• 30 de setembro de 2026

Sem Celina, debate da Globo tem baixa audiência e escancara despreparo dos adversários

Celina Leão não estava no palco. Mas, curiosamente, foi ela quem dominou o debate da Globo. Leandro Grass, Paula Belmonte, Ricardo Cappelli e Kiko Caputo tiveram diante de si uma oportunidade de ouro: sem a governadora no estúdio, poderiam apresentar suas propostas, mostrar preparo, estabelecer diferenças e tentar conquistar o eleitor pelo conteúdo.

Preferiram outra estratégia. Transformaram a cadeira vazia da Leoa no principal alvo da noite.

Grass abriu o debate perguntando “Cadê o dinheiro do BRB?”. Paula Belmonte foi pelo mesmo caminho ao cobrar o balanço do banco. Cappelli voltou a associar Celina à gestão anterior de Ibaneis Rocha. Kiko também aproveitou o espaço para atacar o governo.

Era praticamente um quatro contra uma. Só que a “uma” não estava lá.

E aí veio a parte mais interessante da noite: quando tiveram a chance de falar sobre o futuro do Distrito Federal, alguns dos adversários acabaram recorrendo a propostas que já fazem parte da agenda apresentada por Celina.

Grass, por exemplo, defendeu a ampliação da tarifa zero e a expansão da rede sobre trilhos. A tarifa zero gradual já havia sido apresentada por Celina como uma das propostas para um eventual novo mandato.

Cappelli foi ainda mais curioso. O candidato do PSB voltou a defender a expansão do metrô para Gama e Santa Maria, justamente um dos principais projetos de mobilidade apresentados por Celina durante a campanha. A governadora anunciou em setembro um projeto de expansão que prevê uma nova Linha 2 conectando Santa Maria e Gama ao Plano Piloto, além de outros trechos e integração com o VLT.

Ou seja: enquanto atacavam a Leoa, alguns adversários apresentavam como novidade ideias que já estavam na prancheta do governo. É difícil imaginar uma demonstração mais clara da dificuldade de construir uma narrativa própria.

O eleitor que assistiu ao debate pôde fazer uma comparação simples: de um lado, uma governadora que continuou sendo o centro da discussão; do outro, quatro candidatos que precisavam transformar aquele espaço em protagonismo próprio.

Resultado: não conseguiram. Quem assistiu ao debate ficou com a impressão que os adversários de Celina não tem condições de governar a capital federal.

Grass ficou preso ao BRB e às críticas à governadora. Paula insistiu na cobrança por transparência. Cappelli tentou transformar transporte e mobilidade em uma de suas bandeiras, mas acabou pisando em terreno onde Celina já havia apresentado projetos concretos. E Kiko Caputo parecia estar em outro debate.

Ou, para usar uma expressão mais fina: Kiko parecia perdido no mundo de Bob.

O debate foi insosso, sem ânimo. Celina não estava presente, mas pautava os adversários.

Os quatro candidatos que efetivamente estavam diante das câmeras tiveram dificuldade para fazer do debate uma vitrine de suas próprias candidaturas.

A estratégia de união circunstancial contra a Leoa, portanto, produziu um efeito curioso: quanto mais tentavam falar de Celina, menos conseguiam falar de si mesmos.

E quando finalmente apresentavam propostas, algumas delas já estavam no repertório da candidata que decidiram transformar em alvo. O debate deveria servir para apresentar alternativas ao eleitor e não deixa a imagem de que eles estavam num circo armado.

Acabou servindo para mostrar que, sem Celina no palco, faltou aos adversários aquilo que mais precisavam demonstrar: preparo, identidade e capacidade de transformar uma oportunidade em protagonismo.

A cadeira da Leoa ficou vazia. Mas a presença política dela ocupou o estúdio inteiro. E essa talvez tenha sido a maior ironia da noite.

Celina não precisou enfrentar quatro adversários para ser o centro do debate. Foram eles que passaram duas horas tentando enfrentá-la, mesmo sem ela estar lá.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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