• 15 de julho de 2026

EUA anunciam tarifa de 25% sobre mais de 4 mil produtos brasileiros; medida pode chegar a 37,5%

O Brasil se prepara para enfrentar uma nova rodada de tarifas comerciais dos Estados Unidos. O governo norte-americano deve anunciar nesta quarta-feira (15) uma tarifa de 25% sobre mais de 4 mil produtos brasileiros, medida que poderá afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A decisão ocorre após meses de negociações entre os dois países, que avançaram pouco diante de divergências comerciais e políticas.

O novo pacote tarifário faz parte da reformulação da política comercial dos Estados Unidos após a Suprema Corte norte-americana invalidar, em fevereiro deste ano, a estratégia tarifária original do presidente Donald Trump.

EUA queriam redução exclusiva de tarifas no Brasil

Durante as negociações, a equipe econômica dos Estados Unidos solicitou que determinados produtos norte-americanos recebessem redução exclusiva de tarifas no mercado brasileiro.

O pedido, porém, esbarra na legislação brasileira e nas regras do Mercosul. Especialistas avaliam que, mesmo que o governo brasileiro aceitasse a proposta, a medida poderia ser questionada judicialmente.

Mais de 4 mil produtos brasileiros podem ser afetados

O anúncio será feito pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Segundo a CNI, a lista reúne produtos que representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.

Entre os itens estão:

  • açúcar bruto;
  • alumínio;
  • ferro-gusa;
  • tabaco;
  • molduras de madeira;
  • outros produtos industriais e agrícolas.

Dos 15 principais produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, 13 estão entre os três maiores fornecedores do mercado americano.

Tarifa pode subir para 37,5%

Além da tarifa inicial de 25%, o Brasil também é alvo de outra investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Essa legislação permite que Washington aplique sanções comerciais quando identifica supostas práticas consideradas desleais.

Desde fevereiro, o USTR abriu quase 80 investigações semelhantes contra diversos países.

No caso brasileiro, uma das apurações questiona a existência de mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho escravo nas cadeias produtivas.

Caso essa investigação resulte em novas sanções, a tarifa sobre produtos brasileiros poderá subir 12,5 pontos percentuais, alcançando 37,5% a partir de 24 de julho.

Brasil enfrenta investigação com componente político

Diferentemente de outros países, o Brasil também enfrenta uma investigação iniciada em julho de 2025 que teve forte componente político.

Na ocasião, Donald Trump justificou uma tarifa adicional de 40% citando suposta perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mesmo após a aproximação diplomática entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — período em que alguns produtos brasileiros passaram a integrar listas de exceção — o governo norte-americano manteve as investigações e as restrições comerciais.

Pix, desmatamento e déficit comercial entram na investigação

Ao longo da investigação, o foco deixou de ser exclusivamente político e passou a incluir questões comerciais.

Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos estão:

  • suposto desmatamento ilegal associado à produção brasileira;
  • alegações de concorrência desleal;
  • críticas ao sistema de pagamentos instantâneos Pix, que, segundo autoridades norte-americanas, prejudicaria empresas de cartões de crédito;
  • necessidade de reduzir o déficit comercial global dos Estados Unidos.

Negociadores brasileiros afirmam que documentos apresentados para contestar essas acusações não foram considerados durante o processo.

Impacto pode atingir comércio bilateral

Caso confirmadas, as novas tarifas poderão aumentar significativamente o custo dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, reduzindo a competitividade de diversos setores exportadores.

A medida representa um dos maiores desafios recentes para o comércio entre Brasil e Estados Unidos e pode afetar cadeias produtivas ligadas à indústria, ao agronegócio e ao setor de commodities.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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