• 7 de novembro de 2026

Flávio Bolsonaro diz que Trump o acolheu nos EUA por considerar que Brasil não é “democracia plena”

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República em 2026, afirmou que foi acolhido nos Estados Unidos porque o presidente norte-americano, Donald Trump, estaria convencido de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena.

A declaração foi feita em entrevista ao jornal The Washington Post, publicada neste sábado (7). A conversa ocorreu na quinta-feira (5), em Aventura, cidade localizada ao norte de Miami, na Flórida.

Segundo Flávio Bolsonaro, Trump considera que as instituições democráticas brasileiras estão comprometidas. O senador também atacou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmando que ele “não sabe do que está falando” ao classificar como justo o resultado das eleições presidenciais.

O parlamentar voltou a questionar o funcionamento das instituições brasileiras, mas não apresentou provas de irregularidades no processo eleitoral.

Flávio Bolsonaro relata despedida de Jair Bolsonaro antes de deixar o Brasil

Durante a entrevista, Flávio revelou detalhes de seu último encontro com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes de deixar o país.

“Meu pai olhou para mim, com lágrimas em seus olhos, e disse: ‘Você já sabe onde isso vai chegar’. Eu disse a ele que eu sabia, e que eu sabia o que tinha que fazer”, relatou o senador.

Questionado sobre as circunstâncias de sua saída do Brasil, Flávio evitou revelar detalhes e afirmou que sua prioridade é regularizar a situação migratória nos Estados Unidos.

O senador disse que ainda considera prematuro tomar decisões definitivas sobre seu futuro político e pessoal.

Governo Trump acolheu família Bolsonaro por razões humanitárias

De acordo com o Washington Post, Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas, de 12 e 14 anos, foram recebidos pelo governo Trump por razões consideradas humanitárias.

O presidente norte-americano teria autorizado a permanência do senador nos Estados Unidos pelo tempo que desejar.

O jornal destaca, entretanto, que ainda existem dúvidas sobre eventuais questionamentos dos democratas, fortalecidos após as eleições legislativas de meio de mandato.

A reportagem também descreve o impacto emocional da saída do Brasil sobre Flávio, que enfrenta dificuldades com o idioma inglês e incertezas sobre seu futuro.

Polícia investiga suposta ajuda internacional na saída de Flávio Bolsonaro

Outro ponto de repercussão da reportagem envolve a possível participação de agentes estrangeiros na saída do senador do território brasileiro.

Segundo uma fonte de alto escalão do governo brasileiro, ouvida anonimamente pelo Washington Post, investigadores apuram se uma rede envolvendo agentes dos Estados Unidos, Argentina e Israel teria auxiliado Flávio Bolsonaro.

A fonte também afirmou que um ex-integrante do serviço de inteligência israelense Mossad teria acompanhado o veículo utilizado pelo senador em direção à fronteira com a Argentina.

As suspeitas relatadas pelo jornal não foram acompanhadas de provas públicas que confirmem a participação desses agentes.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou envolvimento direto do governo dos Estados Unidos na operação.

“O governo dos Estados Unidos não esteve diretamente envolvido em nenhum dos movimentos que foram feitos”, declarou Rubio, segundo a publicação.

Futuro político de Flávio Bolsonaro permanece indefinido

A permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos ocorre em meio aos desdobramentos políticos e judiciais posteriores à eleição presidencial de 2026.

O Washington Post menciona uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo o senador e descreve o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um adversário de longa data da família Bolsonaro.

A reportagem também aborda a situação judicial de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.

Sem anunciar os próximos passos, Flávio Bolsonaro sinalizou que pretende resolver inicialmente sua situação migratória antes de decidir como dará continuidade à atuação política fora do Brasil.

Com informações atribuídas ao The Washington Post.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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