• 7 de janeiro de 2026

Maduro vai a tribunal em Nova York após captura dos EUA; ONU discute legalidade da operação

O líder deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, deve comparecer nesta segunda-feira a um tribunal federal de Nova York, onde enfrentará acusações de tráfico internacional de drogas, após ter sido capturado em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas. A ação, autorizada pelo presidente Donald Trump, provocou reação internacional e levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a discutir a legalidade da operação.

Considerada a maior intervenção dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989, a ação envolveu forças especiais norte-americanas que desembarcaram na capital venezuelana em helicópteros no último fim de semana. O objetivo foi romper o esquema de segurança de Maduro e prendê-lo dentro de uma instalação considerada uma sala segura.

Aliados seguem no poder e sinalizam mudança de tom

Apesar da prisão de Maduro, seus aliados permanecem no comando do governo venezuelano. Inicialmente, o discurso foi de confronto, mas nas últimas horas houve uma mudança de tom, com sinalização de possível cooperação com Washington.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, classificou inicialmente a captura como um “sequestro” e uma tentativa de apropriação colonial das riquezas do país, mas no domingo afirmou que a prioridade é manter relações respeitosas com os Estados Unidos.

“Convidamos o governo dos EUA a trabalhar juntos em uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional”, declarou Rodríguez.

Petróleo no centro da crise

Donald Trump tem afirmado que Maduro liderava uma rede de narcotráfico internacional, responsável por inundar os Estados Unidos com cocaína. Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano não esconde o interesse em reabrir o acesso às reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, concentradas principalmente na região do Orinoco.

A produção venezuelana, no entanto, segue em declínio, afetada por má gestão, subinvestimentos e sanções econômicas, com média de 1,1 milhão de barris por dia no último ano — cerca de um terço do auge registrado na década de 1970.

Trump chegou a ameaçar novos ataques militares caso Caracas não coopere com a abertura do setor petrolífero e o combate ao tráfico de drogas, estendendo alertas também à Colômbia, México e Cuba.

Reação internacional e debate na ONU

A captura de um chefe de Estado estrangeiro gerou consternação global, e o Conselho de Segurança da ONU deve debater as implicações jurídicas e diplomáticas da operação.

Rússia, China e aliados de esquerda da Venezuela condenaram a ação dos EUA, alegando violação do direito internacional. Cuba afirmou que 32 militares e agentes de inteligência cubanos morreram durante a incursão norte-americana.

Já aliados de Washington adotaram postura cautelosa, defendendo diálogo e respeito à lei internacional, sem condenar diretamente Trump. Alguns países chegaram a celebrar a saída de Maduro do poder.

Acusações e julgamento nos EUA

Maduro, de 63 anos, ex-motorista de ônibus e sucessor de Hugo Chávez desde 2013, está detido no Brooklyn, ao lado da esposa, Cilia Flores. Ambos devem comparecer ao tribunal federal de Manhattan às 12h (14h em Brasília).

O ex-presidente é acusado de comandar uma rede de tráfico de cocaína ligada a grupos como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Zetas, as Farc, da Colômbia, e a facção venezuelana Tren de Aragua. Maduro nega todas as acusações e afirma que o processo é uma justificativa para interesses imperialistas sobre o petróleo venezuelano.

Trump também relacionou a operação ao fluxo migratório venezuelano, que levou cerca de um em cada cinco cidadãos a deixar o país nos últimos anos, além de disputas históricas envolvendo a nacionalização de ativos petrolíferos norte-americanos.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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