Um dos assuntos defendidos pelo ex-governador José Roberto Arruda durante o primeiro debate entre candidatos ao GDF, realizado pela Band Brasília, no último domingo (9), que chamou atenção e voltou a repercutir nesta segunda-feira (10), em grupos de aplicativos e nas redes sociais foi a proposta de retomar os laboratórios de informática nas escolas públicas do DF.
Assista abaixo um dos vídeos que viralizaram sobre o assunto:
Para Arruda, os laboratórios parecem representar uma das marcas positivas de sua passagem pelo Palácio do Buriti. O problema é que a política de informática do período também se cruza com um histórico de contratos milionários que foram alvo de investigações, ações de improbidade e condenações judiciais no âmbito da Operação Caixa de Pandora. E é justamente essa parte da história que não podemos esquecer quando se fala em ressuscitar o modelo.
Durante o governo José Roberto Arruda, um contrato de informática da Secretaria de Educação do Distrito Federal tornou-se alvo de investigação no âmbito da Operação Caixa de Pandora. O contrato nº 115/2008, firmado com a Info Educacional Ltda., tinha valor de aproximadamente R$ 17 milhões e, segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), fazia parte de um esquema de desvio de recursos públicos.
O processo resultou em uma das condenações de Arruda por improbidade administrativa, com suspensão dos direitos políticos por 12 anos e obrigação de ressarcimento ao erário, além de outras sanções. Também foram condenados secretários, servidores e empresários envolvidos no esquema.
É nesse contexto que a defesa de Arruda pela retomada dos laboratórios de informática nas escolas públicas ganha uma dimensão política que vai além da promessa de modernização da educação.
A proposta resgata uma política associada à sua gestão justamente em uma área na qual um contrato milionário da Secretaria de Educação acabou no centro de uma ação de improbidade. Para o eleitor, fica a pergunta: é possível retomar os laboratórios sem repetir os problemas de contratação, fiscalização e controle que marcaram aquele episódio?
Os números mostram que a história dos contratos de informática durante o governo Arruda não pode ser resumida apenas à lembrança dos laboratórios instalados nas escolas. Há um conjunto de processos judiciais envolvendo contratos, pagamentos, supostos repasses ilícitos, sobrepreço e ressarcimento ao erário.
Em julho deste ano, o próprio TJDFT manteve a indisponibilidade de bens de Arruda e outros condenados em uma ação relacionada à Caixa de Pandora para garantir o cumprimento das obrigações patrimoniais decorrentes das condenações.
Por isso, quando Arruda defende a volta dos laboratórios de informática, a pergunta que fica não é apenas quanto custa instalar computadores nas escolas. É também como apoiar uma política pública marcada por problemas de contratações superfaturadas. E um detalhe: ele quer um espaço desse em cada cidade para garantir uma conta bem gorda aos empresários que estão apoiando sua candidatura.
Afinal, tecnologia na educação pode ser uma excelente política pública, desde que os contratos sejam transparentes, os preços sejam compatíveis com o mercado e o dinheiro público seja devidamente fiscalizado e não desviados como ocorreu no governo do candidato do PSD.
Arruda voltou ao debate eleitoral depois de 15 anos afastado da política e tenta disputar novamente o GDF, fingindo que nada aconteceu e que está tudo certo no lindo “mundo mágico de José ‘Careca’ Arruda”.
A candidatura dele segue juridicamente questionada, pois enfrenta questões relacionadas à Lei da Ficha Limpa e às condenações que resultaram na sua inelegibilidade. A definição sobre sua situação eleitoral cabe à Justiça Eleitoral no processo de registro da candidatura.
Veja o trecho em que Arruda defende a volta dos laboratórios de informática de contratos superfaturados:
Foto: Reprodução/YouTube
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