O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (13) que sua filiação ao partido Missão foi fraudulenta e classificou o episódio como uma tentativa de impedir sua candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026.
“Mais uma vez o sistema armou para tentar me derrubar. Tenho uma má notícia para vocês que só sabem jogar sujo: não funcionou e nem vai funcionar. O Brasil vai vencer!”, declarou Flávio nas redes sociais.
A equipe do senador identificou que o nome dele aparecia no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão, e não ao Partido Liberal (PL), legenda pela qual pretende disputar a Presidência.
Dados da Justiça Eleitoral mostram que a desfiliação de Flávio Bolsonaro do PL ocorreu na quarta-feira (12). O registro de filiação ao PL constava desde novembro de 2021.
Missão diz ter sido vítima de fraude
O partido Missão é a legenda de Renan Santos, um dos adversários de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto. A sigla foi criada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou projeção nacional ao organizar manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Um integrante da campanha de Flávio afirmou que o episódio foi uma “molecagem que alguém fez” e que a situação cadastral do presidenciável deverá ser regularizada para que o registro da candidatura seja formalizado ainda nesta quinta-feira.
Os advogados da campanha, Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, foram encarregados de esclarecer o caso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A equipe pretende identificar quem realizou a alteração, de onde partiu a ação e quais credenciais foram utilizadas.
Em nota, o Missão afirmou ter sido “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”. Segundo o partido, o sistema identificou a irregularidade e a legenda tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas o pedido teria sido rejeitado pelo TSE.
“O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos”, informou o partido.
O Missão também afirmou que adotará medidas junto à Polícia Federal e ao TSE para identificar os responsáveis pela tentativa de filiação. A legenda disse que pretende disponibilizar às autoridades e à imprensa um relatório com registros de acesso, e-mails e endereços IP relacionados ao episódio.
Na mesma nota, o partido fez críticas a Flávio Bolsonaro e afirmou que não teria interesse em receber o senador em seus quadros, citando divergências ideológicas e acusações e suspeitas relacionadas a possíveis esquemas de corrupção.
TSE diz que não houve invasão do sistema
O Tribunal Superior Eleitoral informou, também em nota, que a filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão não ocorreu por meio de um ataque hacker ao sistema de filiação partidária.
Segundo o TSE, houve uso indevido da ferramenta por alguém que possuía as credenciais da legenda para realizar filiações.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para adoção das providências cabíveis e determinou a abertura de investigação pela Polícia Judiciária.
O TSE informou ainda que o Partido Liberal protocolou um pedido de desfiliação de Flávio Bolsonaro do Missão. A solicitação está sob análise da Justiça Eleitoral.
O caso ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026 e pode afetar o processo de formalização da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Foto: Reprodução/Google Imagens
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