A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes aprovaram nesta segunda-feira (10) a adoção imediata de novas regras de arbitragem no futebol brasileiro. As mudanças, muitas delas utilizadas na Copa do Mundo de 2026, passam a ser aplicadas nas Séries A e B do Brasileirão, na Copa do Brasil masculina e feminina e no Brasileirão Feminino A1.
A decisão foi tomada durante a terceira reunião entre a CBF e clubes das Séries A e B para discutir a criação da Liga do Futebol do Brasil. O encontro ocorreu em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e também marcou o início do ciclo de discussões para a elaboração do novo regulamento das competições para a temporada de 2027.
O novo regulamento será construído ao longo de cinco reuniões. Depois do encontro dedicado à arbitragem, estão previstos debates sobre organização das competições, licenciamento e infraestrutura, realização das partidas, governança, fiscalização e integridade.
CBF quer aumentar tempo de bola rolando
A modernização da arbitragem é considerada pela CBF um dos pontos de partida para aumentar a qualidade e o valor comercial do futebol brasileiro. A entidade também prevê investimentos de R$ 200 milhões em arbitragem entre 2026 e 2027.
O objetivo é reduzir o número de paralisações e aumentar o tempo de bola rolando durante as partidas.
Segundo estudo elaborado pela CBF em parceria com a CBF Academy, com dados da OPTA Stats Perform, o Brasileirão tem espaço para recuperar aproximadamente seis minutos e 22 segundos de bola rolando por jogo por meio de mudanças em procedimentos como cobranças, substituições, atendimentos médicos e intervenções do VAR.
Na Série A, o tempo médio de bola rolando em 2026, antes da paralisação para a Copa do Mundo, era de 52 minutos e 54 segundos. A meta estabelecida pela FIFA é de 60 minutos.
Mesmo entre as principais ligas do mundo, a marca ainda não é alcançada. A Premier League registra 55min23s, a Ligue 1 e a Bundesliga, 56min17s, La Liga, 55min09s, e a Serie A italiana, 54min28s.
A CBF estima que o conjunto de mudanças adotado na Copa do Mundo pode representar um ganho médio de 5 minutos e 49 segundos de bola rolando por partida.
Samir Xaud defende mudanças com participação dos clubes
O presidente da CBF, Samir Xaud, afirmou que a modernização precisa ser construída com a participação dos principais agentes do futebol brasileiro.
“Esta é mais uma reunião que, como é prática desta gestão, se baseia no diálogo e acontece de forma democrática. Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo.”
Segundo Xaud, a mudança faz parte de uma reestruturação mais ampla do futebol nacional, que envolve CBF, clubes e federações.
O que muda com as novas regras da CBF
As alterações aprovadas pela International Football Association Board (IFAB) e utilizadas na Copa do Mundo de 2026 foram desenvolvidas principalmente para combater a cera e aumentar o tempo efetivo de jogo. A CBF já vinha preparando árbitros e assistentes para a implementação das mudanças.
1. Cinco segundos para o arremesso lateral
O jogador terá cinco segundos para realizar o arremesso lateral depois de pegar a bola.
2. Cinco segundos para o tiro de meta
O goleiro terá cinco segundos para colocar a bola em jogo após o início da contagem do árbitro. Se ultrapassar o limite, o adversário receberá um escanteio.
3. Dez segundos para sair durante substituições
O jogador substituído terá até dez segundos para deixar o campo depois que a placa de substituição for levantada. A saída deverá ocorrer pelo ponto mais próximo do gramado.
4. Um minuto fora após atendimento médico
O jogador de linha atendido dentro do gramado deverá permanecer fora da partida por um minuto após o reinício do jogo, antes de retornar com autorização da arbitragem.
Há exceções previstas para situações específicas, como lesões de goleiros, concussões, problemas cardíacos e lesões graves na cabeça.
5. Atendimento ao goleiro
Quando o goleiro precisar de atendimento médico, um jogador de linha indicado pelo treinador ou capitão também poderá ter de permanecer fora de campo durante um minuto.
6. Apenas o capitão poderá falar com o árbitro
A nova orientação estabelece que o capitão será o principal interlocutor da equipe com a arbitragem durante a partida.
7. Regra contra cobrir a boca em discussões
Jogadores que cobrirem intencionalmente a boca durante uma discussão com adversário poderão ser expulsos. A medida ficou conhecida como “Lei Vini Jr.” por ter sido criada após um episódio envolvendo Vinicius Junior e Gianluca Prestianni na Liga dos Campeões. A regra foi utilizada durante a Copa do Mundo de 2026.
8. VAR poderá revisar segundo cartão amarelo
O protocolo do VAR foi ampliado e passa a permitir a revisão de um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão, em situações previstas pelo novo protocolo.
9. VAR poderá corrigir escanteio marcado por engano
O árbitro de vídeo poderá intervir quando um escanteio tiver sido concedido ou negado de forma equivocada, desde que a correção possa ocorrer imediatamente e antes do reinício da partida.
Próxima reunião da CBF será em setembro
A próxima reunião do Conselho Técnico de Competições está marcada para 14 de setembro e terá como tema a organização das competições.
O ciclo de reuniões entre CBF e clubes seguirá até dezembro e servirá de base para a construção do regulamento das Séries A e B para a temporada de 2027.
Foto: Luciana Vermell/CBF
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