Oportunidades de negócios e cooperação bilateral entre Brasil e Taiwan são debatidas em Brasília

O processo de transformação e crescimento de Taiwan ao longo dos últimos anos foi um dos temas do encontro promovido pela Casa Política e pelo Monitor da Democracia, na manhã desta terça-feira (5), em Brasília. O evento reuniu políticos, empresários e lideranças dos dois países para debater oportunidades de negócios e cooperação bilateral.

Considerada a “ilha da tecnologia”, Taiwan avançou em ritmo acelerado nas últimas décadas e se tornou vitrine e referência para países que buscam inovar e alcançar um nível de desenvolvimento industrial e tecnológico capaz de garantir estabilidade econômica.

Durante a abertura, o CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia, Márcio Coimbra, destacou que, apesar de o governo brasileiro não reconhecer oficialmente a soberania de Taipei como país — devido à pressão da China —, Taiwan tem se consolidado como um importante parceiro comercial do Brasil.

Já o representante do governo de Taipei no Brasil, Benito Liao, ressaltou que o país asiático pretende expandir seus negócios no mercado brasileiro. O diplomata reforçou que Taiwan é uma nação independente e não subordinada à China.

Liao observou que, apesar de seu território reduzido, o país possui hoje uma economia maior que a de muitos países europeus. O representante diplomático enfatizou que o Brasil reconhece a força desenvolvimentista de Taiwan.

“Isso se deve, principalmente, ao rápido avanço da indústria de semicondutores e da inteligência artificial. O governo brasileiro atribui grande valor a esse desenvolvimento industrial, que transformou Taiwan em uma potência de relevância global”, afirmou.

O diplomata destacou ainda que diversas empresas taiwanesas do setor de tecnologia já realizaram investimentos no Brasil. “Temos exemplos notáveis que incluem computadores, celulares e outros produtos eletrônicos”, afirmou.

Benito Liao reiterou que, apesar da ausência de relações diplomáticas oficiais entre os países, empresas brasileiras podem ser beneficiadas por meio da parceria entre Taiwan e o Paraguai. O país vizinho, integrante do Mercosul, está desenvolvendo um polo tecnológico que pode impulsionar o setor produtivo brasileiro, especialmente nas áreas de tecnologia e inovação.

“As empresas brasileiras podem ser contempladas por essa parceria com o Paraguai. Esse polo tecnológico trará grandes benefícios para a região. O Mercosul ajudará a reduzir essa distância e ampliar oportunidades para empresários brasileiros”, concluiu.

Importância do Estreito de Taiwan

O encontro contou com a participação do jornalista da CNN Brasil, Caio Junqueira, que fez uma avaliação do atual cenário envolvendo Taiwan em meio às tensões internacionais.

“Podemos afirmar que o Estreito de Taiwan é tão relevante quanto o Estreito de Ormuz, especialmente em contextos de conflito”, apontou o analista.

O Estreito de Taiwan é uma importante rota marítima por onde passa mais de 60% da produção global de semicondutores e cerca de 90% dos chips utilizados em equipamentos tecnológicos.

Estudos estratégicos

Outro ponto de destaque da reunião foi a explanação do pesquisador Mário Machado sobre estudos estratégicos realizados pelo Monitor da Democracia. Segundo ele, os resultados indicam oportunidades relevantes para ampliar a parceria entre os dois países.

“O Brasil precisa aumentar o volume de compra de produtos tecnológicos de Taiwan. Hoje, o país já compra, mas paga caro. A meta seria aproximar essas empresas para reduzir custos. Uma alternativa seria investir na produção nacional de chips menos avançados”, sugeriu o pesquisador.

Um dos “Tigres Asiáticos”

Atualmente, Taiwan é um dos quatro “Tigres Asiáticos” que impulsionam a economia global. De acordo com dados oficiais, o país é a 21ª maior economia do mundo, com mais de US$ 300 bilhões em exportações anuais.

Cerca de 84% da produção mundial de processadores tem origem em Taiwan. Apesar do impasse diplomático com a China, que não reconhece sua soberania, os chineses seguem como principais parceiros comerciais da ilha, seguidos por Estados Unidos e Japão.

Foto: Divulgação/Expressão Brasiliense


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