pode voltar a enfrentar um cenário semelhante. De acordo com a mais recente pesquisa do instituto Exata OP sobre a disputa para o GDF,, Arruda corre o risco de novamente não alcançar uma vaga no segundo turno.
Vale lembrar que José Roberto Arruda permanece inelegível. Caso insista em disputar as eleições, sua candidatura poderá ser registrada sub judice e posteriormente questionada por não atender aos critérios estabelecidos pela Lei da Ficha Limpa. As condenações que constam contra o ex-governador continuam sendo um dos principais entraves à sua participação na eleição, embora sua defesa sustente que ele está livre.
A pesquisa da Exata OP mostra a governadora Celina Leão isolada na liderança, consolidando o favoritismo para buscar um novo mandato. Já Arruda, que até pouco tempo aparecia na segunda colocação, foi ultrapassado pelo ex-deputado distrital Leandro Grass, pré-candidato do PT ao Buriti. Caso esse cenário se confirme nas urnas, o ex-governador ficará novamente fora do segundo turno.
Entre aliados de Arruda, já há quem admita reservadamente a possibilidade de uma desistência caso os números continuem em queda nas próximas pesquisas. A avaliação é de que insistir na candidatura poderá ampliar o desgaste político do ex-governador durante a campanha.
Arruda vive hoje um verdadeiro calvário em sua vida política aprisionado na masmorra silenciosa da Operação Caixa de Pandora. Mesmo diante da inelegibilidade e das dificuldades jurídicas, continua defendendo a possibilidade de retornar ao comando do GDF como se não tivesse feito nada. A cara de pau é tanta que volta e meia usa as redes sociais para posar de vítima e de bom moço.
O eleitor brasiliense também dá sinais de que ainda não esqueceu os escândalos de corrupção que marcaram sua passagem pelo Palácio do Buriti e culminaram na prisão do então governador durante o exercício do mandato, um episódio que entrou para a história política do Distrito Federal.
O caminho até o primeiro turno permanece desafiador para José Roberto Arruda. Além de aguardar o julgamento das mudanças na Lei da Ficha Limpa, atualmente sob vista do ministro Gilmar Mendes, o ex-governador enfrenta o peso das condenações que sustentam sua inelegibilidade e um cenário eleitoral cada vez mais competitivo.
A coluna continuará acompanhando os bastidores para saber qual será o destino político de José Roberto Arruda nas eleições deste ano.
Valdemar afirma que Michelle será candidata ao Senado e subirá no palanque de Flávio Bolsonaro no DF

Durante entrevista à imprensa no sábado (11), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, voltou a comentar a situação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que deixou recentemente a presidência nacional do PL Mulher e sinalizou que poderia desistir de disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal após o embate público nas redes sociais com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pela legenda.
Segundo Valdemar, Michelle deverá manter a candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e tem potencial para liderar a disputa pela vaga. “Eu acho que ela sai candidata e vai chegar em primeiro lugar em Brasília, não tenho dúvida”, afirmou o dirigente nacional do PL.
Questionado sobre a possibilidade de Michelle não participar da campanha de Flávio Bolsonaro no Distrito Federal, Valdemar indicou que a união do grupo político é fundamental para os planos eleitorais da direita em 2026. Segundo ele, uma eventual divisão interna poderia prejudicar o projeto político do partido.
“Eu sempre digo o seguinte: nós não podemos brigar entre nós, porque se nós perdermos a eleição, o (Jair) Bolsonaro fica mais dez anos preso. Não podemos perder isso aí, não podemos perder o trabalho dela e de ninguém”, declarou Valdemar.
Até o momento, Michelle Bolsonaro não se manifestou oficialmente sobre uma possível desistência da candidatura ao Senado pelo DF. O episódio, porém, expôs um impasse dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores do PL, a avaliação é que a legenda precisa da força eleitoral de Michelle para a disputa no Distrito Federal, enquanto a ex-primeira-dama também busca consolidar seu espaço político por meio de um mandato eletivo.
O movimento de Valdemar Costa Neto foi interpretado como uma tentativa de pacificar o ambiente interno e reforçar que, para o partido, a prioridade é manter a união do grupo em torno da disputa presidencial e das eleições no Distrito Federal em 2026.
Republicanos prepara Cristiane Britto para o Senado caso Ibaneis e Michelle desistam

Diante da possibilidade de o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) desistirem de disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, o Republicanos decidiu se antecipar e passou a trabalhar com o nome da ex-ministra dos Direitos Humanos, Cristiane Britto, como alternativa para a eleição deste ano.
Segundo fontes ouvidas pela coluna, Cristiane está sendo preparada para entrar na disputa caso o cenário eleitoral sofra mudanças nas próximas semanas. A movimentação demonstra que o Republicanos pretende manter protagonismo na chapa majoritária, independentemente das definições dos demais partidos.
O principal desafio da estratégia passa pela composição da chapa da governadora Celina Leão (PP). O Republicanos já tem entendimento para indicar o ex-secretário da Casa Civil do Distrito Federal, Gustavo Rocha, como candidato a vice-governador.
A dúvida que circula nos bastidores é se o partido aceitará abrir mão da vaga de vice para disputar o Senado ou se tentará ampliar ainda mais seu espaço na chapa majoritária, ocupando duas posições estratégicas na aliança governista.
Liderado por integrantes ligados à Igreja Universal do Reino de Deus, o Republicanos é reconhecido pela capacidade de negociação e por buscar ampliar sua participação nas principais composições eleitorais antes da definição das alianças. Nos bastidores, a expectativa é de que a legenda utilize esse capital político para fortalecer sua posição nas conversas que definirão a chapa de Celina Leão.
Nos bastidores do PT-DF, Cappelli é tratado como um peso para a chapa de Grass

O crescimento do pré-candidato do PT ao GDF, Leandro Grass, nas mais recentes pesquisas de intenção de voto tem ampliado as dúvidas dentro do partido sobre a viabilidade de uma composição eleitoral com o PSB.
Nos bastidores petistas, a avaliação é que uma eventual aliança com o pré-candidato do PSB ao GDF, Ricardo Cappelli, tende mais a dificultar do que fortalecer o projeto eleitoral de Grass. Integrantes da legenda argumentam que Cappelli ainda enfrenta baixo nível de conhecimento entre o eleitorado do Distrito Federal e não conseguiu criar uma identificação política consistente com a população local.
Segundo dirigentes petistas ouvidos pela coluna, a falta de raízes políticas de Cappelli no Distrito Federal pesa contra uma eventual composição. Eles afirmam que o ex-presidente da ABDI ainda é visto como um nome pouco conectado à realidade das regiões administrativas e distante das principais lideranças históricas do PT-DF.
Enquanto isso, interlocutores do PSB defendem que Ricardo Cappelli reúne melhores condições para liderar uma chapa majoritária e, por isso, mantêm a disposição de oferecer ao PT apenas a vaga de vice-governador. A proposta, no entanto, é vista por dirigentes petistas como uma inversão da atual correlação de forças, já que Leandro Grass aparece à frente de Cappelli nas pesquisas eleitorais.
A disputa por espaço entre as duas legendas acabou azedando o ambiente das negociações. Dentro do PT-DF, cresce a resistência à construção de uma aliança que tenha Ricardo Cappelli na cabeça de chapa ou como vice, ocupando posição de protagonismo. Para integrantes do partido, a prioridade é consolidar o crescimento de Leandro Grass e evitar qualquer movimento que possa comprometer sua competitividade na disputa pelo Palácio do Buriti.
Hoje, a percepção predominante entre lideranças petistas é de que Cappelli representa mais um fator de desgaste do que um ativo eleitoral para a campanha de Leandro Grass. Se esse cenário permanecer, a tendência é que PT e PSB caminhem separados nas eleições para o GDF.
Charge do Fino

Mistério da Semana
Qual é o político de Brasília, integrante do mais alto escalão do poder, que anda fazendo de tudo para não se transformar em um verdadeiro passarinho Tico-Tico?
A comparação não é por acaso. O Tico-Tico é conhecido por ser vítima do Godelo, ave que deposita seus ovos no ninho alheio para que outro pássaro crie seus filhotes. Em diversas regiões do Brasil, o Godelo também é chamado de Chupim, Vira-Bosta ou Maria-Preta.
Nos bastidores da política do Distrito Federal, a metáfora tem sido usada para descrever uma situação bastante delicada do figurão.
Quem é? Quem é? Quem é?
Mistéééério…
*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.
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