Um dos primeiros desafios que a governadora Celina Leão (PP) terá que encarar quando retornar ao batente, depois de tirar alguns dias de descanso após as eleições, será conversar com os deputados distritais da base aliada, tanto da atual legislatura quanto da próxima, que se inicia no dia 6 de janeiro do ano que vem, para evitar que a disputa pela presidência da Câmara Legislativa do DF (CLDF) acabe respingando sobre seu governo.
Os parlamentares da CLDF estão se movimentando para definir quem irá comandar a Casa no próximo biênio. Apesar de assessores e interlocutores defenderem que esse não seria o momento para tratar desse assunto, a disputa já está acontecendo. Atualmente, existem dois pré-candidatos interessados no cargo de presidente: o atual presidente, deputado Wellington Luiz (MDB), e Eduardo Pedrosa (União). Ambos são aliados de Celina.
Cada um conquistou apoios entre os colegas. Wellington sinaliza que tem o apoio de distritais do seu partido, o MDB, do PP, sigla da governadora, e de um parlamentar do Republicanos, agremiações que integram a base da governadora, além de parlamentares de legendas da oposição, como o PT, PSOL e PSB. Já Eduardo Pedrosa conta com o seu voto e mais cinco de distritais do PL. Em números, Wellington Luiz diz que tem 14 votos e Pedrosa, seis. Isso contando com os votos de cada pré-candidato.
Embora a escolha do presidente da CLDF seja uma prerrogativa única e exclusiva dos distritais, a “Leoa” sabe que o embate pode gerar rusgas e ruídos entre os parlamentares da base, a ponto de criar um racha, mesmo que silencioso, entre eles e prejudicar as pautas de votação de interesse do GDF.

Segundo fontes, o objetivo da governadora é evitar que os distritais acabem celebrando acordos com a oposição que, mais à frente, possam prejudicar o bom andamento de sua administração. A “Leoa” sabe muito bem como funcionam as coisas na CLDF. Ela já presidiu a Casa e tem consciência de que uma base insatisfeita ou com rachas e disputas internas por poder termina impactando os trabalhos do Executivo.
Nos bastidores, a expectativa é de que Celina consiga apaziguar os ânimos sem interferir diretamente no processo eleitoral da Mesa Diretora e das comissões permanentes da CLDF. Habilidade e traquejo político para isso a governadora tem de sobra.
Interlocutores e fontes apostam que Celina Leão pode influenciar para que os 17 deputados distritais eleitos para a próxima legislatura, que são considerados da base, cheguem a um denominador comum e encontrem a melhor solução tanto para a CLDF como para o governo da “Leoa”, sem precisar da oposição.
O melhor dos mundos para Celina seria ter, do outro lado da Praça do Buriti, uma Mesa Diretora na CLDF só com os aliados, sem dar brecha para os esquerdistas. Ainda mais depois da experiência vivida nos últimos quatro anos com o PT comandando a comunicação do parlamento distrital, beneficiando-se indiretamente do poder que detinha nas mãos.
Afinal, nenhum chefe de um Executivo, seja aqui ou em qualquer outro estado ou município, gosta de ter a oposição se beneficiando da estrutura de comunicação de um parlamento para servir de instrumento para a promoção de futuros candidatos e ter poder de influência no mercado da comunicação.
Tudo indica que a Celina vai pôr alguns pingos nos “is” nos próximos dias. Vamos ficar atentos.
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