• 26 de maio de 2024

SEM MUNIÇÃO DOS EUA | Forças armadas ucranianas perdem poder de fogo para enfrentar a Rússia

O oficial de artilharia na linha de frente no leste da Ucrânia resume rapidamente a situação: “Sem munição de artilharia, toda frente está condenada”, diz o homem à DW. Suas descrições atuais do que se passa no front são desanimadoras diante da falta de munição que sofrem as Forças Armadas ucranianas. O oficial deseja permanecer anônimo. A patente, o nome e o cargo do comandante de uma unidade de artilharia ucraniana são conhecidos pela DW.

Disparos russos em massa

“As perdas aumentarão porque não é possível responder adequadamente fogo com fogo.” Os atacantes russos, por outro lado, podem disparar de forma massiva. Os soldados ucranianos estão sendo cobertos com fogo de barragem da artilharia russa. Os caças russos bombardeiam as posições ucranianas com bombas planadoras – disparadas de uma distância segura, mais atrás da linha de frente, fora do alcance das defesas aéreas ucranianas, que, de qualquer forma, são igualmente insuficientes.

“Em algum momento nos encontraremos em uma situação em que mais ninguém vai conseguir defender a frente – todos estarão mortos ou feridos”, diz o oficial. E ele deixa claro o que espera. O resultado seria “a perda de posições e uma frente desmoronada”.

As descrições da frente ucraniana são apoiadas por uma análise recente do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), dos EUA. De acordo com ela, os atacantes russos estão “avançando lentamente, mas de forma constante, em vários setores do front”.

Russos ganham área do tamanho de Detroit

De acordo com um cálculo do ISW de meados de abril, as Forças Armadas russas conquistaram “mais de 360 quilômetros quadrados desde o início do ano – área do tamanho de Detroit”, a maior cidade do estado americano de Michigan, escreve o ISW em uma análise recente.

Na atual situação, o risco de a Ucrânia perder diante das tropas do presidente russo, Vladimir Putin, é a maior desde o início da guerra, em 2022, segundo o ISW. Em outras palavras, sem um suprimento substancial de armas e munições dos países ocidentais que apoiam Kiev. O diretor da CIA, Bill Burns, e Christopher Cavoli, comandante das Forças Armadas dos EUA na Europa, deixaram isso claro em declarações dadas neste mês em Washington.

“Há um risco muito real de que os ucranianos percam no campo de batalha até o final de 2024 ou, pelo menos, Putin chegue a uma posição em que possa ditar os termos de um acordo político”, disse Burns durante um discurso que fez na capital americana, de acordo com relatos da mídia americana.

Reação só é possível com suprimentos dos EUA

O decisivo, segundo Burns, é que os EUA entreguem os suprimentos rapidamente agora. Isso, por sua vez, daria à Ucrânia uma boa chance de “resistir” neste ano.

O fato de o chefe da CIA, Burns, falar atualmente em “resistir” aponta para a esperança de que Kiev, em algum momento, possa aumentar sua produção bélica a tal ponto que a Ucrânia seja capaz de se defender a longo prazo. E também que seja estabelecida uma força aérea através da assistência ocidental. Desde 2023, pilotos ucranianos têm sido treinados para atuarem em caças F-16 dos EUA. Mas o treinamento vem sendo realizado há muito mais tempo do que previam os especialistas militares da Otan.

Em resposta a uma pergunta enviada por escrito pela DW sobre a capacidade operacional do F-16 e o progresso do treinamento de pilotos ucranianos em países europeus da Otan, como Romênia, Reino Unido ou França, o porta-voz da Força Aérea ucraniana não quuis responder em detalhes. “Essa é uma questão muito delicada”, escreve, argumentando que não pode dizer nada sobre o assunto.

Pilotos ucranianos têm baixo nível de inglês

O comandante das forças americanas na Europa, Christopher Cavoli, disse recentemente, durante uma visita a Washington, que os pilotos ucranianos, em geral, não têm conhecimentos de inglês.

Assim como o chefe da CIA, Burns, Cavoli apresenta um quadro sombrio da situação dos ucranianos no front. Embora ele “não possa prever o futuro, posso fazer cálculos simples”, disse o general do Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA (EUCOM). “Em minha experiência de mais de 37 anos nas Forças Armadas dos EUA, se um lado pode atirar e o outro não pode revidar, o lado que não pode revidar perde.”

O pacote de ajuda para a Ucrânia, bloqueado por meses pelos republicanos no Congresso dos EUA, chega a 61 bilhões de dólares. Além do dinheiro para o orçamento ucraniano e para a ajuda econômica, 51,7 bilhões de dólares são destinados ao fornecimento de munição e armas, de acordo com um comunicado à imprensa emitido pelo primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, após sua recente visita aos EUA.

(DW-Deustche Welle)

Foto: Reprodução/Google Imagens

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