O ministro Alexandre de Moraes cancelou o pronunciamento que faria nesta quinta-feira (10), no Supremo Tribunal Federal (STF). A fala estava prevista para as 11h e foi anunciada por volta das 8h, mas o cancelamento ocorreu pouco antes das 9h, sem explicação oficial até o momento.
O pronunciamento seria o primeiro de Moraes desde o vazamento de conversas mantidas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A fala também ocorreria um dia depois de o presidente do STF, ministro Edson Fachin, retirar Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News.
Moraes discursaria no plenário da Primeira Turma do Supremo. Até o momento, o tribunal não divulgou detalhes sobre o motivo do cancelamento.
Crise aumenta dentro do STF
A retirada de Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News ocorreu na tarde de quarta-feira (9) por meio de uma medida administrativa. A decisão não anula os atos e decisões já tomados pelo ministro no processo.
A mudança aconteceu em meio a uma crise interna no STF, marcada pelo embate entre Moraes e o ministro André Mendonça, além de decisões divergentes envolvendo o comando da Polícia Federal (PF).
Relembre a crise envolvendo Moraes e Mendonça
A crise ganhou força no dia 1º, quando André Mendonça determinou o fim do sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Segundo o conteúdo divulgado, Vorcaro teria pedido a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master.
Dois dias depois, em 3 de setembro, Moraes encaminhou a Fachin um pedido para que fosse investigada a atuação de Mendonça. O pedido foi acompanhado de relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontavam supostas irregularidades na atuação do ministro em processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Afastamento do diretor-geral da PF
Foi nesse contexto que André Mendonça determinou, na terça-feira (8), o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Mendonça alegou que a estrutura de inteligência da PF teria produzido relatórios de forma irregular e realizado suposto monitoramento de sua atuação.
Menos de 24 horas depois, o ministro Flávio Dino tomou uma decisão oposta. Ao analisar um recurso apresentado por Andrei Rodrigues em outro processo, Dino determinou a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal.
Diante do conflito entre as decisões, Fachin suspendeu as determinações de Mendonça e Dino relacionadas ao comando da PF e manteve Andrei Rodrigues no cargo.
O cancelamento do pronunciamento de Alexandre de Moraes ocorre, portanto, em um dos momentos de maior tensão recente dentro do Supremo Tribunal Federal.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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