• 9 de junho de 2026

Cármen Lúcia diz que caso do Banco Master não abalou credibilidade do STF e cobra fim de privilégios

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (8) que não considera o escândalo envolvendo o Banco Master como a maior crise da história da Corte. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast POD_i, apresentado pela jornalista Andréia Sadi, da GloboNews.

Segundo a ministra, o STF já enfrentou momentos institucionais mais graves ao longo de sua trajetória.

“Eu não acho que haja uma crise maior do que outras. O Supremo já viveu páginas muito importantes e muito graves. Nós conhecemos pouco da história do Judiciário”, afirmou.

Cármen Lúcia ressaltou que períodos de turbulência acabam sendo superados porque as instituições são maiores que seus integrantes.

“Supera-se tudo porque a instituição é maior do que as pessoas. Eu não acho que houve um divisor de águas na credibilidade do Judiciário sob a perspectiva da população”, declarou.

Caso Banco Master e ministros do STF

O caso envolvendo o Banco Master ganhou repercussão após a revelação de relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, e ministros do Supremo Tribunal Federal.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, Vorcaro firmou um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes. O ministro Dias Toffoli admitiu ser sócio de uma empresa que recebeu investimentos do empresário. Já o ministro Nunes Marques utilizou uma aeronave pertencente a uma empresa responsável pela administração do patrimônio de Vorcaro.

As revelações ampliaram o debate sobre transparência, ética e possíveis conflitos de interesse envolvendo integrantes da mais alta Corte do país.

Código de Ética do STF deve avançar ainda este ano

Durante a entrevista, Cármen Lúcia também afirmou que o parecer sobre o futuro Código de Ética do STF deverá ser concluído “muito antes” do fim de 2026.

A ministra revelou ter sido convidada pelo presidente da Corte, o ministro Edson Fachin, para relatar a proposta.

“Ser relator significa fazer um apanhado das ideias, articular alguma coisa e entregar para ele oferecer e discutir com os colegas. É o papel dele, como presidente, e ele tem se empenhado para isso”, afirmou.

Após a conclusão do parecer, o texto será discutido entre os ministros e, posteriormente, poderá ser submetido à votação no plenário do Supremo.

Cármen Lúcia critica penduricalhos e aposentadoria compulsória

A ministra também classificou como “gravíssima” a questão dos chamados penduricalhos no serviço público e defendeu mudanças no sistema de punições aplicadas a magistrados.

Para Cármen Lúcia, a aposentadoria compulsória com manutenção dos vencimentos integrais gera uma percepção negativa perante a sociedade e enfraquece a confiança da população nas instituições.

“Isto é ética. Essa decisão deve ser tomada porque, senão, o povo fica achando que está pagando duas vezes: por ele estar lá e porque errou. E, mesmo com a sanção, vai continuar pagando”, declarou.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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