A Máquina de Rebobinar o Tempo
Houve um tempo — e hoje parece quase impossível dizer isso sem que a frase venha coberta de névoa, poeira luminosa e espanto — em que a felicidade cabia dentro de uma fita preta. Uma
Houve um tempo — e hoje parece quase impossível dizer isso sem que a frase venha coberta de névoa, poeira luminosa e espanto — em que a felicidade cabia dentro de uma fita preta. Uma
Por Pitter Lucena* Era uma vez — e é preciso começar assim, porque toda boa lembrança tem algo de fábula, mesmo quando nasceu de chão de cimento e balcão de madeira — um tempo em
Era o tempo em que o céu tinha chuvisco e a sala, tempestade. A televisão não chegava por fibra, por cabo, por aplicativo ou por esse milagre silencioso das telas atuais. Chegava pelo ar, como
Por Pitter Lucena* Era uma época em que o futuro ainda não era transparente, nem táctil, nem escorria pela ponta dos dedos em telas luminosas. O futuro tinha peso de duas pilhas, cheiro de plástico