Mais de 30 mil pessoas passaram pelo Setor Comercial Sul durante a primeira Virada Cultural do Sesc-DF, realizada no sábado (15) e no domingo (16). Com mais de 30 horas de programação gratuita e ininterrupta, a iniciativa transformou uma das áreas mais tradicionais de Brasília em um grande circuito de música, dança, humor, arte e economia criativa.
Durante dois dias, o Setor Comercial Sul ganhou outra rotina. Nove palcos espalhados pela região receberam atrações de diferentes estilos, enquanto o público também encontrou feira de economia criativa, apresentações de stand-up comedy, karaokê e performances artísticas.
A movimentação chamou a atenção justamente por ocupar um espaço que historicamente concentra atividades comerciais. A proposta do Sesc-DF foi unir cultura, convivência e ocupação urbana, apostando na revitalização de uma região que recebe cerca de 150 mil pessoas diariamente.
A programação reuniu atrações nacionais e artistas do Distrito Federal. Entre os destaques esteve a banda Fresno, que se apresentou no sábado e defendeu a realização de eventos gratuitos como forma de ampliar o acesso à cultura.
“Felizmente, a abertura de circuitos realizados pelo Sesc-DF, com shows gratuitos, democratiza muito o acesso”, afirmou Luca Silveira, vocalista da banda. O baterista Thiago Guerra também aprovou a iniciativa: “Que esse evento cresça e continue acontecendo por vários anos”.
Setor Comercial Sul vira palco durante a madrugada
A programação não ficou restrita ao período diurno. A festa avançou pela madrugada e manteve o público no Setor Comercial Sul até o amanhecer.
Samba, música eletrônica, hip-hop e outros ritmos se revezaram nos palcos, criando uma ocupação cultural que atravessou a noite. A diversidade da programação foi justamente um dos pontos destacados por artistas e participantes.
O DJ Chokolaty, referência da black music no Distrito Federal, ressaltou a força da produção cultural local.
“Estar nesse evento maravilhoso mostra o quanto nossa cultura é forte, com uma diversidade muito grande. O espaço público é nosso e precisamos usar!”, afirmou.
No domingo à noite, o encerramento ficou por conta dos irmãos Marcos Ruback e Lucas Ruback, do Dubdogz. A dupla levou música eletrônica ao palco e colocou o público para dançar.
“Acho muito legal essa iniciativa do Sesc e ter outros palcos. São vários estilos, com espaço para artistas regionais também, dando moral para todo mundo”, afirmou a dupla.
Cultura como estratégia para revitalizar Brasília
Além da programação artística, a Virada Cultural colocou em evidência a discussão sobre a ocupação do Setor Comercial Sul. A região, que já foi um dos principais polos comerciais da capital, recebe diariamente milhares de pessoas, mas enfrenta desafios relacionados à revitalização e à ocupação de seus espaços.
A proposta do Sesc-DF é utilizar a cultura como uma das ferramentas para fortalecer a presença da população e recuperar a vitalidade da região.
A programação também contou com a participação de festas tradicionais ligadas ao Setor Comercial Sul, como Samba da Tia Zélia, 5uinto, Play, Baila da Cabra e Makossa.
Na Feira Motim, dedicada à economia criativa, artesãos tiveram espaço para expor e comercializar seus produtos.
“É muito legal essa iniciativa do Sesc-DF. Na área da feirinha, temos vários artesãos expondo e vendendo seus trabalhos. É uma parte que a gente desfruta e pode consumir a cultura financeiramente, podendo ajudar outras famílias. Enfim, é um evento que fomenta a arte dentro do DF”, afirmou Thalita Rezende.
“É só o começo”, afirma diretor do Sesc-DF
O presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, destacou a importância de levar a programação para um dos espaços mais tradicionais de Brasília.
“O Sesc-DF está realizando essa Virada Cultural em um local tão importante para Brasília, que é o Setor Comercial Sul. E essa diversidade cultural, com mais de 30 horas de programação especial, mostra a força dessa iniciativa. Não há nada melhor, e o pessoal abraçou essa ideia”, afirmou.
Para o diretor regional do Sesc-DF, Valcides Araújo, a grande participação popular mostra que a iniciativa pode ter continuidade.
“Um trabalho impressionante dessa ocupação cultural no Setor Comercial Sul, uma das grandes referências comerciais de Brasília. É só o começo. No ano que vem tem mais”, declarou.
Com mais de 30 mil pessoas, nove palcos e mais de 30 horas de programação gratuita, a primeira Virada Cultural do Sesc-DF terminou deixando uma mensagem clara: o Setor Comercial Sul pode ser muito mais do que um centro comercial. Durante um fim de semana, o coração da região virou palco, praça, pista de dança e espaço de encontro para milhares de brasilienses.
Foto: Divulgação/Sesc-DF
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