Dois estudantes brasilienses de apenas 12 anos estão prestes a levar pesquisas desenvolvidas no Distrito Federal para um dos principais ambientes acadêmicos e científicos do mundo. Lucas Freitas Vieira e Rafael Kessler Ferreira foram convidados como palestrantes para apresentar pesquisas autorais em Harvard e no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.
A participação dos jovens pesquisadores ganhou destaque nesta segunda-feira (24), durante cerimônia realizada no Palácio do Buriti, com a presença da governadora Celina Leão, autoridades do Governo do Distrito Federal, representantes das instituições envolvidas, dos próprios estudantes e de familiares.
A missão internacional está prevista para setembro, durante o Global Health Catalyst Summit 2026, que será realizado entre os dias 18 e 21, em Harvard/MIT, em Boston. O evento reúne pesquisadores, estudantes, profissionais de saúde, representantes da indústria e lideranças de diferentes áreas para discutir inovação e soluções para desafios globais na saúde.
Segundo as informações divulgadas pela organização da missão, Lucas e Rafael serão os primeiros cientistas brasileiros dessa faixa etária a apresentar pesquisas autorais no Global Health Catalyst Summit. Os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes envolvem inteligência artificial e criptografia quântica aplicadas à saúde.

Celina defende programa para estudantes com altas habilidades
Durante a cerimônia no Palácio do Buriti, Celina Leão aproveitou o caso dos dois estudantes para defender a criação de um programa estruturado para identificar, apoiar e desenvolver crianças e adolescentes com altas habilidades no Distrito Federal.
A governadora afirmou que o GDF precisa criar mecanismos capazes de transformar o talento desses jovens em oportunidades concretas.
“Nós precisamos desenvolver um grande programa para altas habilidades aqui no DF. Nós precisamos verdadeiramente não só ter o programa, mas ter o mecanismo de alavancar as crianças”, afirmou Celina.
Segundo a governadora, quando o caso de Lucas e Rafael chegou ao conhecimento do governo, os estudantes já haviam recebido o convite e sido classificados, mas não tinham recursos para viabilizar a viagem internacional.
Celina destacou a atuação da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) para construir uma solução que permitisse aos estudantes representar Brasília no evento internacional.
“Quando nós chegamos, eles tinham o convite, tinham sido classificados e não tinham como ir. E não tinha nenhum programa que fazia essa ponte”, relatou a governadora.
Ela agradeceu especialmente ao presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, pela articulação para evitar que os dois jovens perdessem a oportunidade.
Para Celina, a experiência também demonstra que o Distrito Federal precisa avançar na identificação de talentos e na criação de políticas públicas voltadas à ciência, tecnologia e inovação.

História familiar influenciou defesa de Celina
Em outro momento da fala, a governadora relacionou a discussão sobre altas habilidades a uma experiência de sua própria família.
Celina contou que sua mãe, Dona Maria Célia Leão, enfrentou dificuldades para compreender o comportamento de um dos filhos, que não conseguia se adaptar às escolas e chegou a querer abandonar os estudos.
Segundo a governadora, somente posteriormente a família compreendeu que o irmão apresentava altas habilidades.
A história ajuda a explicar, segundo Celina, por que sua mãe se tornou uma das principais incentivadoras da ida dos dois estudantes brasileiros aos Estados Unidos.
Dona Maria Célia esteve na cerimônia desta segunda-feira e acompanhou de perto a mobilização em torno da viagem dos jovens pesquisadores.
Governo e iniciativa privada viabilizam missão
A missão internacional de Lucas e Rafael é articulada pelo Governo do Distrito Federal e pela FAPDF, com patrocínio integral da iniciativa privada da Cotidiano Aceleradora.
A participação dos estudantes ocorre em um contexto de ampliação das iniciativas de ciência, tecnologia e inovação no Distrito Federal. A FAPDF mantém, inclusive, programas voltados ao desenvolvimento de negócios e projetos de base científica e tecnológica, entre eles o Programa Deep Tech, executado em parceria com a Cotidiano Aceleradora.
Na cerimônia, Celina reforçou que o caso dos dois estudantes não deve ser tratado apenas como uma conquista individual, mas como uma oportunidade para o DF criar uma estrutura permanente de apoio aos jovens com altas habilidades.
“Eu acho que você tem a grande missão de criar um maior programa de inovação e de altas habilidades para que esse programa tenha começo, meio e fim. Nunca terá, porque a ciência nunca tem fim”, afirmou a governadora para o secretário de Educação do DF, Thiago Peixoto.
Brasília no mapa internacional da inovação
A ida de Lucas Freitas Vieira e Rafael Kessler Ferreira a Harvard e ao MIT coloca o Distrito Federal em evidência no cenário internacional de ciência e inovação.
Aos 12 anos, os dois estudantes terão a oportunidade de apresentar pesquisas próprias diante de uma comunidade acadêmica internacional e mostrar que a produção científica de Brasília também pode começar muito antes da universidade.
Foto/Capa: José Fernando Vilela/Expressão Brasiliense
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