Mesmo sem apresentar candidato a vice-governador, sem definir os nomes que disputarão o Senado e ainda enfrentando o obstáculo da inelegibilidade, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) oficializou neste sábado (1º) sua candidatura ao GDF.
A convenção foi realizada em conjunto com o Avante, presidido no Distrito Federal pelo ex-senador Gim Argello, reunindo lideranças que, ao longo dos últimos anos, também enfrentaram investigações e processos judiciais. O evento também evidenciou a falta de apoio ao projeto de Arruda devido a pouca quantidade de apoiadores.
O lançamento da candidatura ocorre sob forte insegurança jurídica. Atualmente, Arruda permanece inelegível devido ao conjunto de condenações em decorrência da operação Caixa de Pandora, que o tirou do Buriti, e depende de uma reversão judicial para ter o registro de candidatura deferido pela Justiça Eleitoral.
O julgamento no STF sobre as alterações na Lei da Ficha Limpa está parado. Arruda também depende de uma definição quanto a aplicabilidade da mudança, que segundo ele o beneficiaria.
Enquanto não houver decisão favorável, sua permanência na disputa segue incerta, tornando a campanha uma aposta de alto risco para o PSD.
A ausência de definições para a vaga de vice-governador e para as candidaturas ao Senado também chamou atenção durante a convenção. A chapa majoritária foi apresentada de forma incompleta, sinalizando que a Arruda não consegue construir alianças e aguarda o desenrolar da situação jurídica antes de consolidar seu projeto eleitoral.
A convenção conjunta com o Avante reforçou a aliança entre Arruda e Gim Argello, que já foi condenado no âmbito da Operação Lava Jato, embora posteriormente tenha obtido decisões judiciais que alteraram parte de sua situação processual.
O encontro também reuniu outras figuras conhecidas da política local que, em diferentes momentos, foram alvo de investigações ou responderam a processos na Justiça, reforçando a imagem de um grupo formado por antigos protagonistas da política do Distrito Federal, que já tiveram a experiência que ver o sol nascer quadrado.
Se, do ponto de vista jurídico, a candidatura enfrenta um cenário de incertezas, no campo político o desafio não é menor. Arruda inicia a corrida eleitoral carregando uma elevada rejeição entre parcela significativa do eleitorado do Distrito Federal.
A lembrança da Caixa de Pandora, que revelou um amplo esquema de corrupção envolvendo integrantes de seu governo, continua sendo um dos principais obstáculos para sua tentativa de retorno ao Palácio do Buriti.
As imagens do então governador recebendo dinheiro de aliados políticos e os desdobramentos da investigação marcaram profundamente a história política do Distrito Federal. O episódio resultou na prisão de Arruda, em sua renúncia ao mandato e em diversos processos judiciais. O impacto político do escândalo permanece presente na memória de muitos eleitores.
Pesquisas de opinião divulgadas nos últimos meses indicam que Arruda figura entre os nomes com maior índice de rejeição na disputa pelo GDF, refletindo a dificuldade de dissociar sua imagem dos escândalos que marcaram sua administração.
Para analistas políticos, além de vencer a batalha nos tribunais, o ex-governador terá de enfrentar um desafio ainda maior: convencer um eleitorado que ainda associa seu governo a um dos períodos mais conturbados da história política da capital do país.
Sem segurança jurídica, sem chapa majoritária completa e convivendo com o peso de um passado marcado por sucessivos escândalos, Arruda inicia sua caminhada eleitoral cercado de incertezas.
A principal dúvida que paira sobre sua campanha é dupla: se conseguirá superar o obstáculo da inelegibilidade e, caso consiga, se o eleitor do Distrito Federal estará disposto a lhe conceder uma nova oportunidade nas urnas.
Foto: Reprodução/Google Imagens
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