A campanha eleitoral de 2026 começou de verdade, basta olhar para a agenda deste fim de semana. MDB, PSD, PP e PL realizam suas convenções partidárias e vão definir muito mais do que candidaturas: vão consolidar alianças, medir forças e, principalmente, mostrar quem chega competitivo à disputa pelo Palácio do Buriti e pelas duas vagas ao Senado. O tabuleiro político do Distrito Federal está montado, mas algumas peças ainda insistem em permanecer fora do lugar.
No MDB, a palavra de ordem é resgatar o protagonismo. Com a renúncia definitiva de Ibaneis Rocha à disputa eleitoral, o partido passou a negociar espaço na chapa majoritária que será encabeçada pela governadora Celina Leão (PP). A convenção deste sábado (1º) deve sacramentar esse caminho. O grande objetivo dos emedebistas é garantir uma das vagas ao Senado. O nome mais forte continua sendo Rafael Prudente, embora o deputado mantenha oficialmente sua pré-candidatura à Câmara Federal. Na política, entretanto, candidatura que permanece “mantida” até a convenção costuma ser apenas um excelente instrumento de negociação.
No PSD, a situação é a mais crítica de todas. A legenda chega à convenção carregando um problema que atende pelo nome de José Roberto Arruda. O ex-governador insiste em manter uma pré-candidatura que, juridicamente e politicamente, parece cada vez mais difícil de sustentar. Sua inelegibilidade continua sendo o maior obstáculo da legenda. Pior do que isso: o grupo de Arruda sequer conseguiu apresentar uma chapa completa. Não há definição para vice-governador, tampouco para os dois candidatos ao Senado. Ao seu lado, Arruda tem o ex-senador Gim Argello, com o Avante, que tem o filme queimado na praça.
Nos bastidores, a avaliação predominante entre juristas e analistas políticos é de que Arruda poderá até registrar candidatura sub judice, mas corre o risco de repetir o roteiro de eleições anteriores: iniciar a campanha e abandoná-la diante das decisões da Justiça Eleitoral. É um cenário que gera insegurança para aliados e desestimula seus parceiros.

Enquanto isso, o PP chega ao domingo em posição privilegiada. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Celina Leão faz uma convenção com clima de favoritismo. A chapa ao GDF praticamente já está desenhada. O vice será Gustavo Rocha, do Republicanos, consolidando uma das principais alianças da base governista. A dúvida está mesmo no Senado. A engenharia política pode permitir que o grupo trabalhe com Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Rafael Prudente, embora seja improvável que todos permaneçam na mesma equação até o registro das candidaturas.
Caso Michelle desista da disputa e Prudente permaneça candidato a deputado federal, cresce nos bastidores a possibilidade de o União Brasil, federado ao PP, reivindicar espaço para lançar o ex-secretário de Segurança Pública Sandro Avelar como candidato ao Senado. É o típico movimento de quem não pretende ficar apenas assistindo ao jogo da arquibancada.
Já o PL continua vivendo dias de suspense. A principal incógnita chama-se Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama afirmou que a decisão sobre disputar ou não uma vaga ao Senado será tomada em conjunto com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que terá a palavra final. Sua entrada muda completamente o cenário eleitoral no Distrito Federal. Michelle tem um capital político estrondoso e se elegeria facilmente para o Senado.
Enquanto isso, Bia Kicis mantém sua pré-candidatura, mas enfrenta dificuldades para crescer nas pesquisas. Nos bastidores do partido, já circula a avaliação de que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, considera mais estratégico que ela dispute a reeleição para deputada federal, preservando um mandato considerado importante para a legenda. As pesquisas também apontam que Michelle também não consegue transferir votos para Bia, caso ela não concorra. E o suspense se mantém até a convenção no domingo.
No campo da esquerda, as definições estão caminhando, sem fortes emoções. O PT já confirmou Leandro Grass como candidato ao GDF. Para o Senado, a deputada Erika Kokay é nome certo, enquanto Leila do Vôlei, pelo PDT, integra o bloco de oposição. Ainda resta uma vaga em aberto, a de vice, numa tentativa de ampliar a composição com o PSB, que mantém a pré-candidatura do ex-interventor Ricardo Cappelli ao Buriti.
O problema para a turma do Lula continua sendo o mesmo das últimas pesquisas: os números. Até agora, nenhum dos candidatos de esquerda conseguiu demonstrar força suficiente para ameaçar a liderança consolidada de Celina Leão.
No fim das contas, este fim de semana não decidirá apenas quem será candidato. Vai mostrar quem realmente construiu alianças sólidas e quem passou os últimos meses vendendo expectativa sem entregar estrutura política. Convenção partidária não ganha eleição, mas costuma revelar quem entra na corrida para vencer e quem participa apenas para cumprir tabela.
E, olhando o tabuleiro de hoje, uma coisa parece evidente: Celina Leão larga na frente com uma base robusta, o MDB joga pesado para garantir protagonismo, o PL ainda espera a decisão de Michelle Bolsonaro para definir sua estratégia e o PSD continua preso à indefinição jurídica de Arruda. E o PT, tenta sobreviver junto com o PSB.
Em política, tempo é ativo. Quem demora para decidir normalmente chega atrasado à disputa. E eleição não costuma esperar ninguém. As convenções vão deixar sinais claros de quem está de fato preparado para as eleições de 2026.
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