GOLPE DA CURA | Homem é acusado de oferecer exame falso que prevê câncer antecipadamente por 252 dólares

O golpe da cura é sempre um crime praticado com muita facilidade. Neste domingo, dia 15 de setembro, o Metrópoles publicou uma matéria sobre um homem que se apresentava como pesquisador que oferecia um exame capaz de antecipa o diagnóstico do câncer antecipadamente por 252 dólares.

Ana* é recém-aposentada e tem um histórico preocupante de câncer na família. Pelo lado materno, tanto o avô quanto a avó tiveram tumores. A tia, irmã de seu pai, também enfrentou a doença. Por tais antecedentes, ela sempre se inquietou com a possibilidade desenvolver o mal. Somado a isso, Ana é mãe adotiva de uma criança e, por não saber quem são os pais biológicos, também sente aflição em relação à filha.

Tanta incerteza ganhou esperança após conversa com uma colega de trabalho. A amiga relatou ter conseguido o contato de Thiago César Moreira, um farmacêutico que afirma morar nos Estados Unidos com bolsa de estudos na Johns Hopkins University School of Medicine, uma das universidades de medicina mais conceituadas do mundo. O motivo do custeio dos estudos de Thiago seria um estudo revelador em que é possível descobrir se alguém terá ou não câncer no futuro.

Interessada, Ana permitiu que o telefone dela fosse passado ao farmacêutico, que entrou em contato no começo de agosto. “Ele me mandou uma mensagem se apresentando. Disse que tinha acabado de abrir mais 50 vagas para o trabalho dele e que poderia me incluir no grupo”, relata.

Após a breve apresentação, os dois conversaram por telefone. “Ele disse que faz pós-doutorado em Baltimore (EUA) e que graças a patrocínios e bolsa, todo o teste de probabilidade de câncer é realizado de graça. O único custo seria uma taxa que a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] cobra de 252 dólares por cada amostra. Seria um valor relacionado a envio de material genético para o exterior”, explica.

O material genético pedido por Thiago é um fio de cabelo com raiz. O envio, no entanto, não deve ser feito diretamente a Baltimore, mas para Cuiabá (MT), o que chamou a atenção de Ana. “A justificativa dele é que um tal de Amilton seria a pessoa treinada por ele aqui no Brasil para que a extração de cromossomos do cabelo aconteça e ele receba tudo já separado”. Além do cabelo, cópias de algum documento com foto deveriam ser enviadas.

Ana chegou a disponibilizar a documentação de toda a família a Thiago e combinou o valor a ser pago. Um detalhe, no entanto, fez com que ela começasse a desconfiar do farmacêutico. “Meu filho começou a ler a tese de doutorado do cara e viu alguns erros de inglês. Achei isso muito estranho”, conta.

Ao perceber que a cliente dava sinais de que desistiria do teste, Thiago disse que não seria mais possível voltar atrás, pois ele próprio já havia realizado o pagamento à Anvisa, enviando até um comprovante. Mesmo assim, Ana não continuou com o teste.

MATERIAL CEDIDO AO METRÓPOLES Material cedido ao Metrópoles
Imagem enviada por Thiago no intuito de comprovar que havia pagado a taxa da Anvisa

Outra mulher que se interessou em saber se terá câncer no futuro foi Maria*. Indicada por Ana, ela entrou em contato e ouviu a mesma história de Thiago. “Ele diz que chegou a pedir ajuda do governo, mas o custo chegava a R$ 9 milhões, por isso, que não quiseram pagar”, lembra.

Desconfiada da veracidade da história, ela se mostrou relutante a enviar qualquer tipo de informação ao farmacêutico, que enviou vários documentos a Maria para tentar comprovar que ele, de fato, seria capaz de realizar a descoberta de um possível câncer. Resultados de teste anteriores, documentos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) autorizando o envio das amostras de cabelo e até número de registro na Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC/ML) estão nos arquivos disponibilizados por Thiago.

Conversa com a reportagem

Sem saber que estava falando com o Metrópoles, Thiago detalhou à reportagem como funciona o suposto teste realizado por ele nos Estados Unidos. “A gente rastreia e mensura a possibilidade de atividade cancerígena no organismo. O teste é feito a partir de um fio de cabelo com a raiz ou 1 ml de sangue total. Esse exame rastreia 350 tipos de oncogenes diferentes e identifica 80% das principais atividades oncológicas do corpo”, afirma.

Com a mesma história contada a Ana e Maria, ele diz que teve o projeto de teste em larga escala negado no Brasil por causa do alto custo. “Um exame desse em condições normais custa 18 mil doláres. Eu precisava fazer isso em 500 pacientes: são 9 milhões de dólares. Não pagaram”, diz.

Segundo Thiago, ele conseguiu, além da bolsa na Johns Hopkins, um patrocínio de grande empresa e trouxe os testes para o Brasil, mesmo com vários problemas. “Primeiro embate que tive foi com a Anvisa. Começou a me questionar o envio de amostra biológica para fora do país. Tanto que o tratamento, hoje, é todo gratuito. A única despesa que o paciente tem é a taxa da Anvisa: 252 dólares”.

Com informações do Portal Metrópoles

expressaobrasiliense

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