• 5 de setembro de 2026

“Sabor Cachoeira”: Márcio Corrêa detona Wilder Morais, resgata elo com contraventor, Xandão e Messias e chama candidatura de “projeto falido”

A guerra dentro do PL de Goiás ganhou um novo e explosivo capítulo na noite de sexta-feira (4/9). O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), detonou o senador e candidato ao governo de Goiás, Wilder Morais (PL), e devolveu a provocação mencionando a trajetória política do correligionário e seus vínculos políticos.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Márcio respondeu à declaração de Wilder, que o classificou como político de “sabor direita”, com uma sequência ainda mais ácida: “sabor Cachoeira”, “sabor Moraes”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”.

“Podia ter citado aí ‘sabor Cachoeira’, ‘sabor Moraes’, ‘sabor Messias’, ‘sabor rabo preso’, ‘sabor preguiça’. Mas o seu sabor, senador, é sabor amargo da derrota, por essas atitudes”, disparou o prefeito.

A reação ocorreu após Wilder criticar Márcio Corrêa durante uma sabatina promovida pelo portal Mais Goiás.

“Sabor Cachoeira”

Ao citar “sabor Cachoeira”, Márcio resgatou um dos capítulos mais controversos da trajetória política de Wilder Morais: sua relação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Em gravações reveladas no âmbito da Operação Monte Carlo, Cachoeira atribui a si próprio participação direta na ascensão política de Wilder.

“Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu. Você sabe muito bem disso”, afirmou Cachoeira em uma das conversas.

Na mesma gravação, Wilder reconhece a importância do contraventor em sua trajetória.

“Pensa um cara que nunca teria, enfim, encontrado um governo, que nunca teria sido ‘merda’ nenhuma, cara. Você tá falando com esse cara”.

Em 2012, Wilder assumiu uma cadeira no Senado após a cassação de Demóstenes Torres.

“Sabor Messias” e Alexandre de Moraes

Márcio também explorou episódios que provocaram desgaste de Wilder dentro da própria direita.

A referência a “sabor Messias” remete à ausência do senador em uma votação no Senado envolvendo Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Supremo Tribunal Federal. Wilder não compareceu à sessão e, posteriormente, comemorou o resultado nas redes sociais, atitude que provocou críticas entre aliados.

Outro ponto sensível é a participação de Wilder, em 2017, na articulação pela indicação de Alexandre de Moraes ao STF. O senador chegou a promover, em sua embarcação no Lago Paranoá, um jantar entre Moraes e parlamentares responsáveis por analisar a indicação.

Anos depois, Alexandre de Moraes se tornaria o principal protagonista dos embates judiciais entre o Supremo e o bolsonarismo.

“Projeto falido” e “barco afundando”

Márcio Corrêa também atacou diretamente a campanha de Wilder Morais e acusou o senador de estar distante da população.

“Não vai pôr botina só no dia do debate, não, e ficar usando sapatinho caro no ar-condicionado. Vai pôr botina, trabalhar, dialogar com a população”, afirmou.

Em outro trecho, o prefeito classificou a candidatura do senador como um “projeto falido” e comparou a campanha a um “barco que está afundando”.

“Todo dia é um desembarcando por causa dessas atitudes imaturas”, declarou.

A troca pública de ataques ocorre semanas depois de Márcio Corrêa anunciar apoio à reeleição do governador Daniel Vilela. A decisão abriu uma crise no PL e resultou na abertura de um processo ético-disciplinar contra o prefeito de Anápolis.

Principal prefeito do PL em Goiás e comandante da terceira maior cidade do Estado, Márcio insiste que não abandonou a direita e mantém apoio a nomes como Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo.

“Enquanto eu fico trabalhando aqui pela população e, fora do horário, apoiando os candidatos verdadeiramente de direita, vai honrar esse partido”, provocou.

O embate deixa evidente que a disputa pelo governo de Goiás já ultrapassou a rivalidade entre partidos e passou a incendiar o próprio campo da direita. De um lado, Wilder Morais tenta sustentar sua candidatura ao Palácio das Esmeraldas. Do outro, Márcio Corrêa, aliado declarado do governador Daniel Vilela, decidiu transformar o conflito interno em guerra aberta.

E, pelo tom das declarações, a crise no PL de Goiás está longe de terminar.

Veja o vídeo completo:

Foto: Reprodução/Youtube


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