Dizem que, na política, o tempo costuma ser o maior adversário de quem governa. Há quem passe anos no poder sem deixar uma marca e há quem, em poucos meses, consiga imprimir um estilo próprio que surpreende pela eficácia e competência. Nos primeiros pouco mais de 90 dias à frente do Governo do Distrito Federal, a governadora Celina Leão se torna um exemplo real de que, quando um gestor, no caso dela, uma gestora, quer fazer acontecer e mudar os rumos de uma cidade, ela faz acontecer.
O modo de governar da “Leoa” reflete uma identidade que lembra, em muitos aspectos, o jeito de fazer política consagrado por Joaquim Roriz: presença constante nas ruas, decisões rápidas e prioridade às demandas do povo. Não é à toa que lidera as pesquisas na corrida eleitoral ao Palácio do Buriti.
Há outro detalhe que ajuda a explicar esse momento. Celina Leão não assumiu apenas o comando do Palácio do Buriti. Assumiu também a missão de imprimir sua própria marca, mostrando que liderança se constrói com presença, articulação e decisões. Em pouco mais de 90 dias, deixou de ser vista apenas como sucessora natural do governo para se consolidar como protagonista de um projeto político com identidade própria.
E não se trata de copiar o saudoso Roriz. Os tempos são outros, a administração pública de hoje é muito mais fiscalizada e as exigências legais mudaram profundamente. Mas há algo que chama atenção: Celina parece compreender que um governo não se faz atrás de uma mesa, no gabinete, nem apenas com postagens nas redes sociais.
Celina Leão tem se dedicado a acompanhar de perto o trabalho dos administradores regionais e servidores com o “GDF na Sua Porta”. E, o principal, ela checa se quem utiliza os serviços públicos está satisfeito. São raros os políticos que têm essa coragem. A maioria, quando faz, passa a impressão de que “é assim porque eu quero” e ainda faz carão.
A imagem de uma governadora maquiada, bonita e de botina no pé não é mero recurso de marketing. A “Leoa” é daquelas que acompanha obras e ações em todas as áreas, cobra resultados e mantém uma agenda intensa nas regiões administrativas. A caneta, por sua vez, representa a disposição para transformar visitas em decisões administrativas com mais agilidade, acelerando investimentos e destravando projetos e demandas que estavam à espera de encaminhamento, como o Centrad.
Em pouco mais de três meses, o governo acumulou anúncios e entregas em áreas estratégicas. A mobilidade voltou ao centro da agenda, com medidas voltadas à ampliação da infraestrutura de transporte, enquanto a saúde pública recebeu reforço em ações para ampliar atendimentos e reduzir gargalos históricos, como a fila das cirurgias eletivas. Na educação, a expansão da rede e melhorias estruturais também passaram a ocupar espaço relevante no planejamento governamental.
Na segurança pública, o compromisso de valorização das forças policiais veio acompanhado de medidas administrativas e investimentos. Na habitação, o sonho da casa própria volta a ser uma realidade com a entrega de lotes. Na infraestrutura, obras de pavimentação, drenagem, iluminação e recuperação de espaços públicos reforçaram a percepção de um governo que procura manter presença permanente nas cidades, e não apenas no Plano Piloto.
Esse conjunto de ações explica por que Celina começa a consolidar uma imagem própria e a ser chamada pelo povo de “a nova Roriz”, só que com botina no pé e caneta na mão.
Em vez de apostar exclusivamente na comunicação institucional, ela tem buscado associar sua gestão à execução. Na política, esse tipo de narrativa costuma produzir efeitos relevantes, especialmente quando a população consegue perceber mudanças concretas no dia a dia.
É justamente nesse ponto que surge a semelhança com Joaquim Roriz. Seu maior legado político talvez não tenha sido apenas o volume de obras, mas a capacidade de transmitir ao eleitor a sensação de proximidade e de governo presente. Celina parece apostar em uma lógica muito parecida, adaptada às exigências administrativas e institucionais de 2026.
Naturalmente, os desafios permanecem enormes. Governar a capital do País exige enfrentar limitações orçamentárias, cobranças permanentes dos órgãos de controle e demandas crescentes por serviços públicos de qualidade. Para os próximos meses, é essencial manter o ritmo inicial e continuar convertendo ações em resultados satisfatórios para a população.
Nenhum governo pode ser avaliado apenas pelos primeiros meses de gestão. Ainda haverá obstáculos, críticas, desgastes e decisões difíceis. Faz parte da política e da administração pública. Mas o que a “Leoa” está fazendo nesse curto espaço de tempo está preocupando seus adversários. O povo nas ruas tem aplaudido.
É inegável que Celina Leão conseguiu impor seu próprio ritmo ao governo. Em vez de administrar apenas a máquina, escolheu ocupar o espaço político, visitar as regiões administrativas, cobrar equipes e participar diretamente das principais agendas do Executivo. Esse protagonismo fortalece sua imagem e amplia sua capacidade de liderança.
A comparação com Roriz não significa reproduzir um personagem histórico, mas reconhecer um estilo de fazer política baseado na presença constante e na execução de ações que dialogam com as necessidades da população. É uma leitura política, sujeita a concordâncias e divergências, mas que ajuda a explicar o momento vivido pelo Palácio do Buriti.
Se esse modelo será suficiente para consolidar uma gestão marcante, as próximas eleições dirão. Por agora, ela deve concentrar esforços para consolidar a aliança partidária para o seu projeto de reeleição, sem deixar a bola cair na areia como acontece no futevôlei, seu esporte favorito..
No tabuleiro político, não são poucos os que acompanham cada passo da governadora. A política também é feita de percepção, e Celina conseguiu construir a imagem de uma gestora presente, que percorre as regiões administrativas, cobra resultados da equipe e busca transformar demandas antigas em entregas concretas. Se mantiver esse ritmo, chegará ao processo eleitoral com um ativo valioso: a narrativa de quem preferiu governar a fazer discurso ou se preocupar com fofocas e provocações.
Por enquanto, uma coisa é difícil ignorar: Celina Leão entrou no governo sem esperar a poeira baixar. A “Leoa” calçou a botina, empunhou a caneta e decidiu mostrar a capacidade de uma gestora forte e aguerrida à frente da administração do Distrito Federal.
Na política, quem ocupa os espaços vazios deixados pela falta de grandes lideranças como Joaquim Roriz costuma escrever os próximos capítulos da história.
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