• 30 de outubro de 2026

Por que a esquerda do DF não cobra Lula pelo FCDF em vez de posar para fotos?

A polêmica envolvendo o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) levanta uma pergunta que os parlamentares brasilienses ligados à esquerda precisam responder: se a mudança que ameaça os recursos do Fundo partiu do governo Lula, por que a cobrança política não é dirigida diretamente ao presidente petista?

É a terceira vez, durante o governo Lula 3, que propostas são apresentadas com o objetivo de atingir o FCDF. Nas duas primeiras, em 2023 e 2024, as mudanças não prosperaram. Desta vez, a alteração avançou por meio de uma emenda incluída na reta final da tramitação do chamado PLP dos Combustíveis, posteriormente sancionado pelo presidente.

A nova trava fiscal pode representar uma perda estimada em R$ 1,8 bilhão para o Fundo em 2027. Dinheiro que faz diferença no custeio da segurança pública, da saúde e da educação do Distrito Federal.

E onde estavam os parlamentares brasilienses durante a votação? A bancada deixou a mudança avançar e agora corre atrás de uma solução. A pergunta é inevitável: faltou atenção ao que estava sendo votado? Ou estavam todos preocupados com a campanha e em garantir mais quatro anos de poder?

É inegável que a bancada do DF na Câmara dos Deputados também tem a sua parcela de culpa nessa história. Dos oito parlamentares que fazem parte da atual legislatura, apenas dois votaram contra a proposta: Bia Kicis e Alberto Fraga, ambos do PL. Os demais votaram a favor, conforme consta no site da Câmara.

No conjunto da Câmara, o substitutivo foi aprovado por 318 votos favoráveis, 113 contrários e uma abstenção. A orientação do governo Lula foi pelo voto favorável.

Na última quinta-feira (29), o episódio ganhou mais um capítulo com a reunião de parlamentares da atual e da próxima legislatura com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em busca de uma saída para preservar o FCDF.

Entre os envolvidos na mobilização estão nomes da esquerda, como Erika Kokay (PT), Agnelo Queiroz (PT) e Fábio Félix (PSol).

A reunião é legítima. Foi articulada pelo vice-governador eleito, Gustavo Rocha, que é do mesmo partido que Hugo Motta, o Republicanos.

Foto: Reprodução/Instagram

Chama a atenção a ausência de uma cobrança pública igualmente contundente ao presidente Lula, cujo governo defendeu a mudança nas regras fiscais.

Afinal, por que procurar Hugo Motta e não exigir também uma solução de quem ocupa o Palácio do Planalto?

O governo federal apresenta a medida como parte do esforço para controlar as despesas públicas. Mas o FCDF não é um favor concedido à capital federal. É um instrumento de financiamento de obrigações constitucionais da União com a capital da República.

E é justamente por isso que a atuação dos representantes do DF precisa ir além das articulações de gabinete e das fotografias divulgadas nas redes sociais.

Se os parlamentares, principalmente os esquerdistas, querem demonstrar compromisso com Brasília, precisam esclarecer quais cobranças fizeram ao governo Lula e que providências concretas estão defendendo para reverter a mudança.

Porque, enquanto o FCDF corre o risco de perder R$ 1,8 bilhão, fotografia não paga salário de policial, não mantém hospital funcionando e não garante escola aberta.

A esquerda brasiliense tem todo o direito de posar para fotos com Hugo Motta. Mas também precisa explicar como pretende cobrar Lula, responsável pela proposta que vai prejudicar a todos nós, brasilienses.

No fim das contas, a questão não é quem aparece melhor na fotografia. É quem consegue entregar uma solução. O GDF está trabalhando para evitar que a população pague o preço.

Porque defender Brasília diante das câmeras é fácil. Difícil é fazer a cobrança chegar ao gabinete de quem assinou a lei. A esquerda brasiliense precisa emparedar o seu líder máximo. Ou, senão, que deixe a hipocrisia de lado e assuma que está adorando a sacanagem que Lula fez com a saúde, segurança e educação.

Charge/Capa: Desenvolvida por IA


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