• 24 de junho de 2026

Valdemar Costa Neto quer barrar candidatura de Bia Kicis ao Senado para ampliar bancada do PL na Câmara Federal

Faltando 102 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, a pré-candidatura ao Senado Federal da deputada Bia Kicis (PL-DF) está na mira da cúpula da legenda bolsonarista, principalmente do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Os resultados dos dois últimos levantamentos sobre a corrida ao Senado no Distrito Federal divulgados recentemente confirmam que Bia não decolou e tem poucas chances de virar o jogo a seu favor.

Desde que iniciou sua caminhada rumo ao Senado, Bia Kicis não conseguiu convencer o eleitorado e sempre apresentou desempenho abaixo do esperado nas pesquisas, oscilando entre a quarta, quinta e sexta posições.

Mesmo diante dessa baixa projeção, Valdemar permitiu que a presidente do PL-DF mantivesse seu projeto, na expectativa de que ela crescesse nas pesquisas e aumentasse as chances de conquistar uma das duas vagas em disputa.

Contudo, a pré-candidatura de Bia Kicis ao Senado segue empacada. Embora a parlamentar seja uma das vozes mais ativas da direita no Congresso Nacional e mantenha forte proximidade com a família Bolsonaro, seu desempenho continua distante do necessário para se eleger.

A deputada também não apresenta um bom desempenho como segunda opção de voto do eleitor brasiliense, fator importante em uma eleição que escolherá dois senadores pelo Distrito Federal.

Segundo fontes do PL, Valdemar Costa Neto deverá ter uma conversa definitiva com Bia Kicis antes do período das convenções partidárias, que começa em 20 de julho e segue até 5 de agosto. O objetivo seria convencê-la a disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados e desistir da corrida ao Senado.

Sondagens internas realizadas pelo partido apontam que Bia Kicis seria reeleita deputada federal com tranquilidade, podendo repetir ou até superar a votação obtida em 2022. Na eleição passada, ela foi a candidata mais votada do Distrito Federal e ainda ajudou a garantir uma boquinha  para Alberto Fraga na Câmara dos Deputados.

Conhecido pelo pragmatismo político, Valdemar prefere que Bia assegure, pelo menos, a manutenção das duas cadeiras atualmente ocupadas pelo PL na Câmara Federal pelo DF, evitando perdas de representatividade e de recursos do fundo partidário.

Hoje, a nominata do partido para deputado federal tem potencial para eleger entre um e dois parlamentares. Com Bia Kicis na disputa proporcional, a projeção aumenta, e o PL poderia alcançar de duas a três cadeiras, com possibilidade de chegar até a quatro deputados federais eleitos.

Atualmente, o partido conta com Thiago Manzoni, Alberto Fraga e, provavelmente, Izalci Lucas como puxadores de votos na disputa pela Câmara Federal. Com Bia no páreo, a legenda pode se tornar a maior bancada do Distrito Federal na Câmara dos Deputados, cenário que faz os olhos de Valdemar brilharem e não é preciso dizer o porquê.

Cumprindo o acordo com Ibaneis

Caso Bia Kicis saia da disputa ao Senado, Valdemar Costa Neto também resolveria outro problema que lhe tira o sono: honrar o compromisso firmado anteriormente com o ex-governador Ibaneis Rocha.

O acordo prevê que o PL indique apenas Michelle Bolsonaro para o Senado Federal, deixando a outra vaga para Ibaneis.

Esse cenário também seria o mais confortável para a governadora Celina Leão, que deixaria de administrar nos bastidores a disputa interna pelas duas vagas ao Senado.

A composição ficaria completa com a “Leoa” encabeçando a chapa ao Palácio do Buriti, o Republicanos indicando o candidato a vice-governador e PL e MDB ocupando as duas vagas ao Senado. Nesse desenho, o grupo político de Celina Leão chegaria mais forte à disputa e ampliaria suas chances de conquistar uma vitória ampla nas urnas.

Quem provavelmente não está gostando dessas conversas é o ex-governador José Roberto Arruda, que tenta, a qualquer custo, fechar um acordo com MDB e PL. No entanto, como sua situação eleitoral permanece indefinida, em razão das condenações judiciais e da condição de inelegibilidade, o risco de acabar isolado politicamente continua elevado.

A bola agora está com Valdemar Costa Neto. Nos anos 1980 e 1990, quando a turma jogava futebol na rua ou na quadra, o dono da bola decidia quem jogava e quem ficava de fora.

A dúvida é: Bia Kicis prefere entrar em campo como capitã da equipe ou aguardar uma nova oportunidade no banco de reservas? Nos bastidores, já se comenta que Valdemar avalia seriamente travar sua candidatura ao Senado Federal.

É bom pensar rápido. O apito inicial das convenções partidárias está cada vez mais próximo.

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