Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel registrada sob o número BR-06939/2026, que avaliava o cenário da disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026.
A liminar foi concedida pelo presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes Marques, e ainda será submetida ao referendo do plenário da Corte. Na decisão, o magistrado apontou indícios de possível indução dos entrevistados, o que poderia comprometer a regularidade metodológica do levantamento eleitoral.
A suspensão atende a um pedido do Partido Liberal, que alegou que o questionário utilizado pela AtlasIntel continha elementos capazes de influenciar as respostas dos participantes, prejudicando a imagem do senador Flávio Bolsonaro. Segundo a legenda, a pesquisa teria extrapolado os limites da simples aferição da opinião pública.
Em análise preliminar, Kassio Nunes Marques afirmou que há elementos que indicam possível contaminação das respostas dos entrevistados, incluindo a utilização e divulgação de áudio relacionado a uma investigação. Para o ministro, a suspensão temporária da divulgação, impulsionamento, republicação e manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa não causa prejuízo caso a regularidade metodológica seja comprovada posteriormente.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, destacou o ministro na decisão.
Controvérsia sobre metodologia da pesquisa AtlasIntel
Ao fundamentar a liminar, Kassio Nunes Marques citou uma entrevista concedida pelo CEO da AtlasIntel à CNN, em 19 de maio, na qual teria reconhecido a existência de viés político no conteúdo apresentado aos entrevistados e os possíveis impactos eleitorais decorrentes desse material.
Segundo o ministro, há indícios de que a pesquisa possa ter ultrapassado os limites de uma aferição estatística regular.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou.
A decisão também destaca que outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE não apresentaram perguntas semelhantes nem utilizaram recursos de áudio com conteúdo equivalente ao empregado no levantamento questionado.
AtlasIntel terá de apresentar documentação ao TSE
O presidente do TSE determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para comprovar a regularidade da metodologia adotada, especialmente em relação ao uso do áudio durante a coleta de dados.
Além disso, o Ministério Público Eleitoral terá prazo de um dia para se manifestar sobre o caso antes dos próximos desdobramentos da ação.
Foto: Reprodução/Google Imagens
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