Articulação de alianças e nominatas vão dominar a pauta no DF até as convenções partidárias

Chegou a hora da verdade para quem vive no meio político. O tão anunciado ano de 2026 começa, de fato, agora e já em clima pesado de pré-campanha eleitoral. Assim que terminar o período de férias deste mês, as articulações para fechar alianças e montar nominatas passam a dominar a pauta política no Distrito Federal.
O período é marcado por reuniões secretas, encontros “casuais” em cafés, bares e restaurantes e muito disse-me-disse nos bastidores. Conversas que, oficialmente, não existem, mas que movimentam gabinetes, partidos e interesses diversos até o limite do calendário eleitoral.
De acordo com a Justiça Eleitoral, os partidos terão entre o fim de julho e os primeiros dias de agosto para realizar suas convenções e oficializar alianças e candidatos às disputas proporcionais, Câmara dos Deputados e Câmara Legislativa, além das chapas majoritárias.
Antes disso, o jogo passa pela chamada janela partidária, quando detentores de mandato podem trocar de legenda sem risco de punição. É nesse momento que partidos crescem ou encolhem e que muitos projetos “coletivos” revelam seu real tamanho.
Também entra no radar a data-limite para a desincompatibilização de quem ocupa cargos públicos e pretende disputar as eleições. É o caso do governador Ibaneis Rocha, que deixará o comando do GDF para Celina Leão com o objetivo de disputar uma das duas vagas ao Senado.
Hoje, alguns partidos e grupos políticos até ostentam acordos pré-firmados. Mas, no mundo real da política, só há certeza depois que a ata da convenção é registrada. Até lá, tudo pode mudar, inclusive alianças dadas como certas.
A partir de agora entram em cena aqueles que realmente mandam na política brasiliense. Os cavalos-paraguaios começam a cair e quem vinha apenas encenando uma candidatura tende a desistir.
Quem tem capital político, dependendo do tamanho, passa a ser cortejado ou descartado pelos dirigentes. Já os líderes partidários enfrentam a missão ingrata de separar quem tem discurso de quem, de fato, tem voto quando as urnas se abrirem em 4 de outubro.
Quem realmente é da política sabe que, a partir daqui, cada passo passa a ser calculado milimetricamente para evitar erros ou frustrações lá na frente.
Bem-vindo a 2026. O jogo começou para os profissionais e terminou para os amadores.
Valdemar ainda não bateu o martelo sobre candidatura de Bia Kicis ao Senado

Apesar da euforia da deputada federal Bia Kicis e de seus assessores, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ainda não confirmou se a legenda lançará a parlamentar como candidata ao Senado pelo Distrito Federal, independentemente de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disputar ou não a vaga pela sigla. A indefinição tem mais a ver com a estratégia nacional do partido do que com o desempenho local da deputada.
No PL, há quem defenda que a decisão seja tomada logo, com o anúncio do apoio à candidatura de Celina Leão ao GDF e de Michelle Bolsonaro e Ibaneis Rocha ao Senado, garantindo musculatura política para os filiados da legenda que disputarão vagas na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa.
Embora Bia seja um nome fiel ao bolsonarismo raiz e tenha potencial de voto ideológico consolidado, sondagens internas junto ao eleitorado brasiliense indicam que, caso Michelle deixe a disputa, não há transferência automática de votos para a deputada.
Além disso, há outro fator que pesa na balança. Valdemar Costa Neto quer manter o PL como a maior bancada da Câmara dos Deputados. Nessa conta entram as duas cadeiras conquistadas pelo DF na última eleição, com Bia Kicis e Alberto Fraga.
Fontes da legenda relatam que, sempre que questionado sobre o futuro político de Bia, Valdemar desconversa. Não confirma nem descarta. Limita-se a dizer: “vamos decidir mais à frente”.
Quem conhece Valdemar Costa Neto sabe que ele joga parado. Acompanha pesquisas, avalia alianças e mede, com cuidado, o impacto de cada movimento no projeto nacional do partido.
Até lá, a pré-candidatura de Bia Kicis ao Senado segue no campo do “talvez”. A deputada evita se manifestar diretamente sobre o tema, deixando que assessores falem por ela e chegando, inclusive, a confrontar a imprensa numa tentativa de intimidar jornalistas quando a notícia não agrada ao grupo.
Fake News contra Fred Linhares expõe Luís Miranda ao ridículo

A tentativa do ex-deputado federal Luís Miranda de manchar o trabalho do deputado Fred Linhares na Câmara dos Deputados acabou produzindo um efeito colateral previsível e reforçou a máxima de que, na política, a mentira tem perna curta e cobra seu preço.
Miranda usou as redes sociais para insinuar que Fred teria acumulado 119 ausências no plenário no ano passado. Acostumado a encenações espalhafatosas diante das câmeras, o ex-parlamentar não percebeu que, no próprio material divulgado, constavam apenas duas faltas e 119 presenças do deputado.
A investida fez com que Luís Miranda fosse exposto ao ridículo e passasse a ser visto, nos bastidores, como um verdadeiro fanfarrão ou ‘bobo da corte’. A ofensiva foi mal calculada, mal executada e rapidamente desmentida, pois bastava ampliar o ‘print’ divulgado para confirmar a fake news.
Aliados de Fred Linhares avaliam que o episódio acabou fortalecendo a imagem do parlamentar, ao evidenciar seu compromisso com o mandato e com o trabalho legislativo, independente de também continuar trabalhando como radialista e apresentador de TV.
Já Miranda, que apostou no ataque e no barulho, saiu muito menor do que entrou. Em vez de protagonismo, virou chacota em Brasília. O que ninguém conseguiu entender foi o que o levou a tomar tal atitude, considerando que ele anunciou que pretende disputar uma vaga de deputado distrital pelo nanico PMB, partido comandado por sua esposa, figura sem trânsito político e que ocupa o cargo apenas como figurante segundo as más línguas.
Nos bastidores, a avaliação é de que o ex-deputado está desesperado por holofotes. E, pelo andar da carruagem, seu projeto para 2026 tende a naufragar, já que nem mesmo antigos aliados demonstram interesse na reaproximação. Uma vez traíra, sempre traíra.
Nas ondas do Rádio
- Conforme noticiamos no ano passado, a audiência do público brasiliense que consome informação e música pelo rádio segue alta e despertou o interesse de grandes redes do país. Nos próximos dias, o DF passa a contar com mais duas emissoras: Massa FM e Rádio Rock.
- Quem assumiu o protagonismo entre as rádios regionais de Brasília foi a JK FM. A emissora do Sistema de Rádios Paulo Octávio (SRPO), que também abriga a Mix FM, fechou 2025 no Top 3 de audiência no DF, consolidando-se como líder entre as rádios locais. A JK FM tomou o espaço da Atividade FM, do lendário Vigão, que por anos liderou a audiência regional, mas hoje enfrenta queda consistente e luta para retornar ao grupo das cinco mais ouvidas da capital. No ranking geral, a JK ficou atrás apenas de duas gigantes nacionais: Clube FM e Jovem Pan. Parabéns a equipe da JK FM.
Frase do Fino
“Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição”, Simon Bolívar (1783 – 1830), militar venezuelano e Libertador das Américas.
Mistério da Semana
Qual é o administrador regional que está armando o bote contra o próprio padrinho político e vai concorrer contra ele nas urnas em outubro? Quem é? Quem é? Quem é? Mistéééério…
*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.
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