O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duras críticas à condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2026. Em manifestação nas redes sociais, na noite de segunda-feira (2/11), o magistrado questionou a postura de quem comanda a Justiça Eleitoral e alertou para os riscos de omissões e demora na tomada de decisões.
Embora não tenha citado nomes, as declarações foram interpretadas como um recado ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, cuja atuação no segundo turno da eleição presidencial foi alvo de questionamentos, especialmente após a controvérsia envolvendo a prorrogação do horário de votação.
“De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, escreveu Gilmar Mendes.
Na sequência, o ministro fez a afirmação mais contundente da publicação:
“Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros.”
Gilmar Mendes alerta para riscos de omissão na Justiça Eleitoral
Na avaliação do decano do STF, a falta de respostas rápidas e claras por parte das autoridades eleitorais pode provocar conflitos institucionais, abrir espaço para decisões contraditórias e alimentar questionamentos sobre a legitimidade das eleições.
Gilmar destacou que a demora na resolução de questões relevantes pode obrigar outras instâncias judiciais a intervir em situações que deveriam ser solucionadas pela própria Justiça Eleitoral.
O ministro também reconheceu a atuação do conjunto de integrantes do TSE na garantia da normalidade democrática durante a disputa presidencial.
“Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, afirmou.
Demora de Nunes Marques no segundo turno gerou controvérsia
As críticas surgem poucos dias após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e conquistou seu quarto mandato.
No dia da votação, denúncias de dificuldades no transporte público em diferentes cidades levaram as campanhas de Lula e Flávio a solicitar a ampliação do horário de funcionamento das seções eleitorais, das 17h para as 19h.
A ausência de uma decisão de Kassio Nunes Marques em tempo hábil levou o PT a recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
Coube ao ministro Cristiano Zanin determinar a prorrogação da votação. Entretanto, a decisão foi divulgada quando o encerramento do pleito já estava próximo, provocando dificuldades na aplicação da medida, uma vez que diversas urnas já haviam sido fechadas.
A determinação acabou sendo posteriormente referendada pelo comando do TSE, mas a controvérsia ampliou as tensões entre as campanhas presidenciais.
Polêmica foi explorada por Flávio Bolsonaro após derrota
O episódio também passou a integrar o discurso de Flávio Bolsonaro, que questionou a condução do processo eleitoral após perder a disputa para Lula.
O senador utilizou a intervenção de Cristiano Zanin para levantar suspeitas sobre a votação, sem apresentar provas de fraude.
Apesar da controvérsia, os números divulgados pela Justiça Eleitoral indicam que a prorrogação não teve impacto capaz de alterar o resultado da eleição.
Segundo dados do TSE, aproximadamente 34 mil votos foram registrados depois das 17h, enquanto a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro ultrapassou 4 milhões de votos.
A Justiça Eleitoral afastou as alegações de fraude e reafirmou a legitimidade do resultado das urnas.
Declaração expõe divergências sobre atuação do TSE
A manifestação de Gilmar Mendes acrescenta um novo capítulo às discussões sobre o papel da Justiça Eleitoral em uma eleição marcada pela polarização política.
Ao defender que o comando do TSE deve atuar com imparcialidade, firmeza e rapidez, o decano do Supremo colocou em evidência a responsabilidade institucional de seus dirigentes diante de situações capazes de comprometer a confiança da população no processo democrático.
O recado político e institucional é significativo: mesmo sem mencionar Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes deixou claro que a estabilidade das eleições exige mais do que decisões colegiadas. Também depende da capacidade de liderança e da atuação tempestiva de quem preside a Justiça Eleitoral.
A manifestação reforça o debate sobre a condução do TSE e os limites da atuação de seus dirigentes em momentos de elevada tensão política.
Foto: Reprodução/Google Imagens
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