Faltando poucos dias para o encerramento do prazo das convenções partidárias, a disputa pelas duas vagas do Senado Federal nas Eleições 2026 no Distrito Federal promete ser ainda mais acirrada do que a corrida pelo GDF. Conforme apontam as pesquisas, a direita corre o risco de não eleger nenhum senador, enquanto a esquerda pode conquistar as duas cadeiras em disputa.
Até poucos dias atrás, o grupo político da governadora Celina Leão (PP) tinha dois pré-candidatos liderando com folga as intenções de voto para o Senado: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ex-governador do DF, Ibaneis Rocha. As pesquisas indicavam que ambos venceriam com tranquilidade os principais adversários.
Mas, como estamos em Brasília, o jogo pode mudar em questão de segundos, horas ou dias. O que parecia estar sob controle virou um verdadeiro turbilhão para a direita. Ibaneis Rocha desistiu de disputar o Senado. Apesar da mobilização de aliados para convencê-lo a rever a decisão e retomar a pré-campanha, o emedebista confirmou oficialmente, por meio das redes sociais, que está fora da disputa.
E, para complicar ainda mais o cenário da direita, Michelle Bolsonaro, que aparecia como favorita isolada nas pesquisas para o Senado, entrou em atrito com o enteado e pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro. Após deixar o comando nacional do PL Mulher, Michelle mergulhou em um cenário de incertezas. Embora aliados, como a governadora Celina Leão e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, insistam que ela será candidata, ninguém sabe ao certo qual será seu destino político.
Neste momento, o que se desenha no tabuleiro eleitoral é o avanço da esquerda, com chances concretas de conquistar as duas vagas para o Senado elegendo a deputada federal Erika Kokay (PT) e a senadora Leila do Vôlei (PDT), que busca a reeleição. Os aliados do presidente Lula estão otimistas e acreditam ser possível repetir o desempenho de 2010, quando Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg foram eleitos senadores pelo Distrito Federal.
O cenário atual, entretanto, é bastante diferente. É fato que, sem Michelle Bolsonaro ou Ibaneis Rocha na disputa, aumentam significativamente as chances de a esquerda conquistar as duas cadeiras. Entre os possíveis candidatos da direita que permanecem no páreo, nenhum conseguiu, até agora, despertar entusiasmo suficiente no eleitorado para consolidar uma candidatura competitiva.
Pelo PL, a deputada federal Bia Kicis ainda não apresentou o desempenho esperado. Nas sondagens realizadas sem o nome de Michelle Bolsonaro, o eleitor bolsonarista não migra automaticamente para Bia Kicis. A parlamentar aparece entre a quarta e a quinta colocação, indicando que sua eleição ao Senado está longe de ser garantida. As pesquisas mostram que a deputada permanece estagnada e ainda não conseguiu ampliar sua base eleitoral. Em suma, a bolsonarista não decola.
Diante do risco de a direita perder as duas vagas para a esquerda, cresce nos bastidores uma intensa movimentação para convencer novas lideranças políticas a entrarem na disputa pelo Senado.
Um dos primeiros nomes cogitados é o deputado federal Rafael Prudente (MDB). O parlamentar chegou a ser apontado como possível candidato ao GDF, em um movimento que acabou sendo interpretado como uma tentativa de romper com o projeto político de Celina Leão. A articulação, que envolvia Prudente e Ibaneis Rocha, acabou não prosperando. Nas últimas horas, porém, Rafael Prudente voltou ao centro das conversas e tem sido incentivado a disputar uma vaga no Senado. Seu futuro político ainda permanece indefinido.
Quem também avalia entrar na corrida ao Senado é o União Brasil. Dirigentes e apoiadores da legenda afirmam que o ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, poderá ser o nome escolhido para disputar uma cadeira no Senado Federal. Atualmente, o delegado da Polícia Federal trabalha para viabilizar sua candidatura à Câmara dos Deputados.
A possibilidade de o grupo político liderado por Celina Leão chegar às eleições com três candidatos ao Senado já não é descartada nos bastidores. Afinal, os partidos ainda não realizaram suas convenções e as definições oficiais sobre candidaturas serão tomadas apenas nos próximos dias.
As convenções partidárias das principais legendas de direita estão marcadas para o próximo fim de semana. Até lá, tudo pode acontecer. Inclusive, nada.
A pergunta que continua ecoando nos bastidores da política do Distrito Federal é inevitável: a direita vai entregar as duas vagas ao Senado para a esquerda de mão beijada?
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