100 dias de Bolsonaro e Ibaneis

Por José Fernando Vilela

Os primeiros 100 dias à frente de um governo é sempre um desafio que tira o sono de qualquer mandatário. Decidir pelos outros e influenciar direta e indiretamente em suas vidas, não é uma tarefa fácil. Dependendo do cenário, ao sentar na cadeira de comando, o escolhido por meio do voto pode ser elevado ao céu ou descer ladeira abaixo. Jair Bolsonaro e Ibaneis Rocha assumiram seus cargos diante de expectativas parecidas. O Brasil vinha de uma gestão conturbada e atolada em escândalos de corrupção. E o DF, tinha um governante que não sabia administrar e era muito mal avaliado. Com isso, todas as esperanças de melhorias e mudanças foram depositadas no capitão e no advogado.  

Passada a euforia da posse e as tratativas para construir a base de aliados, o presidente e o governador de fato iniciaram seus governos. Cada um ao seu modo. Bolsonaro carrega com ele a vivência e a expertise de ser parlamentar por quase três décadas, que é bem diferente do que ser presidente. Ibaneis, por sua vez, ocupou cargos na OAB-DF chegando a presidi-la, mas nunca ocupou um cargo público ou político. Portanto, ambos estão aprendendo no exercício de seus mandatos como é estar do outro lado.

Ultrapassar a marca dos 100 primeiros dias é uma batalha que se quer vencer logo, independente de como os eleitores estão avaliando a gestão. Nesse período, fazer ajustes, voltar atrás de medidas anunciadas e reconhecer erros são ações comuns e naturais em governos que estão iniciando. 

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O presidente Bolsonaro vem lutando para mudar a forma de relacionamento que está enraizado entre o executivo e o parlamento. A resistência por parte de alguns partidos e seus líderes em deixar o modelo político do toma lá dá cá gera um certo receio se realmente esse governo vai conseguir vencer essa pauta. Os deputados dão demonstrações claras que não aceitam deixar de indicar seus aliados para ocupar espaços estratégicos na Esplanada. Prova disso foi a votação da PEC, de autoria do próprio Bolsonaro juntamente com o filho Eduardo, do orçamento impositivo que foi votada a toque de caixa com conotação de retaliação por parte dos parlamentares. Outra sinalização clara de que não estão completamente fechados com o capitão, foi quando aconteceu o “episódio do Tigrão e Tchuchuca”. Nenhum parlamentar da base saiu em defesa do ministro Paulo Guedes publicamente. Somente aqueles mais ligados à Bolsonaro o defenderam, os demais ficaram mudos. A oposição, com a ajuda de alguns insatisfeitos, não perde a chance de querer avacalhar a gestão do capitão. Porém, como o presidente utiliza as redes sociais para se comunicar com seu público, esses chiliques têm pouco impacto perante a opinião pública.

Já o governador Ibaneis, está lutando e vem sofrendo muito para arrumar a casa. O advogado tem atuado em várias frentes. Uma boa sacada de Ibaneis é divulgar Brasília lá fora em busca de mostrar que aqui não é um lugar que só vive de política. O Distrito Federal tem seus encantos e um povo que luta para fazer do Brasil um país melhor. Aos poucos ele vem resgatando o prestígio da capital perante os outros estados se tornando anfitrião de encontros entre governadores. Porém, o governador Ibaneis ainda não acertou a mão na saúde, quiçá seja pelos traidores que muita das vezes estão sentados à poucos metros de seu gabinete. Já passou da hora de passar a peneira e fazer um limpa no Palácio do Buriti e também em algumas administrações regionais. Outro detalhe importante é que tem administrador regional que está deixando muito a desejar e pouco tem feito, o que pode refletir na avaliação e percepção da população quanto à sua gestão.

O que se vê de concreto é que tanto Bolsonaro como Ibaneis estão buscando agir e trabalhar de maneira diferente dos seus antecessores. Mas, que estejam atentos aos falsos aliados e a falta de capacidade de alguns colaboradores. Que eles não tenham medo de arriscar e de repente errar, desde que saibam corrigir rapidamente. O político que não reconhece seus erros está fadado ao fracasso. Vivemos num momento crucial do ponto de vista político, econômico e social. É hora de virar a mesa e apagar as manchas herdadas do passado para que a história seja reescrita de maneira justa e correta. O atual modelo de sistema político não é o que precisamos e devemos deixar para as futuras gerações. Chega de tanta corrupção e “jeitinho” nesse país. 

José Fernando Vilela é jornalista, blogueiro e radialista.

Foto: Google Imagens 

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