A Justiça Eleitoral falou. E falou alto. Enquanto adversários passaram meses alimentando a expectativa, e, em alguns casos, o desejo, de ver Celina Leão fora da disputa para o Governo do Distrito Federal, o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) fez exatamente o contrário: deferiu o registro da candidatura da governadora e de seu vice, Gustavo Rocha.
Traduzindo do juridiquês para o português claro: Celina e Gustavo estão com a ficha limpa, candidatura deferida e podem seguir pedindo votos tranquilamente pelas cidades do DF.
A confirmação da candidatura da governadora e do ex-secretário da Casa Civil do DF põe fim às especulações de que a chapa da “Leoa” poderia ser abatida no decorrer da campanha.
A chapa governista recebeu o carimbo de aptidão da Justiça Eleitoral. Já o principal adversário de Celina vive uma realidade bem diferente. José Roberto Arruda ainda depende de decisões judiciais para saber se conseguirá permanecer na disputa.
Para piorar ainda mais a situação de Arruda, o Ministério Público Eleitoral emitiu dois pareceres pedindo a impugnação e o indeferimento da candidatura do ex-governador por considerar que ele se encontra INELEGÍVEL. O ex-governador precisa aceitar esse fato. Dói menos até.
Pode espernear, recorrer e alimentar esperanças, mas parecer jurídico não se derruba com discurso de campanha.
Esse é o tipo de contraste que nenhum marqueteiro precisa inventar. Está claro e cristalino para todos.
É compreensível para o eleitor que de um lado, temos uma chapa registrada, deferida e livre para seguir fazendo campanha.
E do outro, há um candidato que precisa comprovar que realmente pode concorrer novamente, mesmo carregando o peso de seis condenações, dois pareceres contrários do MP Eleitoral e a mais alta rejeição entre os candidatos ao Buriti.
A narrativa virou pó
Nos bastidores, a torcida da oposição era explícita. Havia quem apostasse que Celina Leão seria surpreendida por alguma decisão judicial. A Operação Drácon era frequentemente requentada como se fosse uma espada permanentemente pendurada sobre a cabeça da governadora.
A expectativa era simples: se não fosse possível derrotar Celina politicamente, talvez a Justiça resolvesse o problema.
Não resolveu. Pelo contrário. Celina não tem qualquer tipo de condenação que a impeça de concorrer ao GDF.
A Justiça já havia se manifestado sobre os fatos explorados politicamente pelos adversários e, agora, o TRE-DF deferiu oficialmente o registro da chapa.
O que deveria ser uma dor de cabeça para Celina acabou se transformando em um problema para quem apostava na sua inelegibilidade.
A narrativa simplesmente perdeu o chão. Não há mais o que se falar sobre isso.
Celina faz campanha. Arruda ainda faz contas
E aqui está o ponto politicamente mais incômodo para o grupo de Arruda.
Celina Leão agora tem uma preocupação clássica de quem está numa eleição: conquistar ainda mais votos. As pesquisas apontam que a “Leoa” vem só crescendo, enquanto seus adversários seguem empacados.
Já Arruda tem inúmeras preocupações. A pior delas é convencer os desembargadores de que já pagou suas dívidas perante à Justiça.
Isso não é apenas um detalhe, é primordial para José Roberto Arruda seguir adiante.
O Ministério Público Eleitoral já sinalizou que não dará trégua para o ex-governador.
Diante desse cenário, enquanto Celina recebe o sinal verde para acelerar com sua campanha rumo a vitória, Arruda ainda olha para o semáforo esperando descobrir qual cor vai aparecer. E eleição não costuma ser generosa com candidatos que carregam incertezas.
Partidos ficam inseguros. Aliados fazem contas. Cabos eleitorais começam a olhar para os lados, pensando em mudar o rumo. E o eleitor, principalmente aquele que ainda não decidiu seu voto, começa a fazer uma pergunta bastante objetiva: vale a pena apostar em um candidato que ainda depende da Justiça para confirmar se estará na urna?
Arruda construiu sua narrativa de retorno político apostando nas mudanças na Lei da Ficha Limpa e contando com alguns gatos pingados que ainda o idolatram.
Mas existe um problema impossível de esconder debaixo do tapete.
A eleição de 2026 não será disputada apenas entre projetos políticos. Para Arruda, existe também uma batalha jurídica paralela acontecendo. E ela não é pequena.
Quem passou meses esperando uma bomba explodir no colo de Celina Leão recebeu uma surpresa desagradável na última segunda-feira. Especialmente para aqueles que, durante meses, tentaram manter um pé em cada canoa e uma vela acesa para cada santo.
A bomba mudou de endereço. O deferimento da candidatura de Celina não é apenas uma decisão burocrática. Tem peso político.
Celina se fortalece ainda mais porque desmonta uma das principais linhas de ataque utilizadas contra sua candidatura. Gustavo Rocha, por sua vez, consolida sua posição como parte de uma chapa juridicamente apta e pronta para entrar de cabeça na disputa.
E Arruda?
Arruda continua onde não gostaria de estar: na dependência de decisões judiciais. Envolto em seu próprio lamaçal. A diferença é que, agora, o contraste está oficialmente documentado.
E essa, convenhamos, não tem urna eletrônica, santinho ou programa eleitoral capaz de resolver.
No fim das contas, Celina pode concentrar suas forças em convencer o eleitor. Arruda ainda precisa de um milagre na Justiça, daqueles maior que a jornada do Caminho de Santiago de Compostela.
Enquanto isso, a “Leoa” vai gastando a sola da botina em busca de votos e ampliando a vantagem como massa de bolo: quanto mais batem, mais ela cresce.











