A Polícia Federal (PF) indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas por suspeita de participação em um esquema de fraudes financeiras envolvendo a negociação de carteiras de crédito entre as duas instituições.
De acordo com as informações do relatório final do primeiro inquérito, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), as operações investigadas movimentaram aproximadamente R$ 17,5 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse montante, pelo menos R$ 12 bilhões apresentariam indícios de irregularidades.
O indiciamento representa um novo desdobramento do caso Master-BRB, que investiga a comercialização de ativos financeiros suspeitos e a possível atuação de uma organização criminosa envolvendo antigos dirigentes das instituições.
Entre os 15 indiciados estão ex-executivos do Banco Master, antigos integrantes da administração do BRB, empresários e profissionais ligados às operações investigadas.
Ibaneis Rocha não aparece na lista dos indiciados
O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) não está entre as 15 pessoas indiciadas pela Polícia Federal neste primeiro inquérito sobre as operações entre o Banco Master e o BRB.
A ausência de Ibaneis na relação de indiciados é um dado relevante do relatório, especialmente diante da repercussão política das investigações envolvendo o banco público do Distrito Federal.
Entretanto, o nome do ex-governador foi mencionado em outros relatórios da PF sobre as negociações entre as instituições. Segundo informações divulgadas em outubro, investigadores apontaram possível interferência de Ibaneis em decisões estratégicas relacionadas ao BRB. A defesa rejeitou essa interpretação e afirmou que o ex-governador não pressionou nem interferiu nas operações conduzidas pelo banco.
Daniel Vorcaro é apontado como líder de organização criminosa
Segundo o relatório descrito na apuração, Daniel Vorcaro foi indiciado por cinco crimes: gestão fraudulenta, indução de investidor a erro em operação financeira, fraude à fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal também aponta o ex-controlador do Banco Master como suposto líder da organização criminosa investigada.
Considerando as penas indicadas no material, a soma poderia variar de 12 a 41 anos de prisão, a depender do enquadramento jurídico, da eventual condenação e das regras de aplicação das penas.
O indiciamento, contudo, não representa condenação. Caberá ao Ministério Público analisar as conclusões da Polícia Federal e decidir sobre eventuais medidas judiciais.
Confira a lista dos 15 indiciados no caso Master-BRB
Conforme a relação apresentada no relatório citado, os indiciados são:
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Daniel Vorcaro;
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Paulo Henrique Costa;
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Augusto Lima;
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Angelo Ribeiro;
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Luiz Antônio Bull;
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Alberto Félix de Oliveira Neto;
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Allan da Silva Machado;
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Henrique Peretto;
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André Felipe Seixas Maia;
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Daniel Monteiro;
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Dario Garcia;
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Luana Andrade;
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Cristiane Maria Lima;
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Diogo Ilário;
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José Maria Correia.
Entre os nomes relacionados estão Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master; Angelo Ribeiro, ex-diretor financeiro; Luiz Antônio Bull, ex-diretor de compliance; e Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-superintendente financeiro.
Também aparece na relação o advogado Daniel Monteiro, que prestava serviços a Vorcaro.
Fraudes nas carteiras de crédito estão no centro das investigações
O principal foco das investigações é a negociação de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB, envolvendo ativos cuja existência, documentação e garantias passaram a ser questionadas.
A suspeita é de que parte dos créditos comercializados não possuía lastro financeiro adequado, o que poderia comprometer a regularidade das operações e provocar prejuízos à instituição pública.
As apurações fazem parte da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de gestão fraudulenta e irregularidades na aquisição de ativos financeiros.
Com o encaminhamento do relatório ao Supremo Tribunal Federal, o caso entra em uma nova etapa de análise jurídica. O material poderá subsidiar a atuação do Ministério Público e eventuais desdobramentos judiciais.
As responsabilidades individuais ainda dependem da avaliação das provas e das decisões das autoridades competentes.
Foto: Reprodução/Google Imagens
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