Arruda passa vexame por não ter vice nem candidatos ao Senado

Depois de todo o barulho que fez durante o período de pré-campanha, o inelegível ex-governador José Roberto Arruda passou pelo maior vexame desde que decidiu disputar novamente o Palácio do Buriti. Durante a convenção conjunta do PSD e do Avante, realizada na tarde de sábado (1º), Arruda foi anunciado sem apresentar os demais integrantes da chapa majoritária.
Para quem se gaba de que o povo clama por sua volta ao governo do Distrito Federal, Arruda não conseguiu convencer ninguém entre seus próprios aliados a aceitar integrar a chapa. Quem esteve na convenção relatou um clima de tensão. Muitos questionavam qual será o futuro do grupo, afinal, com um candidato inelegível, que pode ter de desistir da disputa a qualquer momento, e sem nomes definidos para os demais cargos, como irão às ruas pedir votos?
Aliados mais próximos sustentam que o impasse será resolvido até o prazo final para o registro das candidaturas. Até lá, porém, o desafio será convencer alguém a correr o risco de “morrer na praia” ou disputar a eleição sub judice.
Desde que começou a se movimentar como pré-candidato, José Roberto Arruda nunca esteve tão acuado. Dizem nos bastidores que a dificuldade para completar a chapa o deixou abalado. Nem mesmo a alta rejeição apontada pelas pesquisas teria preocupado tanto quanto o constrangimento de ser lançado sem candidato a vice-governador e sem nomes para o Senado.
A convenção conjunta de PSD e Avante deixou muitas perguntas no ar: por onde andam os aliados de Arruda? Por que ninguém quis compor a chapa?
E os sinais negativos para José “Careca” Arruda já começam a aparecer. O evento registrou baixa adesão. Os apoiadores dos candidatos a deputado federal e a deputado distrital demonstravam desânimo. Muitos já avaliam abandonar o barco e buscar novos rumos nestas eleições.
Pelo visto, o inelegível Arruda já não é mais o mesmo “encantador de burros” de outrora e pode passar novo vexame nas urnas. Talvez seja melhor desistir da disputa agora do que enfrentar uma derrota humilhante no dia 4 de outubro. Aceita que dói menos. E dessa vez, Arruda não terá um ombro feminino para encostar a cabeça e chorar. Até isso ele perdeu.
Celina Leão chega à campanha com a maior aliança partidária do DF e mira vitória no 1º turno

Agora, quem chega com tudo para a campanha é a governadora Celina Leão (PP). A “Leoa” teve o nome confirmado na convenção da Federação União Progressista, realizada neste domingo (2), diante de uma plateia de mais de 10 mil apoiadores.
Diferentemente de Arruda, Celina tem uma “chapa de verdade”, como ela mesma definiu. O candidato a vice-governador será o republicano Gustavo Rocha, ex-secretário da Casa Civil. As duas vagas ao Senado ficaram com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis, ambas do PL. Durante a convenção do PL, foi lida uma carta de Michelle confirmando a sua candidatura e acabou o suspense quanto ao seu futuro político.
Contudo, há dois fatores que colocam Celina como a grande favorita na corrida ao Palácio do Buriti. O primeiro é a ampla aliança partidária construída pela “Leoa”. Além do Progressistas e do União Brasil, que formam a Federação União Progressista, a governadora contará em sua coligação com Republicanos, PL, MDB, Podemos, Mobiliza, DC e outras legendas.
O segundo fator é o desempenho nas pesquisas eleitorais, que apontam Celina Leão com chances de vencer a disputa ainda no primeiro turno, a depender de quem estará efetivamente na corrida. Como a candidatura de Arruda poderá tramitar sub judice e os votos destinados a ele eventualmente deixarem de ser computados, dependendo do cenário eleitoral, esse quadro poderá favorecer a “Leoa” e levar o TRE-DF a proclamar sua vitória já no dia 4 de outubro. Essa hipótese, inclusive, não é descartada por analistas e cientistas políticos.
A força da “Leoa”, como diz o jingle da campanha, é reflexo dos quatro mandatos exercidos por Celina Leão ao longo de sua trajetória política. Quem acompanhou as convenções partidárias ficou impressionado com o público que lotou o Centro de Convenções Ulysses Guimarães para manifestar apoio à governadora.
Celina caminha para se tornar a primeira mulher eleita para governar a capital do País. Os quatro primeiros meses à frente do GDF, após assumir a titularidade do cargo, reforçam o discurso de continuidade e a credenciam a permanecer no Palácio do Buriti por mais quatro anos.
MDB inicia a campanha sem Ibaneis Rocha e sem nomes na chapa majoritária

Após superar os embates internos, o MDB inicia a campanha com a bola murcha. A legenda que comandou a capital federal nos últimos sete anos realizou sua convenção no último sábado (1º) sob a desconfiança das demais siglas, que aguardavam uma definição sobre qual seria o rumo do partido nas eleições.
O fato é que o MDB entra na disputa sem a sua maior vitrine: o ex-governador Ibaneis Rocha, que não compareceu ao evento e sequer enviou uma mensagem, por escrito ou em vídeo, como costuma ocorrer em ocasiões de tamanha relevância para um partido. Ibaneis desistiu da candidatura ao Senado e demonstrou que pretende ficar distante da disputa eleitoral deste ano.
Embora a ausência de Ibaneis já indicasse que o partido atravessava um momento delicado, ainda havia a expectativa de que o MDB conquistasse algum espaço na chapa majoritária. Até a chegada de Celina Leão à convenção da sigla, os emedebistas mais saudosistas alimentavam a esperança de que o deputado federal Rafael Prudente fosse anunciado como um dos candidatos ao Senado na chapa da “Leoa”. Coube, porém, ao próprio Rafael confirmar que disputará a reeleição para a Câmara dos Deputados.
Lamentavelmente, para quem acompanha a trajetória do MDB desde os tempos de Joaquim Roriz, a legenda vive um dos capítulos mais melancólicos e triste de sua história recente. A saída de Ibaneis Rocha do cenário eleitoral deixou feridas abertas que precisarão ser cicatrizadas até o dia 4 de outubro para demonstrar que o partido continua forte na capital federal. Caso contrário, os emedebistas chegarão às urnas enfraquecidos e com risco de amargar um desempenho muito abaixo do esperado.
Lula e Alckmin tentam unir Leandro Grass e Ricardo Cappelli antes do prazo final das convenções

A falta de diálogo entre a Federação PT-PV-PCdoB e o PSB sobre uma possível aliança para formar a chapa da esquerda ao GDF entrou na pauta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Como Lula e Alckmin vão manter a parceria iniciada em 2022, oficializada no último fim de semana para ser repetida nas eleições de 2026, as duas lideranças devem tentar unir o ex-deputado distrital Leandro Grass e o ex-interventor Ricardo Cappelli em uma mesma chapa ao Palácio do Buriti.
Aqui no DF, a Federação PT-PV-PCdoB já oficializou o nome de Leandro Grass como candidato ao Buriti e também manifestou apoio às candidaturas ao Senado de Leila do Vôlei (PDT) e Érika Kokay (PT). No entanto, a vaga de vice permaneceu em aberto. O PV e o PSOL chegaram a apresentar nomes à Federação, mas eles são considerados fracos do ponto de vista político-eleitoral.
Já o PSB, comandado no DF por Rodrigo Rollemberg e que tem Ricardo Cappelli como pré-candidato ao GDF, ainda não realizou sua convenção à espera de um acerto com o PT.
O impasse, porém, está na falta de entendimento entre os dois pré-candidatos. Nenhum deles demonstra disposição para abrir mão da cabeça de chapa. Como Lula e Alckmin já resolveram a composição nacional, agora devem atuar para tentar construir um consenso também no Distrito Federal.
Lula quer um palanque forte na capital federal para tentar recuperar o protagonismo político que já teve na cidade.
A esquerda brasiliense dá sinais de que continua repetindo velhos erros. Brigam, brigam e, no fim das contas, acabam se enfraquecendo. O eleitor já demonstrou que não anda muito satisfeito com o presidente e seus aliados. Nas duas últimas eleições, a representação parlamentar da esquerda diminuiu, e Lula foi derrotado por Jair Bolsonaro no DF em 2022. Agora, resta aguardar o desfecho dessa novela.
Justiça Eleitoral do DF intensifica julgamentos sobre ataques difamatórios e propaganda irregular na pré-campanha de 2026

Com o início das convenções partidárias e a definição dos candidatos, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) intensificou o ritmo das sessões plenárias para julgar pedidos de registro de candidaturas, além de processos movidos por partidos envolvendo ataques difamatórios e propaganda eleitoral considerada irregular ainda no período de pré-campanha.
Ao longo da semana, a Justiça Eleitoral do DF proferiu decisões envolvendo Arruda e Rollemberg. Ambos foram alvo de medidas relacionadas a condutas consideradas irregulares para o período eleitoral. Embora a campanha ainda não tenha começado oficialmente, a legislação prevê sanções para práticas incompatíveis com a fase de pré-campanha.
O ex-governador José Roberto Arruda foi alvo de decisão após pedir votos para si e para um pré-candidato a deputado distrital ligado ao movimento habitacional durante uma reunião no Recanto das Emas. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra Arruda afirmando que seria necessário eleger ambos para que fosse possível entregar 10 mil lotes por ano. O TRE-DF determinou a retirada do conteúdo e proibiu novas manifestações com o mesmo teor até o julgamento definitivo do caso.
Já o deputado federal Rodrigo Rollemberg foi obrigado a retirar outdoors espalhados pela cidade contendo o número do PSB. A Justiça Eleitoral entendeu que esse tipo de divulgação, por meio desse instrumento, contrariava a legislação eleitoral.
Quem consulta o sistema de processos da Justiça Eleitoral encontra uma verdadeira enxurrada de ações das mais diversas naturezas. Pelo volume de processos que já chegaram ao tribunal, o TRE-DF terá muito trabalho até o encerramento das eleições de 2026.
Nas Ondas do Rádio
– Quem está chegando à praça de Brasília é a Alpha FM. A emissora vai integrar o Sistema de Rádios Paulo Octávio, que, além da estreante, conta com a Mix FM e a JK FM. As emissoras do empresário e ex-vice-governador costumam figurar entre as cinco mais ouvidas da capital praticamente todos os meses. A Alpha FM, que tem estreia prevista para setembro, também pode entrar nessa disputa e, quem sabe, conquistar espaço entre as líderes de audiência no DF.
– A combalida Atividade FM voltou a exibir programação comercial depois de operar por um período praticamente no automático, sem locutores e sem atrações ao vivo. Apesar de todo o alarde provocado na cidade, a emissora do Vigão retornou menor do que era. Quem sintoniza a rádio encontra um áudio de baixa qualidade e uma programação amadora sob a nova coordenação. A impressão é de que a Atividade FM, que durante muitos anos liderou a audiência no Distrito Federal e no Entorno, acabou se transformando em uma rádio comunitária de interior. Se continuar nessa “molecagem”, corre o risco de cair em descrédito de vez e perder até os poucos patrocinadores que ainda restam. Fora que a exposição da imagem do Vigão, dando sinais de que não está muito bem de saúde, são lamentáveis e demonstra o desespero de quem está no comando da emissora. O comunicador não merecia virar chacota ou motivo de pena na cidade. O ex-deputado federal merece respeito pela história que carrega como radialista, já que as vezes ele dá a entender que está viajando em outro mundo.
Charge do Fino

Mistério da Semana
Qual é o deputado distrital que vai disputar a reeleição por um partido cuja nominata não reúne candidatos com votos suficientes para ajudá-lo a renovar o mandato?
O parlamentar, que gosta de posar de “político correto”, moralista e independente, só conseguiu mudar de legenda nos acréscimos do segundo tempo. Nenhum partido o queria e, agora, pode morrer na praia por causa da própria arrogância e prepotência.
Quem é? Quem é? Quem é?
Mistéééério…
*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.
OBS: O conteúdo da coluna O Fino da Política é de uso exclusivo deste portal e de outros que foram expressamente autorizados. É proibida a sua reprodução total ou parcial para fins jornalísticos, publicitários e quaisquer outras sem a devida autorização.
Acompanhe o Expressão Brasiliense pelas redes sociais.
Dá um like para o #expressaobrasiliense na fanpage do Facebook.
Siga o #expressaobrasiliense no Instagram
Inscreva-se na TV Expressão, o nosso canal do YouTube.
Receba as notícias do Expressão Brasiliense pelo Whatsapp.












