O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o indiciamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de outros 14 investigados por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco de Brasília (BRB). A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (4).
Relator do caso no Supremo, Mendonça também determinou que a PGR analise, no mesmo prazo, o pedido da Polícia Federal (PF) para prorrogar as investigações por mais 60 dias.
Na semana passada, a PF concluiu um relatório parcial da primeira fase da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, Vorcaro teria participado diretamente de operações envolvendo carteiras de crédito irregulares negociadas entre o Banco Master e o BRB.
A Polícia Federal estima que as operações investigadas tenham provocado prejuízo de aproximadamente R$ 2,7 bilhões ao banco público de Brasília. Parte das perdas estaria relacionada à negociação de créditos inexistentes vinculados à empresa Tirreno, apontada pelos investigadores como uma empresa de fachada.
Polícia Federal pede mais prazo para concluir perícias
No despacho, Mendonça destacou que os trabalhos da Polícia Federal ainda não foram totalmente concluídos. Os investigadores solicitaram prazo adicional para analisar documentos e finalizar laudos periciais considerados essenciais para esclarecer as operações financeiras.
A continuidade das diligências deverá permitir a identificação dos fluxos financeiros, a comprovação dos fatos investigados e a definição da eventual responsabilidade individual dos envolvidos.
Defesa de Vorcaro contesta indiciamento e prisão
Daniel Vorcaro permanece preso preventivamente desde março de 2026, no Distrito Federal.
A defesa do ex-banqueiro questiona o indiciamento e sustenta que a Polícia Federal não apresentou provas periciais conclusivas de prejuízo ao BRB.
Os advogados também argumentam que as carteiras de crédito investigadas foram substituídas por outros ativos e que as operações teriam produzido resultados positivos para a instituição financeira brasiliense.
Além disso, a defesa contesta a manutenção da prisão preventiva e afirma que a demora na conclusão das investigações representa violação de direitos.
PGR terá que avaliar próximos passos da investigação
Com a decisão de André Mendonça, caberá à Procuradoria-Geral da República examinar o relatório apresentado pela Polícia Federal e se posicionar sobre a necessidade de continuidade das investigações.
O indiciamento não representa condenação nem significa, automaticamente, a abertura de uma ação penal. A eventual apresentação de denúncia dependerá da avaliação do Ministério Público sobre os elementos reunidos no inquérito.
Foto: Rosinei Coutinho/STF
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