O anúncio feito pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), nesta terça-feira (13), em suas redes sociais, de que conseguiu as 171 assinaturas necessárias para requerer a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Banco Master, na Câmara dos Deputados, caiu como uma bomba na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Nos bastidores, desde o início do recesso parlamentar, uma articulação capitaneada pelas cúpulas do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) vinha sendo conduzida para evitar a instalação de uma CPI destinada a apurar as supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, que vão muito além da negociação de títulos falsos repassados ao Banco de Brasília (BRB).
A estratégia era simples: esfriar o assunto durante as férias e garantir que, no retorno das atividades legislativas, ninguém mais falasse em CPI em nenhuma das duas Casas do Congresso. Rollemberg chegou, inclusive, a ser enquadrado por emissários do Planalto e por dirigentes do próprio PSB, mas ignorou as pressões e decidiu seguir em frente.
Pesou também o fato do deputado carregar um desgaste político em Brasília, após uma gestão amplamente criticada no Distrito Federal, que lhe rende a alcunha de ‘pior governador da história’, e de só ter retornado à Câmara graças a uma articulação jurídica envolvendo o Judiciário. Livre de compromissos com o atual sistema de poder, Rollemberg resolveu bancar o confronto.
O resultado é que a CPI do Banco Master voltou ao centro do debate público, exatamente o que as cúpulas dos Três Poderes tentavam evitar. Na prática, Rollemberg apertou o botão do “f0d@-se” e colocou o sistema político em uma sinuca de bico.
O caso do Banco Master, como já apontado, vai muito além da relação comercial com o BRB. Investigações da Polícia Federal indicam que dirigentes da instituição financeira presos mantinham relações profundas com o alto escalão da República. A PF quer saber até onde iam os tentáculos do banco e como Vorcaro e seus comparsas usavam esse poder junto aos políticos para influenciar no sistema financeiro do país.
Segundo a PF, a teia de relações políticas do Banco Master atravessa todos os Poderes. O CEO da instituição, Daniel Vorcaro, teria livre trânsito em diferentes esferas do poder, do Executivo ao Judiciário.
O banco chegou a contratar como consultores nomes que, ao mesmo tempo, orbitam o entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como Henrique Meirelles, Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, este último dizem em Brasília ter deixado o Ministério da Justiça em razão do vínculo com a instituição financeira.
Além disso, o Banco Master manteve contratos com escritórios de advocacia e realizou negócios com empresas ligadas a ministros do STF. No campo político, suas relações se estendem por governos estaduais, prefeituras, parlamentares e partidos, incluindo o PT de Lula, em especial o diretório da Bahia, que hoje ocupa cargos de destaque no Planalto, como os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Sidônio Palmeira, da Secom/PR.

Agora, resta saber se o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), atenderá à cobrança pública feita por Rollemberg para instalar a CPI. O deputado paraibano é citado entre os políticos influentes próximos a Vorcaro. Mesmo com o Congresso de férias, o clima ficou tenso com a notícia.
No Planalto, Rollemberg já passou a figurar na lista dos “traidores”. Tudo o que Lula e sua turma não queria era ter outra CPI no Congresso desgastando o seu governo.
Como decidiu desafiar o Planalto, o Congresso e o STF, Rodrigo Rollemberg pode pagar um alto preço pela trairagem. Nos bastidores já é dado como certo que, o ex-governador não contará com qualquer apoio de Lula e de sua base política em seus projetos para este ano. Ironia ou não, foi justamente uma manobra jurídica com o apoio do presidente petista que garantiu sua volta ao Congresso.
Foto: Desenvolvida por IA
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