• 17 de julho de 2026

Tarifas de Trump contra o Brasil colocam Pix no centro da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros abre um novo capítulo da guerra comercial entre os dois países. O Brasil foi o único alvo da medida, que também evidencia a preocupação de Washington com o crescimento do Pix e seus possíveis impactos sobre o sistema financeiro internacional e as empresas americanas de pagamentos.

A tarifa, que entrará em vigor em 22 de julho, é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O processo foi aberto com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA.

Produtos brasileiros ficam fora da nova tarifa

A Casa Branca informou que alguns produtos brasileiros estarão isentos da nova taxação por não possuírem produção equivalente nos Estados Unidos ou porque uma sobretaxa poderia prejudicar cadeias de abastecimento e a própria economia americana.

Entre os itens poupados estão:

  • carne bovina;
  • café;
  • suco de laranja;
  • determinadas peças aeronáuticas.

Governo brasileiro reage e promete recorrer

O anúncio provocou reação imediata do governo brasileiro. Autoridades afirmaram que a medida não possui justificativa comercial, anunciaram a possibilidade de aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica e informaram que pretendem levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Pix entra na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos

Além das tarifas, o avanço do Pix tornou-se um dos pontos de maior atenção na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. O sistema de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central em 2020, transformou o mercado financeiro brasileiro ao reduzir custos das transações e ampliar a concorrência no setor de meios de pagamento.

Atualmente, o Pix é utilizado por cerca de 80% da população brasileira e responde por mais da metade das operações financeiras realizadas no país.

Pix reduz espaço de empresas de cartões

A expansão do Pix diminuiu a dependência de cartões de crédito e débito, afetando empresas como Visa e Mastercard, líderes mundiais no segmento de pagamentos eletrônicos. Com menos operações realizadas por cartões, essas companhias deixam de arrecadar parte das receitas obtidas com taxas e comissões.

Segundo informações citadas na investigação americana, a participação dessas empresas nas transações realizadas no Brasil caiu de 23% para 15% desde a implantação do Pix. O governo dos Estados Unidos avalia se essa mudança representa uma forma de concorrência considerada desleal.

O governo brasileiro rejeita essa interpretação e sustenta que o Pix ampliou a concorrência no mercado de pagamentos digitais, beneficiando consumidores, instituições financeiras e empresas de tecnologia, inclusive companhias americanas, como o Google.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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