• 16 de maio de 2026

Escolas públicas do DF registram melhora no rendimento dos alunos após proibir o uso do celular

Pouco mais de um ano após a entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas públicas do Distrito Federal, a medida já está incorporada à rotina de diversas unidades de ensino. Os impactos aparecem no desempenho escolar, na convivência entre estudantes e na organização do ambiente pedagógico.

Entre os exemplos de adaptação consolidada está o Centro Educacional Incra 8, na zona rural do DF. Com mais de mil alunos, entre 11 e 17 anos, do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, a escola reorganizou sua rotina para cumprir a legislação e ampliar o engajamento em sala de aula.

A estudante Camila Ambra Aires dos Santos, de 17 anos, relata melhora significativa no foco após a restrição ao uso do celular.

“Eu cheguei a pensar o que seria de mim sem o celular. Mas, na prática, foi bom. Meu rendimento aumentou e percebi mais as pessoas ao meu redor. Isso faz a gente questionar por que passava tanto tempo no celular”, afirma.

A secretária interina de Educação do DF, Iêdes Soares Braga, avalia positivamente os resultados.

“As escolas superaram os desafios iniciais e já observamos melhorias no ambiente de aprendizagem, com mais foco e participação dos estudantes”, destaca.

Adaptação nas escolas exigiu diálogo e novas estratégias pedagógicas

Durante o período inicial, houve resistência por parte dos alunos, o que exigiu ações pedagógicas e diálogo constante. Entre as estratégias adotadas estão:

  • incentivo à leitura;
  • atividades manuais;
  • jogos de tabuleiro;
  • estímulo à interação presencial.

A norma permite que os estudantes levem o celular para emergências no trajeto, mas proíbe o uso dentro da escola, salvo autorização da coordenação.

Segundo a diretora do CED Incra 8, Solange da Cunha Pereira, cerca de 80% dos alunos já se adaptaram às regras.

“Antes, os alunos ficavam isolados no celular. Hoje, conversam mais, criam vínculos e melhoraram o rendimento escolar”, afirma.

A fiscalização é feita de forma gradual, priorizando o diálogo. Em casos de descumprimento, a escola pode aplicar advertências e, em situações mais graves, recolher o aparelho até a presença dos responsáveis.

Mais foco, menos distração

Do ponto de vista pedagógico, professores relatam melhora no desempenho dos estudantes. O professor de matemática Germano Pereira dos Santos Filho afirma que os efeitos vão além da sala de aula.

“Percebi melhora no rendimento e na qualidade do aprendizado. Antes, o celular atrapalhava muito. Agora, os alunos estão mais focados”, explica.

A estudante Maria Fernanda de Souza Costa, de 14 anos, confirma a mudança: “Antes a gente buscava respostas na internet. Agora consigo me concentrar mais e desenvolver meu raciocínio”, relata.

Outro efeito direto da medida foi o aumento da interação social. O estudante Alex Yudi Togashi, de 15 anos, conta que passou a fazer mais amizades.

“Eu era mais isolado. Hoje converso mais e fiz muitos amigos”, diz.

O reflexo também chegou às famílias. A servidora pública Patrícia de Sousa Rodrigues, mãe de Maria Fernanda, afirma que houve melhora no comportamento da filha.

“Ela interage mais, está mais focada e o rendimento escolar melhorou. Em casa, também reforçamos limites”, afirma.

Já a vendedora Weslla Santana, mãe de Alex, destaca a mudança no perfil do filho:

“Ele era muito sozinho. Hoje tem mais amigos e está mais participativo. O celular tirava muito o foco.”

A Lei nº 15.100/2025 consolida uma tendência crescente de restrição ao uso de celulares no ambiente escolar, com foco na melhoria do aprendizado e no desenvolvimento social dos estudantes.

No Distrito Federal, os resultados iniciais indicam que a medida não apenas reorganizou o ambiente escolar, mas também contribuiu para uma geração mais presente, participativa e conectada com o mundo real, longe das telas.

Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília


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