• 5 de dezembro de 2020

SUJEIRA NO CONGRESSO | PF faz buscas no Congresso em operação que investiga líder do governo no Senado e seu filho deputado federal

A Polícia Federal iniciou uma operação no Congresso Nacional nesta quinta-feira (19) para investigar o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo do presidente Jair Bolsonaro no Senado. Os mandados de busca e apreensão também têm como alvo o filho do senador, o deputado Fernando Bezerra Filho (DEM-PE).

A operação, que se embasou em delação premiada do doleiro João Lyra, tenta cumprir mais de mais de 50 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso.

As denúncias falam em irregularidades em obras no Nordeste, como a transposição do Rio São Francisco, no período em que Bezerra foi ministro da Integração, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Buscas por documentos e arquivos digitais foram feitas no gabinete do senador, na Câmara dos Deputados e também em cidades como Recife e Petrolina, em Pernambuco, e João Pessoa, na Paraíba. Em Recife, testemunhas viram carros da PF em frente ao imóvel de Bezerra Coelho em Boa Viagem, área nobre na orla da capital pernambucana.

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Por meio de nota, o advogado de Bezerra Coelho, André Callegari, afirmou que as medidas se referem a “fatos pretéritos” e que a justificativa seria a “a atuação política e combativa do senador”.

“Causa estranheza à defesa do senador Fernando Bezerra Coelho que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”, diz a defesa.

Na nota referente a Bezerra Filho, o advogado André Callegari afirmou que “causa estranheza” a decretação de medidas cautelares de “fatos pretéritos sem contemporaneidade”. Para ele, as medidas são “desnecessárias”.

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“A defesa ainda não teve acesso ao pedido e à decisão do ministro que autorizou as medidas, mas pode afirmar que as medidas são desnecessárias e extemporâneas”, diz a nota.

Líder do governo alvo de inquéritos

Fernando Bezerra Coelho assumiu a liderança do governo do presidente Jair Bolsonaro em fevereiro, no início do ano legislativo. A escolha dele foi uma tentativa de aproximação com o MDB, partido de maior bancada no Senado.

À época, Bezerra era alvo de três inquéritos que correm na primeira instância judicial — um da Lava Jato e dois desdobramentos da operação.

Em dezembro de 2018, a Segunda Turma do Supremo rejeitou, por 3 votos a 2, uma denúncia contra Bezerra Coelho na Lava Jato. O senador foi acusado de pedir e receber propina de R$ 41,5 milhões entre 2010 e 2011 das construtoras Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa. Na época, ele era secretário no governo de Eduardo Campos, em Pernambuco. Bezerra nega as irregularidades.

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(G1)

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