Pela primeira vez desde o início da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) direciona a investigação para um aliado direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na nona fase da operação, o principal alvo é o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e ex-governador da Bahia.
A investigação apura supostas fraudes relacionadas ao Banco Master, além dos vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e da possível participação de Jaques Wagner no esquema investigado pela PF.
Em fases anteriores, a Operação Compliance Zero já havia atingido o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro.
Nesta nova etapa, a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Jaques Wagner. Outro alvo é o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e figura influente no cenário político e empresarial da Bahia.
Lima ganhou notoriedade após adquirir, em 2018, a rede de supermercados Cesta do Povo, antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada durante a gestão do ex-governador Rui Costa, atual ministro da Casa Civil.
O empresário também foi responsável pela implementação do Credcesta, sistema de crédito consignado destinado a servidores públicos baianos. Posteriormente, o modelo foi incorporado às operações do Banco Master.
Augusto Lima chegou a ser preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado. No entanto, foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e não voltou a ser alvo das fases seguintes da investigação.
Segundo apuração da Polícia Federal, Lima também teria participação na controversa operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A PF investiga possíveis irregularidades na negociação e suas conexões políticas.
Nos bastidores da política baiana, o escândalo envolvendo o Banco Master provocou um raro consenso entre grupos rivais. Lideranças ligadas a Jaques Wagner e ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) teriam evitado explorar politicamente o caso durante o período eleitoral.
Em março, ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora de recursos Reag, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia afirmou que os valores correspondem à prestação de serviços de consultoria.
Foto: Reprodução/Google Imagens
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