As movimentações nos bastidores da deputada distrital eleita pelo Republicanos, Renata D’Aguiar, com o objetivo de ocupar um cargo na Mesa Diretora ou comandar uma das comissões da Câmara Legislativa do DF (CLDF) no biênio 2027/2028, podem resultar no seu isolamento e deixá-la de fora das negociações entre seus futuros colegas de plenário.
Esse possível isolamento se deve às pretensões manifestadas pela distrital recém-eleita. Renata D’Aguiar tem sinalizado que quer sentar na cadeira de presidente do parlamento local ou ficar com o comando da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof), uma das mais importantes da Casa de Leis do DF. Só isso!
A configuração da CLDF para a próxima legislatura, que se inicia no dia 6 de janeiro de 2027 e vai até 5 de janeiro de 2031, não favorece as investidas de Renata. Dos 24 parlamentares eleitos no dia 4 de outubro, 17 foram reeleitos, um ex-distrital está retornando e seis são novatos, como D’Aguiar.
Quem acompanha os trabalhos da CLDF sabe que dificilmente os deputados com mais tempo de plenário vão deixar que uma estreante comande os trabalhos da Casa ou fique à frente de uma comissão que exige conhecimento e capacidade para atender aos interesses dos parlamentares.
Nos bastidores, distritais, tanto eleitos quanto reeleitos, têm reclamado da atitude da futura colega. Ainda mais depois que descobriram que Renata tem recorrido a dirigentes partidários das executivas nacionais, visando impor o seu nome aos demais parlamentares. “Aqui não funciona assim. Os dirigentes nacionais não interferem em nada nas tratativas da CLDF. Foi um tiro no pé o que ela fez”, declarou o interlocutor de um grupo de distritais.
As eleições da Mesa Diretora e dos presidentes das comissões temáticas da CLDF geralmente são definidas por meio de acordos entre os blocos parlamentares. Como a próxima legislatura será composta por uma maioria de distritais reeleitos, o projeto de poder de Renata D’Aguiar caminha para ser derrotado antes mesmo de ser executado.
Entre os deputados eleitos para a legislatura 2027/2030, o grupo liderado pelo atual presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz (MDB), já está praticamente com todas as cadeiras preenchidas. E há rumores de que o emedebista conta com o apoio da governadora Celina Leão (PP) para continuar no comando da Casa de Leis do DF.
Segundo fontes da CLDF, Wellington já detém hoje o apoio de 14 parlamentares, faltando apenas dois votos para garantir a sua recondução à presidência. Entre essas manifestações de apoio, ele já conta com um deputado do Republicanos, partido de Renata, o distrital Martins Machado, que hoje ocupa um cargo na Mesa Diretora. Ou seja, a novata não tem apoio unânime nem dentro da sua legenda.
Embora seja marinheira de primeira viagem na CLDF, Renata já ocupou cargos públicos que serviram de holofotes no cenário político. No DF, ela foi subsecretária da Mulher durante o segundo mandato de Ibaneis Rocha. Muitos apontam que o trabalho realizado na pasta foi o que alavancou a candidatura dela e culminou na sua eleição.
Já quando esteve à frente de uma diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Renata D’Aguiar não teve uma experiência muito satisfatória.
A futura deputada foi um dos alvos da quarta fase da Operação Falso Negativo, da Polícia Federal, que investiga um suposto superfaturamento na compra de testes de Covid-19 durante e após a pandemia. O prejuízo estimado aos cofres públicos foi de cerca de R$ 5 milhões.
O cenário caminha para a reeleição de Wellington Luiz, e as especulações de que a iniciativa pode ir parar no STF não se sustentam. Até porque o Congresso Nacional está prestes a mudar a regra, permitindo que presidentes do Senado e da Câmara possam ser reeleitos mais de uma vez, o que gera um efeito cascata da aplicação da legislação para as assembleias legislativas e câmaras municipais, conforme o entendimento de juristas.
Renata D’Aguiar quis chegar fazendo barulho na CLDF e pode acabar sendo silenciada por seus futuros colegas se não entender como é que a banda toca. É melhor garantir uma posição de destaque o quanto antes do que ficar como coadjuvante. Como diz o ditado popular: quem muito quer, nada tem.
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