Cúpula do PT e MDB avaliam eventual chapa ao Buriti com Leandro Grass e Rafael Prudente

Em meio ao disse-me-disse sobre os rumos do MDB-DF, eis que surgem interlocutores das cúpulas nacionais do PT e do MDB para deixar os bastidores ainda mais quentes na capital federal. O último buchicho do momento é uma possível chapa ao Palácio do Buriti composta pelo ex-distrital Leandro Grass e pelo deputado federal Rafael Prudente.
De acordo com as fontes ouvidas por este colunista, PT e MDB avaliam a possibilidade de repetir a parceria entre as duas legendas, como ocorreu nas eleições de 2010, quando foram eleitos o petista Agnelo Queiroz e o emedebista Tadeu Filippelli. A aliança terminou nas páginas policiais em meio aos escândalos de corrupção, tendo a reconstrução do Estádio Mané Garrincha como principal símbolo da roubalheira.
Desta vez, os protagonistas são dois políticos que ainda estão se consolidando no cenário político do DF. Os dirigentes das duas legendas analisam os riscos e as vantagens de reeditar a aliança para tentar garantir o comando do GDF a partir de 6 de janeiro de 2027.
Essa articulação já chegou ao conhecimento dos distritais das duas legendas. Pelo lado do PT, não há nenhuma objeção em compor uma aliança com o MDB-DF, desde que a cabeça de chapa permaneça com Leandro Grass.
Já no MDB, a possível mudança de alinhamento político enfrenta resistência, principalmente entre aqueles que têm composição com a “Leoa”. Nenhum deles quer perder os espaços que hoje ocupa na estrutura do GDF para embarcar em uma aventura que, na avaliação do grupo, dificilmente terá êxito.
Internamente, o MDB-DF está rachado. A maior parte dos filiados, incluindo os cinco deputados distritais, quer manter a aliança com Celina Leão. O ex-governador Ibaneis Rocha, pré-candidato ao Senado pela legenda, tem mantido silêncio sobre a questão. Já a ala ligada a Rafael Prudente não esconde de ninguém que a meta é lançá-lo ao Palácio do Buriti.
A articulação do Planalto para ampliar a aliança com o MDB, tanto na esfera federal quanto nos estados, depende justamente dos acertos nas disputas locais. No DF, os distritais das duas legendas já têm conhecimento da movimentação. Porém, a parceria só vai prosperar se um dos lados abrir mão da cabeça de chapa.
A prova de que Lula e sua turma querem unir Leandro Grass e Rafael Prudente veio a público recentemente, por meio de um comunicado enviado pelo Ministério das Cidades ao Palácio do Buriti.
A pasta solicitou ao GDF que, durante a solenidade de entrega de unidades habitacionais realizada recentemente no Distrito Federal, os deputados federais Erika Kokay e Rafael Prudente, além do distrital Chico Vigilante, fizessem uso da palavra.
Apesar de ambos negarem qualquer entendimento e seguirem afirmando que seus projetos políticos permanecem os mesmos, nos bastidores filiados das duas legendas já estão sendo avisados sobre a possível aliança.
Caso prospere, a parceria entre Prudente e Grass ainda terá de acertar os ponteiros. Os dois querem ser cabeça de chapa. Nenhum aceita, neste momento, ocupar a vaga de vice.
Por ora, petistas e emedebistas seguem acompanhando a viabilidade dessa união de forças. Já apoiadores e militantes de Rafael Prudente e Leandro Grass mantêm silêncio.
Muitos acreditam que a reedição da aliança não trará benefícios para nenhuma das duas legendas e muito menos para o DF. Pelo contrário: os adversários certamente vão relembrar e explorar o fiasco que foi o governo do petista Agnelo com o emedebista Filippelli.
Bia Kicis prioriza Flávio Bolsonaro e deixa Michelle de lado

O convite feito pelo pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na última quarta-feira (24), para que a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) seja a vice de sua chapa causou enorme mal-estar entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e suas apoiadoras.
Bia Kicis sinalizou que, se for preciso escolher entre uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro e outra de Michelle Bolsonaro ao Palácio do Planalto, sua preferência é pelo senador e primogênito de Jair Bolsonaro.
A postura da presidente do PL-DF, que pretende disputar uma vaga ao Senado formando uma dobradinha com Michelle Bolsonaro, pegou mal tanto entre correligionários quanto entre apoiadores de outros partidos.
Ao priorizar Flávio Bolsonaro, Bia dificilmente contará com o mesmo entusiasmo de Michelle. A ex-primeira-dama, embora nunca tenha disputado uma eleição, demonstrou em 2022 o tamanho de sua força política no Distrito Federal.
Michelle foi a principal cabo eleitoral da senadora Damares Alves, que derrotou a então favorita Flávia Arruda, ex-ministra e ex-deputada federal, líder em praticamente todas as pesquisas de intenção de voto.
Ou seja, Bia Kicis, que aparece nas pesquisas para o Senado na parte de baixo da tabela, corre o risco de terminar a eleição sem mandato. Sem o apoio de Michelle, dificilmente conseguirá ampliar seu capital político. Até mesmo uma tentativa de reeleição para a Câmara pode se tornar mais complicada.
Na política, quem rompe pontes com antigos aliados costuma pagar um preço alto. No caso de Bia, a tendência é que a deputada não conte com o mesmo entusiasmo dos bolsonaristas que a transformaram, em 2022, na deputada federal mais votada do Distrito Federal.
Delação de PH Costa já não assusta mais ninguém

O que antes era um pesadelo para políticos de Brasília que tiveram algum tipo de relacionamento, contato ou negócio com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em razão da delação premiada, agora se transformou em alívio.
A temida colaboração de PH Costa não passou pelo crivo da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-presidente do BRB não conseguiu apresentar fatos novos aos investigadores nem indicar o caminho do dinheiro que teria sido desviado do banco para eventual recuperação.
Nos bastidores, muita gente estava com medo e tinha receio até mesmo de sair às ruas e ser cobrada pelo envolvimento naquele que muitos consideram um dos maiores escândalos do sistema financeiro. Agora, a bomba que todos esperavam que PH Costa jogasse sobre Brasília não passou de um estalinho de festa junina.
A delação de Paulo Henrique Costa caiu por terra e quem antes temia o pior agora faz de conta que nunca houve nada, muito menos que conhecia o ex-presidente do BRB.
PH Costa e Daniel Vorcaro que fiquem onde estão. Quem escapou de ir parar no xilindró está soltando fogos, comemorando os feitos da Seleção Brasileira e o fiasco das delações da dupla que prometia sacudir Brasília.
Mistério da Semana
Qual é a pré-candidata a deputada distrital que pode ver seu projeto para 2026 ir por água abaixo depois que o namorado, apontado como o principal patrocinador da campanha, foi alvo de uma operação policial?
O amado bancava praticamente tudo: assessoria, material de campanha, posts patrocinados e outras cositas mais. Como a Justiça bloqueou os bens da figura para tentar amenizar o rombo nos cofres públicos, o cidadão sumiu do Zap-Zap… e o dinheiro que estava sendo despejado na pré-campanha foi junto.
Quem é? Quem é? Quem é?
Mistéééério…
*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.
OBS: O conteúdo da coluna O Fino da Política é de uso exclusivo deste portal e de outros que foram expressamente autorizados. É proibida a sua reprodução total ou parcial para fins jornalísticos, publicitários e quaisquer outras sem a devida autorização.
Acompanhe o Expressão Brasiliense pelas redes sociais.
Dá um like para o #expressaobrasiliense na fanpage do Facebook.
Siga o #expressaobrasiliense no Instagram
Inscreva-se na TV Expressão, o nosso canal do YouTube.
Receba as notícias do Expressão Brasiliense pelo Whatsapp.












