Celina dispara na reta final e pode vencer no 1º turno

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que concorre à reeleição, chega à última semana de campanha em uma situação eleitoral confortável. A nova pesquisa Igape, divulgada neste domingo (27), coloca a “Leoa” com 56,1% dos votos válidos num cenário já sem José Roberto Arruda (PSD). Leandro Grass (PT) aparece com 22,1%, seguido por Paula Belmonte, com 7,5%, Ricardo Cappelli, com 5,5%, e Kiko Caputo, com 4,1%.
Ou seja: Celina abre nada menos que 34 pontos percentuais de vantagem sobre Grass. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre os dias 22 e 26 de setembro e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número DF-00171/2026.
Antes mesmo da saída definitiva de Arruda da disputa pelo Palácio do Buriti, Celina já vinha registrando crescimento nas pesquisas. Agora, com o ex-governador definitivamente fora da corrida após o TSE manter o indeferimento de sua candidatura, o cenário mudou de forma significativa.
Durante a campanha, a “Leoa” prestou contas ao eleitor sobre os 181 dias em que esteve à frente do GDF e também apresentou o que pretende fazer caso seja reeleita.
Os números das pesquisas mostram que Celina consolidou uma posição de liderança. O Datafolha divulgado na quinta-feira (24), por exemplo, apontava 42% para Celina e 23% para Grass no cenário sem Arruda. Nos votos válidos, a governadora chegava a 54%.
Vale ressaltar que o estilo de governar da “Leoa” também aparece refletido na avaliação do eleitor. No Datafolha, a aprovação ao trabalho de Celina subiu para 55%.
Celina realmente calçou a botina, pegou a caneta e foi atrás de resolver os problemas e demandas da nossa capital.
Um dos maiores exemplos de sua atuação foi a crise do BRB. A candidata do PP não ficou esperando acontecer um milagre. Arregaçou as mangas, foi para o enfrentamento e agora espera que o presidente Lula faça a parte que cabe ao governo federal.
O petista até tentou transformar a crise do BRB em munição política, mas a disputa acabou ganhando outros contornos e o assunto entrou de vez na agenda eleitoral do Distrito Federal.
O que este colunista tem ouvido nas ruas é que Celina chega à última semana com uma posição muito mais confortável do que seus adversários. A governadora é uma política que, quando chega a um local, abraça, ouve e procura responder às demandas que recebe.
A vida política transformou a “Leoa” em uma liderança experiente. Seus 181 dias à frente do GDF agora são submetidos ao julgamento do eleitor nas urnas.
Com 56,1% dos votos válidos na pesquisa Igape, Celina chega à reta final com um número que chama atenção e coloca o primeiro turno definitivamente no centro da conversa política do DF.
Agora é esperar o dia 4 de outubro. As urnas devem confirmar a vantagem captada pelas pesquisas e encerrar a disputa já no primeiro turno.
Grass quer o apoio de Arruda, mas petistas torcem o nariz

Quem ficou animado com a saída de Arruda da disputa ao GDF foi o candidato do PT, Leandro Grass. Assim que o resultado do TSE foi proclamado, o petista correu para a imprensa para manifestar interesse em receber apoio do ex-governador para o seu projeto.
Contudo, ao contrário de Grass, setores do PT-DF e de outras legendas de esquerda historicamente mantiveram forte oposição política a José Roberto Arruda. A relação entre o ex-governador e a esquerda brasiliense sempre foi marcada por confronto e distanciamento.
O gesto de Leandro Grass de procurar uma aproximação com Arruda gera desconforto justamente entre setores da militância que passaram anos fazendo oposição ao ex-governador.
Grass nunca foi unanimidade dentro do campo político que representa. E agora terá de administrar uma equação complicada: tentar ampliar seu eleitorado sem criar ruído com uma militância que historicamente esteve do outro lado do balcão quando o assunto era José Roberto Arruda.
A aproximação com Arruda pode ficar apenas no desejo do ex-distrital caso não encontre respaldo político entre os grupos que sustentam sua candidatura.
Grass agora vai tentar transformar a saída de Arruda em votos. E essa conta, como se sabe, não é tão simples quanto fazer discurso diante dos microfones e das câmeras para as redes sociais.
Última semana para Bia Kicis tentar a virada de mesa

Considerada uma das parlamentares mais ativas e combativas do bolsonarismo no Congresso Nacional, a deputada Bia Kicis (PL-DF) vive o dilema de disputar uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado Federal e ficar de fora.
A parlamentar decidiu tentar uma cadeira no Senado nestas eleições e as pesquisas mostram uma disputa apertada pela segunda vaga.
No Datafolha divulgado nesta semana, Bia Kicis aparece com 15%, empatada tecnicamente com Erika Kokay (PT), também com 15%. Michelle Bolsonaro aparece com 22%, e Leila Barros, com 19%.
Ou seja: a eleição para o Senado está longe de estar resolvida.
Nem mesmo o esforço de campanha da ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo PL, Michelle Bolsonaro, que tem pedido votos para si e para Bia, eliminou a disputa.
Nas sondagens, Bia aparece embolada na briga pela segunda vaga. E é justamente aí que entra a última semana de campanha.
Quem conhece eleição sabe que sete dias podem parecer uma eternidade quando existe voto ainda disponível.
É bom lembrar, como foi mencionado por este colunista em outra ocasião, que Bia Kicis resolveu concorrer ao Senado por sua conta e risco. A meta do PL nacional era que ela disputasse a reeleição para a Câmara dos Deputados e ajudasse o partido a preservar e ampliar sua bancada.
Mas, assim como a vida, a política é feita de escolhas.
E Bia fez a sua.
Agora, só resta esperar as urnas se abrirem para saber o tamanho dessa escolha.
Campanha de Izalci tem clima de despedida

Quem também enfrenta uma reta final delicada é o senador Izalci Lucas (PL-DF). Depois de perder a disputa ao GDF em 2022, quando teve pouco mais de 70 mil votos, o parlamentar insistiu no discurso de que, nas eleições deste ano, “as coisas seriam diferentes” e continuou dizendo que concorreria novamente ao Buriti.
Nesse período, Izalci perdeu o comando do PSDB, que estava sob a presidência de um de seus filhos, mudou de legenda e ainda tentou executar seu projeto dentro do PL.
No fim, o plano deu ruim.
Nas eleições deste ano, o senador que cantava de galo dizendo que era candidato ao GDF teve de se contentar em concorrer à Câmara dos Deputados.
E é justamente aí que mora o problema.
As pesquisas divulgadas ao longo da campanha não colocaram Izalci entre os nomes mais competitivos para uma vaga na Câmara. A situação explica o clima de despedida que começa a rondar a campanha.
Izalci tem ido às ruas pedir votos. A recepção, pelo menos em alguns lugares, até que tem sido positiva. Mas transformar simpatia em voto é outra história.
O sentimento de quem se depara com o parlamentar é de que ele pode estar vivendo um dos momentos mais difíceis de sua trajetória política de altos e baixos.
Izalci foi distrital, deputado federal, senador e chegou a ser secretário do GDF.
No Congresso, construiu a imagem de parlamentar atuante, especialmente no plenário e nas comissões. Mas, para o eleitor, que é quem realmente decide a eleição, a capacidade de transformar essa trajetória em votos está sendo colocada à prova.
Nos últimos anos, Izalci perdeu espaço político e fez escolhas que cobraram seu preço, principalmente na composição de sua equipe e na relação com antigos aliados.
Os que rodearam o senador de uns tempos para cá acabaram contribuindo para afastá-lo de projetos e aliados importantes.
A política não permite erros. Muito menos permite que amadorismo, paixões secretas e decisões equivocadas mantenham um projeto político na direção errada.
Agora, Izalci corre contra o relógio. E contra as urnas.
Frase do Fino
“Ouça-me este conselho: em política, não se perdoa nem se esquece nada”, Machado de Assis, em Quincas Borba.
Mistérios da Semana — Especial de Eleições
1 — Qual é o deputado do DF que concorre à reeleição e que, mesmo com a agenda apertada de campanha, não perde uma pelada?
O “gordinho” entra em campo até sem chuteira, se for preciso, para marcar presença com os boleiros.
Quem é? Quem é? Quem é?
Mistéééério…
2 — Qual é o distrital que já avisou à equipe de gabinete sobre o risco de não se reeleger?
O comunicado do parlamentar fez com que muitos de seus colaboradores começassem a limpar as gavetas. Outros já procuram se bandear para o lado do concorrente.
Quem é? Quem é? Quem é?
Mistéééério…
*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.
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