• 4 de setembro de 2026

Inelegível e impugnado, Arruda diz que vai recorrer ao TSE e debocha da Justiça: “Se eu tivesse matado alguém, já estaria livre”

Na manhã seguinte ao julgamento do pedido de registro de candidatura ao GDF, o ex-governador José Roberto Arruda convocou uma coletiva de imprensa para fazer o seu conhecido teatro diante das câmeras, luzes e microfones.

Desta vez, não teve choro como no episódio da violação do painel no Senado que veio à tona em 2001, e sim um Arruda que tentava aparentar serenidade, mas que, por dentro, demonstrava estar raivoso, magoado com o resultado do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), que, por unanimidade, indeferiu a sua candidatura.

Arruda anunciou que vai recorrer da decisão dos desembargadores do TRE-DF junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assim que o acórdão for publicado. “Não quero perder nenhum minuto, eu vou até o fim”, esbravejou. Segundo ele, os magistrados estão equivocados quanto à interpretação da legislação, principalmente após as mudanças propostas na LC 219/2025, que modifica os prazos de duração da inelegibilidade.

O ex-governador chegou a debochar da Justiça. “Se eu tivesse matado alguém, já estaria livre”, desdenhou José Roberto Arruda.

Ainda no entendimento do agora candidato impugnado do PSD ao GDF, os desembargadores não foram coerentes com as suas posições. Arruda acusou os magistrados de anularem as provas que havia contra ele em julgamentos anteriores e que isso fora esquecido para a análise do registro de candidatura.

Rodeado de aliados do PSD e do Avante, o ex-governador José Roberto Arruda aproveitou a ocasião para atacar a governadora Celina Leão (PP), que concorre à reeleição, e seu vice, o ex-secretário da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha (Republicanos). Arruda fez uma série de acusações contra a “Leoa” e Gustavo sem apresentar nenhuma prova, o que caracteriza e aponta o seu desespero, segundo avaliam analistas e estrategistas políticos.

O fato é que a Justiça Eleitoral tem até o dia 14 de setembro para julgar todos os registros de candidaturas, já com os recursos praticamente todos esgotados. No caso de Arruda, ele agora vai depender do TSE. Ainda não se sabe quando a Alta Corte Eleitoral irá se debruçar sobre o processo do ex-governador.

O esperneio de Arruda perante a imprensa foi uma tentativa bem tímida de se manter em evidência e vivo na disputa ao Buriti. Quem conhece José “Careca” Arruda sabe muito bem que fazer encenação e posar de vítima é a sua maior especialidade.

O problema é que o ex-governador quer que a Justiça finja que ele não tem seis condenações e varra toda a sujeira para debaixo do tapete, deixando-o livre para tentar voltar a tomar de conta do galinheiro como uma raposa felpuda. Esse é o seu desejo, mas o Judiciário foi criado justamente para resolver conflitos de forma definitiva e exigir o cumprimento da lei.

Só resta a ele torcer para que a publicação do acórdão ocorra antes do dia 14 de setembro e em tempo hábil para os ministros do TSE julgarem. Caso contrário, não tem choro nem reza. É melhor aceitar que dói menos. As urnas poderão ser lacradas sem a cara lisa e a careca lustrosa de José Roberto Arruda.

Foto: Reprodução/Instagram


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