Novembro começa com expectativa pela transição de Celina Leão e especulações sobre novo secretariado

As eleições acabaram, mas quem pensa que a política do Distrito Federal vai tirar férias está redondamente enganado. Novembro chegou, e a pergunta que começa a circular com mais frequência nos corredores do poder brasiliense é uma só: quem vai continuar e quem vai deixar o governo do Distrito Federal a partir de janeiro?
Com a vitória nas urnas, Celina Leão (PP) terá a oportunidade de reorganizar a estrutura administrativa e montar uma equipe com a sua marca política. Embora já esteja à frente do Executivo, a governadora terá pela frente um novo mandato e, consequentemente, deve promover mudanças no primeiro escalão. É natural querer dar uma chacoalhada na equipe.
E é justamente aí que começam as especulações. Secretários que desejam permanecer, aliados que esperam reconhecimento pelo apoio eleitoral e partidos interessados em ampliar sua participação na administração deverão disputar espaço nas conversas sobre o futuro governo.
Nesse contexto, muita gente especula quem ficará responsável por fazer girar a máquina administrativa do Buriti enquanto Celina governa. Durante a gestão de Ibaneis, o trio composto por Gustavo Rocha, vice-governador eleito, José Humberto Pires e Weligton Moraes tocava o barco. Aliás, as pastas da Casa Civil, de Governo e de Comunicação seguem sob o comando deles e tiveram um papel importante na reeleição da “Leoa”.
Celina, entretanto, terá de encontrar o ponto de equilíbrio entre as demandas políticas e as necessidades administrativas. Afinal, ganhar uma eleição com uma ampla aliança é uma coisa. Conseguir manter todo mundo satisfeito depois da vitória é outra história.
A governadora também terá a oportunidade de demonstrar quais serão as prioridades da nova gestão. A “Leoa” tem que corresponder às expectativas e aos compromissos firmados durante a campanha com a população e sua rede de aliados.
Por enquanto, há mais perguntas do que respostas. Celina Leão está descansando por esses dias e, quando retornar ao batente, deve se dedicar a iniciar a montagem de seu governo.
E, como ninguém quer ficar de fora da fotografia do novo governo, novembro promete ser um mês de muita conversa, algumas expectativas frustradas e gente tentando garantir um lugar ao sol.
Wellington Luiz deve passar pelo GDF antes do início do novo governo

O futuro político do presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wellington Luiz (MDB), também entra na pauta das articulações que antecedem o início de 2027.
A possibilidade de uma passagem pelo GDF antes da próxima legislatura acrescenta um componente interessante às movimentações envolvendo o emedebista, que permanece no centro das discussões sobre o futuro comando da CLDF.
Wellington tem uma característica importante na política: sabe conversar com diferentes grupos, inclusive com aqueles que nem sempre estão do mesmo lado nas disputas partidárias. Essa capacidade de articulação ajuda a explicar sua presença nas negociações envolvendo a próxima Mesa Diretora.
Uma eventual passagem pelo Executivo, mesmo que breve, está em curso. A governadora Celina deve fazer uma viagem ao exterior antes de iniciar o novo governo. Nos bastidores, havia rumores de que Wellington ficaria no lugar da “Leoa” durante o feriadão de Finados, mas, assim como a governadora, ele também tirou uns dias para descansar.
O nome de Wellington Luiz ficará em evidência até o dia da posse dos distritais eleitos para a próxima legislatura, que se inicia no dia 6 de janeiro. Ainda mais que ele surge no cenário como grande favorito a ficar com o comando da CLDF por mais um biênio. E o grupo de aliados diz que já detém 14 votos dos 24 deputados distritais que assumirão no ano que vem. E ainda tem mais: eles dizem que não têm plano B. É Wellington na cabeça.
Campo conservador mantém força eleitoral no Distrito Federal

Os resultados das urnas em 2026 voltaram a mostrar que o campo conservador mantém uma força expressiva junto ao eleitorado do Distrito Federal. As disputas para o Planalto, Buriti, Senado, Câmara e CLDF reforçaram uma característica observada em eleições anteriores: candidatos identificados com a direita e centro-direita continuam encontrando espaço importante entre os brasilienses.
A vitória de Celina Leão (PP) na disputa pelo GDF e a eleição de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, para o Senado, são exemplos desse desempenho invejado pelos esquerdistas. Na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) também venceu Lula (PT) entre os eleitores do Distrito Federal, embora tenha perdido a eleição nacional.
Já os resultados das eleições para os cargos de deputado federal e deputado distrital evidenciam que os políticos de direita e centro-direita continuam em alta. Tanto na Câmara dos Deputados como na CLDF, o campo político mais alinhado ao conservadorismo tem a maioria. É inegável a preferência do eleitorado brasiliense.
Os números oferecem um retrato interessante da política local. Brasília abriga a sede dos Três Poderes, recebe decisões que influenciam o país inteiro e possui uma dinâmica política própria. Entretanto, morar no centro das decisões nacionais não significa necessariamente acompanhar as preferências eleitorais predominantes no restante do Brasil.
O que os resultados indicam é que a direita continua demonstrando uma capacidade de mobilização eleitoral muito forte no DF, especialmente nas disputas majoritárias.
Para a esquerda brasiliense, os números representam mais um desafio político: compreender por que seus candidatos encontram dificuldades para conquistar a maioria dos votos nessas disputas e quais caminhos poderão ampliar sua interlocução com o eleitorado.
Já para a direita, a questão será transformar o desempenho eleitoral em capacidade de governar, manter alianças e corresponder às expectativas de quem depositou confiança em seus representantes.
Porque, na política, vencer nas urnas é importante. Mas o eleitor também cobra resultados depois que a festa da vitória termina.
Após derrota nas urnas, parlamentares e lideranças políticas do DF precisam se reposicionar no tabuleiro político para não ficarem de fora em 2030

Se para os eleitos o momento é de comemoração e preparação para os novos mandatos, para quem perdeu a disputa chegou a hora de fazer uma avaliação menos festiva e muito mais pragmática.
As eleições de 2026 produziram vencedores, derrotados e uma nova configuração de forças no Distrito Federal. Alguns parlamentares terão de deixar seus gabinetes, enquanto lideranças que apostavam no retorno à vida pública precisarão encontrar outros caminhos para continuar politicamente relevantes.
E aqui entra uma questão que muitos preferem ignorar: na política, desaparecer durante quatro anos pode custar caro. Que o diga o ex-senador José Antônio Reguffe. Poucos se lembram dele após ficar ensebando quando estava como parlamentar e ter deixado de concorrer a cargos eletivos. O ex-governador e ex-senador Cristovam Buarque foi outro que ficou longe do cenário e, quando quis voltar neste ano, passou vergonha nas urnas.
Também tem quem perdeu o mandato. Esses terão de aprender a sobreviver politicamente sem a estrutura do gabinete, sem os assessores e, principalmente, sem a exposição proporcionada pelo cargo. Não será tarefa simples para quem se acostumou a ter espaço garantido nos corredores do poder.
Outros poderão buscar abrigo no GDF, aproximar-se de novas lideranças ou reorganizar seus grupos partidários. Vai depender muito do tamanho do espaço que lhes será concedido pela “Leoa”. Mas é bom lembrar que os cargos não serão suficientes para acomodar todos os interessados.
Há ainda aqueles que precisarão rever estratégias, reconstruir relações e, quem sabe, reconhecer que determinados projetos políticos já não despertam o mesmo entusiasmo de eleições anteriores.
O cenário para 2030 começará a ser desenhado muito antes da abertura oficial das urnas. Quem pretende voltar à Câmara Legislativa, disputar uma vaga na Câmara dos Deputados ou buscar outro cargo eletivo terá de manter presença nas comunidades, construir novas alianças e acompanhar as mudanças no comportamento do eleitorado.
Também será necessário compreender que os adversários de 2026 poderão não ser os mesmos de 2030. Novos nomes deverão surgir, partidos poderão mudar de direção e alianças consideradas improváveis hoje poderão se tornar alternativas daqui a alguns anos.
No fim das contas, cada derrotado terá de decidir se pretende continuar fazendo política ou apenas esperar que a próxima eleição lhe ofereça uma segunda chance, seja para tentar se eleger ou servir de escada para outros projetos políticos.
O eleitor pode até dar outra oportunidade. Mas dificilmente ficará quatro anos esperando por quem resolveu tirar férias da política. O jogo político cobra um alto preço de quem quer entrar e participar dele. Os amadores podem até brincar um pouco, porém, só quem é do ramo é que consegue brilhar e ter êxito nesse meio tão disputado e cheio de artimanhas.
Frase do Fino
“As pessoas perguntam qual é a diferença entre um líder e um chefe. O líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia”, Franklin Roosevelt (1882–1945), 32º presidente dos Estados Unidos.
Mistérios da Semana
1 — Qual é o parlamentar reeleito que já deu sinais de que vai alçar voos mais altos e desencadeou uma disputa interna em seu grupo político? Muitos de seus aliados acreditam que podem substituir o chefe em 2030.
Quem é? Quem é? Quem é? Mistéééério…
2 — Qual é o candidato derrotado a cargo proporcional que apostou que poderia ser eleito apenas pelo que fez pelos amigos enquanto esteve no poder e, quando as urnas abriram, se deu mal?
O iludido acreditou que, por ter ajudado o setor produtivo, ele poderia se tornar um dos mais votados. Porém, os “amigos” o abandonaram e deram um belo banho de água fria. E fora que a pessoa acreditava que estava eleita só pela sua história de vida. Esqueceram de avisar que uma campanha se faz com sola de sapato gasta, muito dinheiro e muito carisma. Tapinha nas costas nunca elegeu ninguém.
Quem é? Quem é? Quem é? Mistéééério…
*José Fernando Vilela é jornalista com especialização em marketing político e eleitoral, com passagem por órgãos públicos, entidades representativas e da iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.
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