A governadora Celina Leão (PP) entrou diretamente na articulação para evitar a greve dos rodoviários do Distrito Federal e mobilizou o governo, as empresas concessionárias e os demais atores envolvidos na negociação para impedir que a paralisação atingisse o transporte público justamente na última semana antes do primeiro turno.
O movimento acabou suspenso na noite de domingo (27), após uma rodada decisiva de negociações envolvendo o Sindicato dos Rodoviários, as empresas de ônibus, o GDF, a Procuradoria-Geral do DF e o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10).
O desfecho evidencia a capacidade de articulação política e institucional de Celina em um momento particularmente sensível da disputa eleitoral. Em vez de permitir que a ameaça de paralisação se transformasse em uma crise de grandes proporções para a população, a governadora atuou para aproximar as partes e buscar uma solução negociada.
O acordo garantiu 8% de reajuste salarial aos rodoviários e 10% de aumento no tíquete e na cesta-alimentação. Com o entendimento, a direção do sindicato orientou os trabalhadores a retornar normalmente às garagens e cumprir os horários habituais.
Uma greve que chegou às portas da eleição
A greve seria deflagrada exatamente uma semana antes da votação, em um momento de forte disputa pelo Palácio do Buriti. Celina questionou publicamente a oportunidade da paralisação e afirmou que não aceitaria uma pressão dessa natureza durante o período eleitoral.
O episódio ganhou dimensão política depois que o candidato do PT ao governo, Leandro Grass, participou de uma caminhada com rodoviários no Terminal da Asa Sul incitando a categoria à aderir a greve para atingir diretamente a sua adversária.
A disputa política por trás da paralisação
A proximidade entre a direção sindical e o PT-DF também entrou no debate eleitoral. Celina afirmou publicamente que o movimento tinha componente político e citou a filiação partidária do presidente do sindicato, além da ligação da entidade com a CUT.
O PT-DF, por sua vez, passou a atuar politicamente em defesa das reivindicações dos rodoviários, enquanto Grass aproveitou a mobilização para criticar a governadora durante a campanha. Está evidente que a greve tinha motivação política.
É nesse contexto que a paralisação passou a ser interpretada como uma tentativa de produzir desgaste político para Celina justamente na semana decisiva da eleição.
Celina articula e greve não acontece
Enquanto o embate político crescia, Celina concentrou esforços na negociação.
As empresas concessionárias também se posicionaram contra a paralisação e alertaram para os impactos que uma greve poderia provocar sobre trabalhadores, estudantes, pacientes, idosos e demais usuários do transporte coletivo.
A articulação avançou no domingo. O GDF, empresas e sindicato chegaram ao entendimento que encerrou a ameaça de paralisação, com participação da PGR-DF e do TRT-10 na construção institucional da solução.
O resultado foi direto: Brasília amanheceu nesta segunda-feira com os ônibus circulando normalmente.
Para Celina, o episódio representa uma demonstração concreta de capacidade de articulação. A governadora conseguiu reunir empresas, sindicato e órgãos públicos em torno de um acordo que retirou da pauta uma crise que poderia dominar o noticiário justamente nos últimos dias da campanha.
O desgaste que não aconteceu
Politicamente, o episódio tinha potencial para se transformar em um problema para o governo. Uma greve de ônibus, às vésperas da eleição, afetaria diretamente milhões de deslocamentos e colocaria a administração de Celina sob forte pressão.
Isso não aconteceu.
A atuação direta da governadora nas negociações ganha, portanto, peso na reta final da campanha. Ao invés de enfrentar uma crise instalada, Celina conseguiu construir uma saída negociada antes que a paralisação começasse.
No jogo político, o episódio também frustra a tentativa de transformar a greve em um fato capaz de dominar a pauta do noticiário na semana decisiva da eleição.
A greve não vingou. E a articulação de Celina foi determinante para que o problema saísse da pauta antes de chegar às ruas. O PT-DF e Leandro Grass começaram a última semana de campanha perdendo para a “Leoa”.
Foto: Reprodução/Google Imagens
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