• 27 de junho de 2026

Resgates entram em fase crítica após terremoto na Venezuela; número de mortos sobe para 920

A situação na Venezuela se agrava a cada hora após o devastador terremoto que atingiu o país na última quarta-feira (24). Três dias depois dos abalos de magnitudes 7,2 e 7,5, moradores seguem escavando os escombros de casas e edifícios na tentativa desesperada de encontrar sobreviventes. Na noite de sexta-feira (26), um terceiro tremor, de magnitude 4,7, voltou a assustar a população.

As autoridades venezuelanas informaram que irão restringir o acesso à cidade de La Guaira, epicentro da destruição provocada pelo terremoto. Segundo o governo, apenas pessoas autorizadas poderão entrar na região, medida adotada para evitar que o intenso fluxo de veículos prejudique as operações de resgate.

Enquanto isso, familiares de desaparecidos passaram a realizar buscas por conta própria diante da escassez de equipes oficiais de socorro. O balanço mais recente aponta 920 mortos, mais de 3.300 feridos, 243 pessoas resgatadas com vida e cerca de 51 mil desaparecidos.

Especialistas alertam que as primeiras 48 a 72 horas após um terremoto representam o período mais importante para localizar vítimas vivas sob os escombros.

“Cada pessoa salva é um milagre”, afirmou Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana. “Não vamos esconder absolutamente nada sobre a dimensão desta tragédia.”

Famílias aguardam notícias em La Guaira

No estado de La Guaira, ao norte de Caracas, cenas de desespero se repetem entre familiares que aguardam notícias de parentes desaparecidos.

Nazareth Jimenez acompanhava vizinhos utilizando martelos e ferramentas elétricas para remover parte das lajes de concreto de um prédio completamente destruído.

“Meu Deus, como vamos tirá-los daí?”, lamentou.

Ela pediu ajuda internacional para acelerar os resgates.

“Estamos pedindo ajuda ao governo e a países do mundo inteiro. Ainda há pessoas vivas lá dentro.”

O governo venezuelano informou que distribui alimentos e água às famílias afetadas. A presidente em exercício, Delcy Rodríguez, afirmou que o país atravessa “horas críticas” e que reforços internacionais já começaram a chegar.

Apesar disso, moradores afirmam que o número de socorristas ainda é insuficiente diante da dimensão da tragédia.

Terremoto representa desafio político para o governo

A tragédia também amplia a pressão sobre a presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país após a captura e retirada do então presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Além da crise humanitária, a Venezuela enfrenta uma prolongada instabilidade econômica e política, fatores que dificultam a resposta às vítimas do terremoto.

As autoridades reconhecem que o número de mortos deve continuar aumentando nos próximos dias. O elevado número de desaparecidos inclui pessoas sem comunicação devido à interrupção dos serviços de telefonia, além de possíveis registros duplicados.

Milhões de pessoas foram afetadas

A Organização Internacional para as Migrações estima que 6,76 milhões de pessoas possam ter sido afetadas pelos terremotos, sendo aproximadamente 2 milhões apenas na região de Caracas.

Especialistas explicam que a destruição foi intensificada porque os dois fortes tremores ocorreram em sequência e tiveram baixa profundidade.

Loyce Pace, diretora regional para as Américas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, afirmou que muitas famílias permanecem com medo de retornar às suas casas devido ao risco de novos desabamentos.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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